“Disparates”, “ataques” e “tentativas de usurpação de funções”: assim descreveu o número 2 da PF, William Marcel Murad, que assumiu o comando da Polícia Federal após o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pelo ministro André Mendonça, do STF.
O número 2 falou que se tratava da “manutenção do sistema democrático” e que a independência da PF era o que garantia “a legalidade e a lisura das investigações e das futuras condenações criminais”.
Murad fez o discurso pela manhã em Brasília, na abertura do 63º Curso de Formação Profissional para agentes da PF. Minutos antes, ele assumia o comando da Polícia Federal, porque o diretor da PF Andrei foi afastado do cargo pelo ministro do Supremo.
“Temos o dever de defender a nossa instituição de ataques e de tentativas de usurpações de funções. O respeito às atribuições de cada instituição no âmbito do sistema de Justiça criminal garante a legalidade e a lisura das investigações e das futuras condenações criminais. Não se trata de interesse meramente institucional ou corporativo. É o interesse público no cumprimento da lei e na manutenção do sistema democrático”, afirmou.
Ele ainda disse ter “total confiança no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues” e que a corporação saberá se defender de qualquer ataque, “venha ele de onde vier”.
Aos mais de 700 agentes que irão se formar para a Polícia Federal, Murad também afirmou que as acusações contra Andrei são “alegações desassociadas da realidade” e “disparates” que tentam “descredibilizar nosso trabalho”.
Além do diretor-geral da PF, o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, também foi afastado por determinação de André Mendonça. O ministro afastou ambos alegando que foi “monitorado ilegalmente” no mês passado pela PF, a pedido do ministro Alexandre de Moraes. Moraes, por sua vez, apontou que Mendonça estaria cometendo abusos de autoridade e direcionando as investigações sobre o Banco Master de acordo com os seus interesses.
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