O plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em pressionar o Irã através de sanções, bloqueios econômicos e ataques militares já começa a apresentar os primeiros sinais adversos contra o governo norte-americano.
Como a crise no Oriente Médio mantém a navegação pelo Estreito de Ormuz comprometida, os efeitos no quadro financeiro global, inflação e preços da energia já começam a ser vistos, segundo análise da CNN norte-americana em meio à continuidade das negociações envolvendo Washington, Teerã e Omã.
O impasse mostra que a tentativa de impor custos econômicos ao Irã não ocorre em um vácuo, uma vez que Ormuz é uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás, e o embate entre EUA e Irã se tornou um problema internacional.
Enquanto Trump sustentou que os efeitos da interrupção do fluxo estão sendo suportados pelos EUA, o mesmo não acontece em outros mercados, e o reflexo é visto nas negociações de petróleo: os preços nesta segunda-feira (10/08) avançaram mais de 4% diante das incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. O Brent chegou a US$ 87,40 por barril, enquanto o petróleo norte-americano WTI alcançou US$ 81,80.
Esse aumento afeta diretamente os custos de transporte, produção e energia dos EUA e, caso essa alta dos preços seja persistente, o repasse aos consumidores tende a ser inevitável, assim como o custo político para Trump.
Enquanto isso, o Irã sofre com sanções, bloqueios, destruição de infraestrutura e deterioração econômica, mas seu trunfo em interferir em uma das principais rotas de energia do planeta.
Diante disso, a possibilidade de um acordo entre os dois países depende também de qual governo consegue suportar os custos econômicos e políticos por mais tempo – ou seja, quanto maior o custo imposto a Teerã pela interrupção de Ormuz, maior também pode ser o custo que Washington terá de administrar dentro de casa.
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