4 de junho de 2026

Na República do escárnio não há limites, por Guilherme Boulos

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Jornal GGN – A morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, evidenciou que o declínio do Brasil enquanto nação, antes na fase da hipocrisia, agora atinge o nível do escárnio. A opinião é de Guilherme Boulos, em sua coluna de hoje (26) na Folha de S. Paulo.

Boulos argumenta que, quando o escárnio se sobrepõe, as preocupações de decoro desaparecerem, e os “cínicos  ganham autoconfiança e ousam fazer em público aquilo que todos imaginavam, mas não se via”.

Um dos exemplos é Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral que vai julgar Temer, sendo consultado sobre a indicação do novo ministro do Supremo no palácio presidencial.

Leia a coluna completa abaixo:

Da Folha

A vitória do escárnio

por Guilherme Boulos

O declínio de uma nação ou de uma cultura nunca se dá de uma só vez. Tem suas fases. Uma delas é a hipocrisia, quando se naturaliza o “dois pesos, duas medidas”. O hipócrita estabelece um critério aos amigos e outro aos inimigos.

Sinal da vitória da hipocrisia por aqui foi a derrubada de um governo com o argumento do uso de procedimentos fiscais corriqueiros em todos os anteriores e então tolerados. Ou a condenação exemplar de membros de um grupo político, associada à tolerância aos membros de outros grupos, que tiveram precisamente as mesmas práticas.

Para uns, a presunção de inocência, para outros, a de culpa. Mas o hipócrita ainda preserva uma preocupação com aparências de legitimidade. Constrói um discurso para camuflá-lo, sua justificativa perante a opinião pública. Seu predomínio, porém, pode dar lugar a uma fase mais perigosa: a do escárnio.

Quando o escárnio toma conta do ambiente cultural desaparecem as mínimas preocupações de decoro com o que se diz e o que se faz. Os cínicos ganham autoconfiança e ousam fazer em público aquilo que todos imaginavam, mas não se via. Falam abertamente sinceridades antes reservadas aos cochichos de corredor. Rompe-se então as regras do jogo social. A fase do escárnio tem um lado positivo: ela é incrivelmente reveladora. Mas, no geral, expressa a mais completa indiferença dos donos do poder em relação ao que vá pensar a sociedade. Às favas com a opinião pública.

Fiquemos apenas com fatos da última semana. Quando o ministro Eliseu Padilha diz, com o cadáver de Teori Zavascki ainda quente, que a morte vai fazer com que “a gente tenha mais tempo”; quando Gilmar Mendes, presidente do Tribunal que julgará Temer, é consultado sobre a indicação de seu novo par e vai a rega-bofes no palácio presidencial; quando, ainda em relação a Teori, operadores do mercado financeiro comemoram sua morte sem maiores pudores; quando fatos assim passam sem ser notados é porque o escárnio estabeleceu-se na vida pública do país.

Na República do escárnio não há limites. Ante a perda de referência crítica e valorativa, tudo torna-se possível e, ademais, muito natural. Dostoiévski escreveu certa vez que, se Deus não existisse, tudo seria permitido. Falava é claro de um padrão de conduta –no caso, estabelecido pela religião– para delimitar o campo das ações humanas. Sem referência valorativa não há limites. Assim funciona o escárnio.

A hipocrisia antecede o escárnio. Este, por sua vez, funciona como antessala da barbárie. Ou da revolta.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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7 Comentários
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  1. Adroaldo Lima Linhares

    26 de janeiro de 2017 1:50 pm

    Estamos numa ditadura

    Estamos numa ditadura devastadora, implantada com a participação da folha. Mas a folha paga para suas alices mercenárias discutirem em suas bóstas de matérias o sexo dos anjos… hoje o prato do dia dos filhodasputas golpistas é um tal de escárnio.

  2. romulus

    26 de janeiro de 2017 2:54 pm

    Por que o Direito é de direita?

  3. Lucinei

    26 de janeiro de 2017 3:35 pm

    É o triunfo da boçalidade.

    É o triunfo da boçalidade.

  4. Álvaro Noites

    26 de janeiro de 2017 3:38 pm

    Está insuportável.

    Está insuportável.

  5. vitorlara31

    26 de janeiro de 2017 4:44 pm

    Tenho seguido a seguinte

    Tenho seguido a seguinte regra. Sempre que eu vejo um texto do Boulos, aperto control + F e digito golpe. Se nao aparecer a palavra, nem leio o texto. Resumo da ópera, nao leio mais nada desse camarada. Nao quis lutar enxergar, nem denunciar, muito menos lutar contra o golpe. 

  6. Vagalume do Brejo

    26 de janeiro de 2017 9:17 pm

    Como as favas com a opinião

    Como as favas com a opinião publica? Vejo pelo contrario.

    A opinião publica esta do lado deles, por isso podem ser cinicos.

    Colocaria nessa lista de atos barbaros e cinicos a propria prisão do Boulos.

  7. Vagalume do Brejo

    26 de janeiro de 2017 9:57 pm

    Folha de pagamento do otavinho

    Boulos, nos todos precisamos que você saia da falha, é um escárnio você estar na Folha de pagamento do otavinho, é puro cinismo.

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