Uma greve dos metroferroviários deflagrada nesta terça-feira (4) compromete o funcionamento de três linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e afeta o deslocamento de passageiros na região metropolitana de São Paulo. O movimento atinge a Linha 13-Jade, que está totalmente paralisada, além das linhas 11-Coral e 12-Safira, que circulam apenas parcialmente. A zona leste da capital e municípios como Guarulhos, Mogi das Cruzes e Suzano são os mais afetados.
Para conter os impactos no transporte, ônibus do sistema Paese foram acionados para cobrir os trechos interrompidos, provocando filas e superlotação nas estações. O Metrô antecipou a abertura de suas linhas para as 4h e colocou composições extras em circulação, enquanto a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos.
Descumprimento de decisão judicial
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP) havia determinado a manutenção de ao menos 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos, sob pena de multa diária de R$ 400 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil. Segundo o presidente da CPTM, Michael Cerqueira, a ordem não está sendo cumprida.
“A nossa estratégia era ter as estações sendo abertas de forma gradativa, conforme esse percentual de funcionários fossem entrando nas suas escalas naturais para respeitar o que foi determinado pela Justiça. Como isso não vem acontecendo, a gente não tem conseguido avançar em abrir novas estações“, declarou o presidente da CPTM ao Bom Dia SP, da TV Globo.
Impasse sobre privatização e empregos
A paralisação é um protesto contra o processo de concessão das linhas 11, 12 e 13 para a iniciativa privada. A concessionária Trivia Trens assumiu integralmente a operação em julho, mas a CPTM precisou retomar a gestão temporariamente após falhas operacionais e um incêndio em um vagão da Linha 12-Safira. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou uma intervenção de 90 dias para que a empresa privada faça ajustes.
A categoria exige a reestatização definitiva dos trajetos, a garantia de estabilidade para os 4.700 funcionários da estatal e a aprovação de um projeto de lei na Assembleia Legislativa (Alesp) que prevê a absorção desses trabalhadores por outros órgãos estaduais. Atualmente, apenas 11% dos colaboradores da concessionária são oriundos da CPTM.
O sindicato afirma que a greve é um recurso extremo motivado pela ausência de garantias formais. “Até o momento, não houve compromisso formal que assegure o futuro dos milhares de ferroviários e de suas famílias”, declarou a entidade em nota, reforçando que permanece aberta a negociações.
Por outro lado, o governo do Estado de São Paulo e a CPTM lamentaram a paralisação. A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou ter apresentado propostas como a inclusão dos trabalhadores no plano de saúde do funcionalismo público e a discussão sobre a absorção dos empregados pelo Estado. “A paralisação não contribui para a negociação e seu único efeito será o de prejudicar milhares de trabalhadores, estudantes e passageiros”, informou o governo.
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