23 de setembro de 2026

Pezeshkian acusa EUA de terrorismo após relatório apontar possível crime de guerra

Presidente iraniano rebateu Trump e disse que seu país é vítima de terrorismo; relatório indica que ataque a escola pode ser crime de guerra
Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, em discurso durante a Assembleia Geral da ONU. Foto: UN Photo/Loey Felipe

Presidente iraniano Pezeshkian rebateu Trump na ONU, afirmando que Irã é vítima de terrorismo e não fonte dele.
Relatório da ONU aponta que ataques dos EUA em Minab e Lamerd causaram mortes civis e podem ser crimes de guerra.
EUA negam acusações e classificam relatório da ONU como sem credibilidade; investigação americana ainda está em curso.

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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, utilizou seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira (23) para rebater a caracterização de seu país como fonte de terrorismo feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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“O presidente dos Estados Unidos nos descreveu como terroristas. Nós temos sido vítimas de terrorismo”, afirmou Pezeshkian, em discurso de cerca de 18 minutos onde reiterou que os iranianos apenas defenderam seu território diante das agressões e dos ataques contra civis.

Ao mencionar os ataques durante seu discurso, Pezeshkian destacou especialmente a morte de crianças. Ele afirmou que mais de 150 iranianos foram mortos no ataque à escola de Minab, incluindo mais de 120 crianças, e apresentou uma imagem da instituição durante sua fala na Assembleia Geral.

Segundo a Axios, a fala ganhou peso adicional porque ocorreu poucos dias depois da divulgação de um relatório da missão internacional independente de investigação sobre o Irã, vinculada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. O documento concluiu que existem “razoáveis motivos para acreditar” que os Estados Unidos foram responsáveis por dois ataques aéreos no Irã em 28 de fevereiro que configuraram crimes de guerra.

Um dos ataques atingiu a escola primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, no sul do país. Segundo a missão, 157 pessoas morreram, entre elas 123 meninos e meninas. Os investigadores afirmaram ter encontrado razões para acreditar que o ataque americano constituiu o crime de guerra de transformar um objeto civil em alvo de um ataque.

O segundo ataque analisado ocorreu contra um centro esportivo em uma área residencial de Lamerd, na província de Fars. Segundo a missão, 22 pessoas morreram. Os investigadores também encontraram “razoáveis motivos para acreditar” que o ataque constituiu crime de guerra por ter sido indiscriminado e provocado mortes, ferimentos e danos a estruturas civis.

Ao afirmar que “somos vítimas de terrorismo”, o presidente iraniano também respondeu diretamente à narrativa apresentada por Trump sobre o Irã. Pezeshkian afirmou que “aqueles que são terroristas e treinam e protegem terroristas” são justamente os que descrevem os iranianos dessa maneira. “Nosso povo inocente foi alvo de ataques covardes e agressões impostas ao nosso país, e nós nos defendemos com toda a nossa força”, declarou.

Escola de Minab se torna símbolo da guerra

A investigação da ONU vai além da contabilização das vítimas. Segundo os investigadores, a escola era um prédio claramente identificável como instalação civil e não havia evidências de que estivesse sendo utilizada para fins militares no momento do ataque. A missão concluiu que os Estados Unidos não cumpriram a obrigação de fazer tudo que fosse possível para verificar se o prédio constituía um objetivo militar antes do ataque.

O relatório também apontou que informações utilizadas para a identificação do alvo estavam desatualizadas. A missão avaliou que a atuação americana ultrapassou uma situação de simples negligência e caracterizou o comportamento como imprudente diante do risco substancial de atingir um objeto civil.

A conclusão da missão não representa uma sentença judicial contra os Estados Unidos. Trata-se de uma investigação internacional independente realizada sob mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU, cujas conclusões podem contribuir para futuros processos de responsabilização. A missão também informou que tentou obter informações de autoridades americanas, mas não recebeu resposta.

Washington, por sua vez, não reconheceu as conclusões. A Casa Branca classificou o relatório como sem credibilidade e afirmou que as violações de direitos humanos no conflito também foram cometidas pelo governo iraniano. O Pentágono informou que sua própria investigação sobre o ataque permanece em andamento.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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