Defender Cuba é defender a civilização
por Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida
Se todos os países banhados pelo Mar do Caribe demonstrassem o progresso rumo a uma civilização estável e justa que Cuba com o auxílio da Emenda Platt, tem demonstrado, desde a saída de nossas tropas da ilha … qualquer questão de interferência desta Nação [EUA] em seus assuntos estaria encerrada.
Theodore Roosevelt. Quarta mensagem anual ao Congresso dos EUA, 06/12/1904
Um documento preocupante
Cerca de um mês atrás, em 27/07/2026, o Departamento de Estado dos EUA publicou um documento de 100 páginas intitulado ‘Cuba: a capital do comunismo do século XXI‘. A ideia central é que, ao longo de quase sete décadas, ou seja, desde a derrubada da ditadura de Fulgencio Batista, o pequeno país do Caribe “travou uma contínua campanha de subversão contra os EUA” (p. 1). E, na conclusão, afirma-se que esta campanha foi realizada “em todas as frentes”, as quais são elencadas em um parágrafo de cinco linhas.
E esta atividade persistem por meio da influência que agentes e operativos cubanos mantêm em “centenas de grupos de fachada, organizações ativistas, centros de solidariedade e redes ideológicas de ONGs e organizações sem fins lucrativos”, os quais, “coletivamente, representam um dos maiores, mais sofisticados e perigosos vetores de influência estrangeiras hostil na história moderna dos Estados Unidos” (p. 98).O que leva à hipótese sobre importantes conexões: “Muitas das convulsões mais significativas da história política americana recente – dos protestos após a morte de George Floyd à ascensão do Antifa e à explosão do ativismo pré-terrorista nos cursos universitários americanos – podem ser vinculadas de alguma forma, à influência cubana” (id).
Textos desse tipo, ao expressarem políticas de Estado, não têm compromisso fundamental com a fundamentação científica. Mesmo assim, caso aludam a assuntos de tamanha importância sem o recurso a sólidas referências empíricas, o trabalho pode sinalizar perigo superior ao que denunciam. Até porque o período abordado pelo documento, 65 anos, é atravessado por enormes mutações sociopolíticas e culturais que produziram forte impacto sobre o modo de vida em todo o mundo.
Assim como não se deve superestimar a influência cubana, é importante atentar para a contraofensiva sob a forma de golpes de Estado e feroz repressão policial e forte aparato judiciário, como nos EUA, diversas manobras repressivas, a começar pelo FBI, ocorridos em boa parte do continente americanos. Nos anos 1970, veio a derrota dos esquerdas que pegaram em armas na América Latina, com exceção da ampla Frente Sandinista de rápido declínio; e o enfraquecimento dos partidos comunistas de massas.
Sob este aspecto, o texto do Departamento de Estado tende a exagerar a importância de Cuba em um cenário marcados por uma série de mudanças socioculturais dos mais variados tipos.
Em meados dos anos 1950, a URSS oficializou a política de coexistência pacífica, o que , ao longo dos anos 1970, ocorreu com a China, especialmente com o declínio dos grupos ligados à Revolução Cultural, o que abriu espaço para a visita do presidente Nixon e aproximação dos dois países. Com isso, se intensificou também o declínio da URSS e do sistema de países centralizado por ela na Europa. E o próprio Vietnam, logo após a itória sobre os EUA, se concentrou no processo de reconstrução após décadas de longas lutas. Na América Latina, a derrota catastrófica do governo Allende deslocou, por um curto período, as atenções para o eurocomunismo europeu, o qual, logo depois, se dissipou como força política.
Sim, neste contexto, a resistência e combatividade manifestada pela Revolução Cubana foi impressionante, inclusive ao interagir de múltiplas formas com forças combativas nos EUA. Por outro lado, são nítidas, na próprio documento, as diferenças entre as múltiplas atividades ali relatadas, as quais, como de costume, dependem da dinâmica das forças internas. Basta observar as fotos dos sete ativistas do movimento negro (p. na própria história de vida as sete destacadas no capítulo VI (Racial Revolution) para perceber que, com a exceção de Angela Davis e, decerto modo, Assata Shakur, foram, acentuadamente, ativistas do século XX e, alguns deles, como Malcom X, da Guerra Fria[1]. Outro, Eldidige Clever, já em meados dos anos 1970.
Sob este aspecto, de fato, vários partidos e movimentos de inspiração marxista empenhados em um combate mais frontal se apoiaram em Cuba. Porém logo foram derrotados, com a problemática exceção da ampla Frente Sandinista de Libertação Nacional, vitoriosa na Nicarágua em 1979, seguida de um longo declínio.
