O mercado de títulos dos Estados Unidos entrou em uma zona de alerta com a combinação entre a escalada da guerra com o Irã, a alta dos preços de energia, as pressões inflacionárias e o crescimento da dívida pública americana. O rendimento do Treasury de dez anos, referência para os custos de financiamento no país, atingiu nesta quarta-feira (2) o maior nível em quase três anos.
O movimento aumenta o custo de financiamento para consumidores, empresas e para o próprio governo dos Estados Unidos. Também amplia a pressão sobre o Federal Reserve, que pode ser levado a considerar novas altas de juros para conter a inflação.
Segundo a CNN norte-americana, a turbulência não está restrita aos EUA. Os rendimentos dos títulos públicos subiram em diversas economias desenvolvidas nas últimas semanas. Na Alemanha, a taxa dos títulos de dez anos alcançou recentemente o maior nível desde 2011. No Reino Unido, o rendimento dos papéis de 30 anos chegou ao maior patamar desde 1998. No Japão, o título de dez anos superou 3% pela primeira vez desde 1996.
A elevação dos rendimentos ocorre porque investidores estão exigindo retornos maiores para manter títulos públicos em um cenário de inflação e aumento do endividamento. Na prática, quando os preços dos títulos caem, seus rendimentos sobem.
Guerra amplia pressão sobre inflação e juros
A guerra entre Estados Unidos e Irã acrescentou um novo componente à deterioração das expectativas. O conflito, iniciado no fim de fevereiro, já se prolonga por mais de seis meses e afeta o fluxo de energia no Oriente Médio.
A elevação dos preços do petróleo se transmite para outros custos da economia, como gasolina, diesel, transporte e aviação. Segundo a AAA, agosto foi o mês com a gasolina mais cara da história dos Estados Unidos. O preço do diesel, combustível utilizado em uma parcela importante do transporte e da atividade econômica, subiu 51% desde o início da guerra.
A pressão sobre os preços aumenta a possibilidade de que o Federal Reserve precise manter ou elevar os juros para conter a inflação. O presidente do banco central americano, Kevin Warsh, indicou recentemente que novas altas podem ser necessárias caso a inflação não mostre convergência para a meta de 2%.
A elevação dos rendimentos também afeta o mercado acionário. Títulos do Tesouro são considerados ativos de baixo risco e, quando oferecem retornos maiores, tornam-se mais competitivos em relação às ações, principalmente empresas de tecnologia negociadas a avaliações elevadas.
Além da guerra e da inflação, investidores estão preocupados com a trajetória fiscal dos Estados Unidos. A dívida nacional ultrapassou US$ 40 trilhões em agosto, segundo dados do Tesouro americano. O governo gastou US$ 931 bilhões com juros líquidos da dívida no atual ano fiscal, até o momento, acima dos US$ 804 bilhões destinados à defesa nacional.
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