31 de agosto de 2026

Amazônia: conservar a floresta também é garantir energia, por Augusto Rocha

Há uma necessidade de medidas de proteção tanto pela biodiversidade em si, como por motivadores econômicos amplos.
Amazônia - Foto de Ricardo Oliveira - CENARIUM - Reprodução

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte gera energia para 60 milhões, mas muitas comunidades amazônicas seguem sem eletricidade.
Desmatamento na Amazônia afeta segurança energética e economia nacional, exigindo proteção da floresta para clima e rios.
Proposta de Fórum Amazônico de Energia visa integrar políticas e ampliar energias renováveis para população local.

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Amazônia: conservar a floresta também é garantir energia

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

              São muitos desafios em relação ao clima, conservação da Amazônia e fornecimento de energia elétrica. Cada um dos aspectos merecem uma atenção muito maior do que a que tem sido dada para as questões ao longo da história. Não há dúvida que precisamos reduzir o consumo de diesel para a geração de energia elétrica, aumentando a eficiência, focando uma transição para fontes renováveis. Também é muito claro que existe uma grande população da região Amazônica sem energia elétrica. Em meio ao contexto, há uma grande parte da energia gerada pelas hidrelétricas da região que são usadas para abastecer outras áreas do país.

              Ou seja, o cenário posto é, por um lado, interessante e eficiente, pois há uma significativa produção de energia hidrelétrica que é distribuída em um grande sistema nacional, por outro, pelo isolamento das populações e a grande dispersão territorial, ainda há uma parcela muito grande desassistida de um sistema integrado, mesmo com anos de programas como o Luz Para Todos. Como um exemplo, de acordo com a Norte Energia, em relatório de 2023, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte é a maior usina 100% nacional, atendendo a mais de 60 milhões de pessoas, com 6% da capacidade total de geração do país e 10% da capacidade de geração de todas as hidrelétricas.

              De acordo com estudo de Gustavo Pinto e João Arbache, em artigo de 2025, concluíram, dentre diversos outros achados que “os impactos do desmatamento na Amazônia vão além da Região Norte, afetando a segurança energética e a economia em todo o país”, havendo uma clara necessidade de proteção da floresta para os rios voadores e outras dinâmicas climáticas. Com a chegada da seca agravada pelo El Niño e os assustadores eventos extremos nos Andes ao longo dos últimos dias fica muito evidente que há uma necessidade de medidas de proteção tanto pela biodiversidade em si, como por motivadores econômicos amplos. As sociedades locais já têm sofrido com os eventos extremos e agora fica evidente que todo o tripé da sustentabilidade depende de medidas de proteção da floresta que sejam mais amplas.

              É necessário integrar as políticas públicas de proteção do meio ambiente com a indução de atividades econômicas, para além do conservacionismo pelo conservacionismo, ignorando as pessoas e a economia. O caminho da transformação da Amazônia não será um caminho igual ao passado de outras regiões nacionais. Precisamos criar uma trilha de proteção do meio ambiente porque interessa às pessoas, à sociedade e à economia. Atualmente os olhares não integram as dimensões e milhões de habitantes seguem sem energia elétrica para subsistência. Há oportunidades na criação de projetos de Energias Renováveis para Comunidades Isoladas e de Energia Hidrocinética nos Rios.

              Está na hora de criar o Fórum Amazônico de Energia, favorecendo a articulação entre os Estados Amazônicos para soluções que dialoguem entre si, com a elaboração de um Balanço e Plano Energético que faça uso dos potenciais de energia para a própria região. A Amazônia tem sido pródiga em fornecer energia para o país. Está na hora do país começar a priorizar a Amazônia para seus próprios habitantes sem realizar a trilha de destruição ambiental que foi feita nas demais regiões. O momento é oportuno e a crise climática, temperada pela seca pode ser um bom motivador para um plano mais amplo.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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