Aliás, conforme mencionado, ao se iniciar, em termos governamentais, a ofensiva neoliberal. Basta mencionar a inflexão neoliberal, sinalizada pelas eleições de Margareth Tatcher e Ronald Reagan (1789/80), o colapso da URSS e dos sistema de Estados centralizado por ela; e o pós-Guerra Fria, marcado pelo rápido apogeu e subsequente profunda crise – n, ão necessariamente terminal – do imperialismo hegemonizado pelos EUA.
Em suma, ocorreram importantes vínculos de segmentos combativos do movimento negro com a Revolução Cubana, porém, longe de terem sido uma conspiração monitorada por ela, seu desenvolvimento foi desigual e determinado fundamentalmente por relações internas à formação social estadunidense. Nenhum vínculo conspiratório, supondo-se que tenha existido, foi de grande importância.
Externalismo e ocultação das contradições internas
Some-se a isso a clássica concepção organicista conservadora que atribui um caráter essencialmente harmônico às relações constitutivas da sociedade e, desta forma, associam conflitos internos a determinações fundamentalmente externas[2]. As duas tendências contribuem fortemente para uma dupla seletividade nesta abordagem das relações entre EUA e Cuba: uma redução do tempo histórico ao período que se iniciou em 01/01/1959, com a vitória da Revolução Cubana; e uma enorme ocultação da presença do escravismo na formação e desenvolvimento da sociedade estadunidense.
Sobre o segundo aspecto, pode-se afirmar que a produção da primeira profunda tentativa de construção de uma comunidade estatal-nacional moderna, ideologicamente fundada nos princípios dos direitos do homem, foi a luta pela independência dos EUA, a qual por sua vez, se deparou com um obstáculo que a comprometia: a escravidão. Daí a unidade contraditória entre os Estados do Sul, voltados para a grande lavoura escravista,
Este silêncio atravessou profundamente o processo de independência, inclusive com o massacre de muitos negros e negras; contornou a Guerra Civil; e, sobrevoou a centenária existência da chamadas leis Jim Crow e a realização de linchamentos. Quanto a estes últimos, basta mencionar que só recentemente, em 2022, foi possível a aprovação de uma lei federal que os proíbe.
Outra ocultação histórica presente no texto do Departamento de Estado se relaciona diretamente com as próprias relações entre EUA e Cuba. Esta permaneceu colonizada pela Espanha até 1898, quando sua independência, juntamente com a das Filipinas, foi expropriada pelos EUA[3]. Este país, na alvorada do seu imperialismo, incursionou pelo Caribe e pelo Pacífico, já em vias de reivindicar uma política de portas abertas da China, nome elegante para “democratizar” o acesso às riquezas daquele grande império em decadência[4]. Por meio da Emenda Platt (1931-34), Cuba foi submetida aos EUA sob a forma de protetorado e, desde então até 1959, ficou em forte dependência econômica e política dos EUA, inclusive com o arrendamento perpétuo, por esse país, da Baía de Guantánamo. Ou seja, em seu texto, o Departamento de Estado não apenas silencia sobre seu forte controle sobre Cuba ao longo do século XX como desqualifica o único período em que este país exerceu efetiva soberania.
Longe da ideia fixa de subverter os EUA, Cuba, três anos depois da revolução, já se envolvia em atividades mais produtivas, especialmente na África, onde, seus soldados participaram das lutas pela independência de Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Namíbia. E Fidel Castro assumiu, em 1979, a presidência do Movimento dos Países Não Alinhados, condição em que pronunciou um célebre discurso na Assembleia-Geral da ONU.
Triunfos da Revolução Cubana
Após 1959, Cuba, implantou medicina gratuita e de boa qualidade; desmercantilizou a utilização de medicamentos; erradicou o analfabetismo e a fome; resolveu problemas básicos de moradia; passou a receber gratuitamente estudantes de diversos países do mundo; adquiriu grande destaque na produção artística; realizou avanços científicos inegáveis, inclusive a produção de duas vacinas contra o Covid 19, fato sem similar na América Latina. E, também neste caso, compartilhou suas conquistas com diversos países.
Após a vitória da revolução, Cuba também promoveu a democratização das atividades esportivas, transformando-se, sob este aspecto, na segunda potência da América, logo atrás dos EUA. Teve grande destaque nas Olimpíadas, onde se destacou na disputa com representantes de países ricos e com populações muito maiores, como a Rússia, os EUA e a China. A seleção feminina de vôlei ganhou medalha de ouro em três Olimpíadas consecutivas: Barcelona, Atlanta e Sydney.
Cuba tem um importante histórico de assistência médica bem-sucedida a povos afetados por pandemias gravíssimas. Em 19/10/2014, o insuspeito The New York Times publicou editorial intitulado O impressionante papel de Cuba no combate ao Ebola, no qual observou que apenas Cuba e algumas ONGs “ofereceram o que é mais necessário: profissionais e médicos de campo”; conclamou o governo Obama a “agir rapidamente para restabelecer as relações diplomática com Cuba” e que “o hospital militar que os EUA construíram em Monróvia, na Libéria, fosse acessível a qualquer doente cubano”; lembrou que, “após o furacão Katrina, o governo cubano se ofereceu para enviar médicos a Nova Orleans”, o que não foi aceito pelo governo estadunidense; repassou a informação de que os esforços de Cuba “são prejudicados pelo embargo imposto pelos EUA à Ilha”, pois dificultavam a aquisição de “equipamento modernos” e manutenção de estoques adequados”. Enfim, diante do relato de que Fidel Castro propôs que os dois países deixassem “suas diferenças de lado para combater um flagelo mortal”, o NYT concluiu que Fidel estava “absolutamente certo”[5].
Longe da ideia fixa de subverter os EUA, Cuba, três anos depois da revolução, já se envolvia em atividades mais produtivas, especialmente na África, onde, seus soldados e voluntários participaram das lutas pela independência de Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Namíbia. E Fidel Castro assumiu, em 1979, a presidência do Movimento dos Países Não Alinhados, condição em que pronunciou um célebre discurso na Assembleia-Geral da ONU, com destaque para a denúncia da disparidade entre extraordinária concentração de riquezas e, por outro lado, imensa pobreza; e fez uma análise da trágica situação do povo palestino que até hoje mantém impressionante atualidade.
O lado de Cuba
Cabe lembrar que, em lutas posteriores para assegurar a independência de Angola, tropas deste país e de Cuba (parte considerável formada de voluntários) enfrentaram vitoriosamente as da África do Sul, o que assegurou a independência da Namíbia, então sob controle da África do Sul, e antecipou a queda do apartheid neste país.
O que, ao longo de três décadas, recorta o campo das posições em relação aos confrontos na África: de um lado, Estados colonialistas da Europa Ocidental apoiados pelos EUA que, aliás, tiveram participação ativa na bárbara eliminação do líder congolês Patrice Lumumba. E Cuba do lado oposto.
O leque de apoio ao apartheid na África do Sul era bem mais amplo e incluía diretamente a Inglaterra e, mais uma vez, os EUA 9.
Todas essas lutas de forte sentido civilizacional foram contra opressões exercidas diretamente por países colonialistas europeus ocidentais ou, no caso da África do Sul, com o apoio deles. E, em todos esses casos, opressões apoiadas pelos EUA 10. Basta mencionar que Nelson Mandela, depois de ganhar o prêmio Nobel da Paz e exercer o cargo de presidente da África do Sul (1994-1999), ou seja, quando se tornou o líder político mais próximo de obter aprovação consensual em todo o planeta, permanecia fichado como terrorista nos EUA, o que o impedia de entrar neste país[6]. I O mesmo Mandela que, após sair da prisão, escolheu Cuba como o primeiro país a visitar fora da África. Destaque-se, enfim, o apoio permanente e intenso que o pais caribenho prestou à luta do povo palestino.
Pergunta básica: quem, nestes embates, estava ao lado humanidade? Quem, hoje, critica, com quais argumentos, a presença de Cuba na África?
A solidariedade a Cuba é fundamental para a defesa da soberania e da democracia na América Latina
Hoje, quais grandes Estados do chamado Ocidente, por mais que ostentem a bandeira da liberdade e da democracia, têm condições de criticar pública e abertamente as realizações de Cuba desde os idos de 1959?? Os que escravizaram povos da África e da Ásia? Até hoje punem o Haiti, inclusive na última Copa do Mundo de Futebol, por sua formidável revolução que produziu questões que suas contemporâneas, a estadunidense e a francesa, se recusam a encarar? O que apoiaram golpes e ditaduras por todo o mundo, inclusive na América Latina? Os que, neste momento, em meio à concentração de riqueza, por um lado, e às dificuldades da vida de seus povos, por outro, nada sinalizam além de, em nome de critérios étnico-raciais, jogar trabalhadores/as contra trabalhadores/as abrindo as comportas do fascismo?
Por que tamanha intolerância em relação à pequena Cuba? Talvez porque com muito pouco ou quase nada, demonstrou como se pode construir um mundo onde todos possam viver com dignidade em qualquer lugar, o que abre esperanças de alternativas a um mundo que, mais uma vez, consegue transformar ondas de inovação tecnológica em instrumentos de barbárie e cria probabilidades de uma tragédia global.
Em pouco tempo, o fulcro discursivo da defesa do imperialismo, abandonou a ideologia da globalização com as teses do fim das classes sociais, do Estado-nação, território e soberania. Agora, com o fracasso da tentativa de reconstituição da hegemonia no novo século, a ênfase gira em torno de um nacionalismo de fortes tendências fascistas. Na disputa por uma nova repartição do mundo, procura-se transformar o continente americano, da Groenlândia à Terra do Fogo – o chamado Hemisfério Ocidental – em reserva de caça, com o auxílio de governos locais, que – dane-se a democracia – se curvem ao America First e se alinhem à campanha para tirar os “latinos” dos EUA e por os chineses pra fora daqui.
