O deputado federal Ricardo Salles (Novo) já avaliava disputar novos cargos no Executivo paulista antes de abandonar a candidatura ao Senado. Segundo aliados, o parlamentar considerava concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2028 ou ao governo do estado em 2030, dependendo do resultado das eleições deste ano.
A desistência da candidatura ao Senado foi anunciada nesta segunda-feira (28), ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A decisão surpreendeu até mesmo aliados próximos de Salles, que, até o domingo (27), davam como certa a continuidade da candidatura.
A movimentação alimentou especulações sobre um possível acordo político entre Salles e o grupo de Tarcísio. Uma das possibilidades discutidas por aliados é que, em troca da retirada da candidatura ao Senado, Salles tenha recebido sinalizações de apoio para uma futura disputa eleitoral ou possa ser indicado para um cargo na administração estadual.
Desde 2024, quando o PL optou por apoiar a candidatura à reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e deixou Salles fora da disputa pela Prefeitura de São Paulo, o deputado e o prefeito mantêm uma relação de conflito político. Por isso, integrantes do grupo de Salles consideram pouco provável que Nunes apoie sua eventual candidatura à prefeitura em 2028.
Antes de desistir do Senado, Salles já dizia a interlocutores que, caso não fosse eleito, pretendia disputar a Prefeitura de São Paulo em 2028. Nunes estará impedido de buscar um terceiro mandato consecutivo naquele ano.
A outra possibilidade considerada por Salles era uma candidatura ao governo paulista em 2030. Caso fosse eleito senador neste ano, o deputado avaliava que poderia concorrer ao Palácio dos Bandeirantes quatro anos depois, em uma eventual disputa que também poderia envolver Nunes, que já manifestou interesse em concorrer ao cargo.
Possível espaço no governo
Além de uma eventual composição eleitoral, aliados de Tarcísio afirmam que Salles poderia ser contemplado com um cargo em uma próxima gestão estadual. Dentro do Novo, há especulações sobre a possibilidade de o deputado assumir uma secretaria de maior peso, como Segurança Pública ou Infraestrutura, ou de o partido ocupar duas pastas de menor porte.
A articulação, no entanto, não foi apresentada publicamente como condição para a retirada da candidatura ao Senado. As informações sobre eventuais cargos ou apoios futuros são atribuídas a interlocutores dos grupos políticos envolvidos.
A desistência teria sido articulada em poucas horas. Segundo um aliado ouvido pela coluna, Salles recebeu no fim da tarde de domingo um convite de Tarcísio para uma reunião na manhã seguinte. Até então, o deputado demonstrava confiança na manutenção de sua candidatura e buscava entender os movimentos do governador.
Também circulou entre aliados a possibilidade de Salles ocupar um ministério em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador vença a eleição presidencial. Nesse cenário, Salles poderia ser indicado como representante do grupo político de Tarcísio em uma futura composição federal.
O deputado e o governador anunciaram a desistência conjuntamente nesta segunda-feira, encerrando a candidatura de Salles ao Senado e abrindo espaço para novas negociações políticas em torno das eleições de 2028 e 2030.
*Com informações do Metrópoles.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário