4 de setembro de 2026

Inteligência dos EUA aponta Irã mais confiante após seis meses de guerra

Relatórios indicam que Teerã melhorou entendimento sobre suas capacidades; conflito pode prosseguir até as eleições legislativas dos EUA
Shutterstock

Seis meses de guerra com os EUA aumentaram a confiança militar do Irã e evidenciaram limites do poder americano.
Irã pode prolongar conflito até eleições dos EUA, apostando no desgaste político e alta dos preços dos combustíveis.
Confrontos recentes no Estreito de Ormuz e ataques mútuos indicam risco de escalada significativa na região.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Seis meses de guerra com os Estados Unidos deixaram o Irã mais confiante em suas capacidades militares e mais consciente dos limites do poder americano, segundo novas avaliações de inteligência dos Estados Unidos.

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De acordo com informações obtidas pelo New York Times, o governo iraniano pode estar disposto a prolongar o confronto por meses, apostando no desgaste político do presidente Donald Trump e na pressão provocada pelos preços dos combustíveis nos Estados Unidos.

A avaliação ocorre enquanto os combates voltaram a se intensificar depois de um período de relativa calmaria. Na última semana, o Irã atacou embarcações no Estreito de Ormuz e tropas americanas na região, enquanto forças dos Estados Unidos realizaram ataques dentro do território iraniano, matando militares e civis.

Até o momento, a nova rodada de confrontos permanece limitada, mas as análises da inteligência norte-americana apontam para a possibilidade de uma escalada significativa.

Um dos principais instrumentos de pressão iranianos continua sendo o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde cerca de um quinto do petróleo mundial era transportada.

As avaliações americanas sugerem que o Irã passou a compreender de maneira ainda mais precisa como utilizar o estreito como instrumento de pressão, e a capacidade de interferência no fluxo de petróleo transforma o conflito militar em um problema econômico para os Estados Unidos e outros países dependentes da circulação de energia pela região.

Além disso, autoridades americanas avaliam que o Irã pode acreditar que Washington terá dificuldades para realizar novos ataques de grande escala à medida que os estoques de munições americanas diminuem.

O presidente Donald Trump, por enquanto, não estaria buscando negociações para encerrar o conflito por acreditar que a pressão econômica sobre o Irã poderá obrigar Teerã a fazer concessões relacionadas ao controle do Estreito de Ormuz e, posteriormente, ao programa nuclear iraniano.

Segundo autoridades familiarizadas com as avaliações de inteligência, entretanto, as sanções econômicas americanas tendem, no curto prazo, a estimular novas ações de retaliação por parte do Irã.

Pressão sobre Trump antes das eleições

Outro componente das avaliações de inteligência é político: o Irã pode estar interessado em prolongar o conflito pelo menos até as eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para novembro.

A lógica seria explorar os efeitos econômicos e políticos da guerra sobre o governo Trump, especialmente o aumento dos preços dos combustíveis provocado pela interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Há também sinais de uma campanha iraniana de propaganda voltada à política americana. Na última semana, a Meta divulgou um relatório sobre uma pequena rede de contas no Facebook e no Instagram originadas no Irã e voltadas à política dos Estados Unidos. Segundo a empresa, parte do conteúdo, inclusive material produzido com inteligência artificial, apresentava posições contrárias aos republicanos.

A perspectiva contrasta com a expectativa inicial de uma vitória rápida.

Trump previu um resultado decisivo quando as forças americanas e israelenses iniciaram a guerra, em 28 de fevereiro. Após meses de ataques, porém, críticos do governo afirmam que a capacidade iraniana de resistir foi subestimada.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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