Sob este aspecto, a leitura da mensagem que Donald Trump enviou ao Congresso no final de 2025 é elucidativa, inclusive a respeito do texto produzido pelo Departamento de Estado. No capitulo IX deste último, Anti-American Internationale, aparece a citação do Wall Street Journal acerca de “um contrato bilionário” para a instalação, pelos chineses, de uma rede se SINGINT (inteligência de sinais), o que capacitaria à China capacidade para “capitar comunicações eletrônicas em todo o sudeste dos EUA, onde estão localizadas muitas bases militares, e monitorar o tráfego de navios norte-americanos” (p. 91). Além disso, exercícios militares chineses expressam a perspectiva que “a América Latina e o Caribe poderiam ser teatro de futuro conflito com os EUA” (id, ibid.).
Note-se, portanto, como o texto produzido pelo Departamento de Estado se volta para um importante aspecto específico a Doutrina de Estratégia de Segurança Nacional dos EUA endereçada ao Congresso pelo presidente Trump. Aliás, importante pela dimensão simbólica: arruinar Cuba seria um passo importantíssimo da campanha para se colocar o hemisfério sob controle dos EUA. Neste sentido, qualquer crítica ao conteúdo do documento em questão é inócua na ausência de iniciativas práticas que esclareçam o que está efetivamente em jogo: destruir uma bela experiência de construção, com poucos meios e imensos obstáculos, de uma sociedade onde todos possam viver solidariamente.
Na mesma mensagem de Theodore Roosevelt citada na epígrafe, o grande apologista do imperialismo triunfante, ao polemizar com seus concidadãos que defendia a autodeterminação das Filipinas, respondeu taxativamente que as Filipinas não precisavam “de independência alguma, mas sim de boas leis, bons servidores públicos e do desenvolvimento industrial que só pode ocorrer se o investimento de americano e estrangeiro nas ilhas foi favorecido de todas as maneiras legítimas”.
Palavras terríveis que, ao mesmo tempo, pareciam esbanjar objetividade e expressar interesses impossíveis de contrariar. Porém, 45 anos mais tarde, a China fechou as portas que o estadunidense tanto se empenhou em abrir. E mais dez anos se passaram para que Cuba revolucionária conquistasse sua autodeterminação.
É provável que a atual centralidade conferida a James Monroe corra o risco de reforçar uma abordagem trans histórica que confunda expansão imperial de um Estado escravista moderno com o imperialismo, este estágio do capitalismo. E, claro, cabe levar em conta que a História não é a História dos corolários.
Neste sentido, é provável que, em matéria de mensagens presidenciais, as referências para a compreensão dos objetivos da atual política implementada pelos EUA sejam a de Th. Roosevelt e a de D.Trump aqui mencionadas: uma correspondente ao deslanche triunfalista do imperialismo estadunidense; a outra relativa a este momento de profunda crise, não necessariamente terminal, desse estágio da expansão capitalista em escala planetária.
Na contramão da permanente barbárie imperialista, a criativa contribuição de Cuba para para que se construa coletiva e solidariamente um mundo onde tod@s possam viver e se desenvolver tem sido, sob inúmeros aspectos, valiosa.
Solidarizar-se com o povo cubano é defender a civilização.
Referências
Department of State of USA. (2026). Cuba: the Capital of 21st Century Communism
https://www.state.gov/cuba-the-capital-of-21st-century-communism
MONROE, James (1823). Seventh Annual Message. Veja neste link.[#iswm
[# tem no meu texto publicado no GGN
ROOSEVELT, Theodore (1904). Fourth Annual Message to the Senate and House of Representatives. Veja neste link.
[# tem no meu texto publicado no GGN
TRUMP, Donaldo (2025). National Security Strategy of The United States of America.
[#tem no meu texto publicado no GGN]
[1]Outro, Edridge Cleaver, já em meados dos anos 1970, se deslocou para a direita.
[2]Tendência que se manifesta na atribuição de algum tipo de influência cubana nas manifestações contra o assassinato de George Floyd citada logo acima.
[3]Que também se apropriou de Porto Rico e Guam.
[4]Os EUA também amputaram o istmo do Panamá da Colômbia e nele construíram o Canal que, até hoje, é a via preferencial de comunicação marítima entre os dois oceanos.
[5]A matéria do NYT repercutiu em diversos jornais do mundo, inclusive no Brasi.#Itálicos só no NYT.
[6]. Isto só se encerrou por meio de uma votação no Congresso deste país, em 2008.
Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida – Pesquisador em Ciências Sociais
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