Um acervo de mensagens, áudios e comprovantes mantido por Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na chocolateria Bolsotini Chocolates e Café Ltda., expõe bastidores comprometedores do pré-candidato do PL à Presidência. Revelado pelo jornalista Rodrigo Rangel no PlatôBR, o material detalha desde festas privadas custeadas com recursos de origem duvidosa até mimos de luxo e intermediações de interesses privados em Brasília, incluindo tratativas diretas no gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O conjunto de provas foi reunido por Santini após o rompimento da amizade entre os dois, motivado por disputas financeiras decorrentes do encerramento da loja mantida na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A franquia da Kopenhagen havia sido apontada pelo Ministério Público como peça na engrenagem de lavagem de dinheiro das “rachadinhas” da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Durante o período em que esteve em litígio com o parlamentar, o empresário entregou o material a figuras-chave da capital federal.
Provas de farras provocaram crise conjugal
Entre os registros conservados pelo ex-sócio estão imagens, comprovantes e trocas de mensagens por aplicativo que detalham a organização de encontros privados em hotéis de luxo, como o Grand Hyatt, no Rio de Janeiro. Em busca de reaver valores que alegava ter direito, Santini apresentou o acervo diretamente à esposa do senador, a dentista Fernanda Bolsonaro. As conversas mostram o empresário tratando da logística das festas com agenciadoras de programas e referindo-se ao parlamentar sob o codinome de “meu filho”.
O episódio causou um abalo severo na vida conjugal do senador durante a campanha eleitoral de 2022. Tempos depois, em mensagem enviada diretamente ao antigo aliado para pedir que se afastasse de sua esposa, o próprio Flávio Bolsonaro admitiu condutas do passado:
“Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com a minha família. Peço que se afaste definitivamente da Fernanda, não ligue mais, não procure mais, arrume outra dentista.”
Mimos de luxo e caixa informal
Além do desentendimento conjugal, os registros do ex-sócio detalham a circulação de favores e repasses financeiros entre o senador e um grupo restrito de aliados durante o mandato de Jair Bolsonaro. Entre os episódios registrados está o custeio de aparelhos de academia, avaliados em mais de R$ 90 mil, destinados à residência compradapelo senador em Brasília por R$ 5,9 milhões. O pagamento foi efetuado pelo advogado Alan Belaciano.
Os documentos também incluem a compra de um relógio Rolex Submariner Date em ouro branco, adquirido em 10 de fevereiro de 2022 por R$ 305 mil em uma joalheria da capital federal. A nota fiscal do produto foi emitida em nome de Belaciano, mas registros em posse de Santini indicam que o item se destinava ao parlamentar.
Na época da divulgação dos primeiros dados sobre os equipamentos de ginástica, Flávio Bolsonaro afirmou que a aquisição se tratava de um empréstimo pessoal concedido por um amigo de longa data e classificou as acusações de Santini como infundadas, afirmando não ceder a chantagens de ex-aliados.
Recados de operadores e ponte com o STF
O arquivo sob posse do empresário expõe a continuidade de contatos com nomes ligados a investigações anteriores, como Fabrício Queiroz, que pedia socorro financeiro em áudios, e o advogado Frederick Wassef.
Em desabafo por mensagem, Wassef afirmou: “Ao invez (sic) de me ouvirem, só ouviam os traidores, inimigos, e os incompetentes. Estou sofrendo e muito triste com tudo isto (…) Graças ao HC de minha exclusiva autoria no STF, de número 201965, que anulou todos os rifs e atos do COAF, matando e esvaziando todo o processo e investigação.“
A disputa financeira atingiu seu ponto mais sensível no final de 2023. Em 28 de setembro daquele ano, Santini formalizou uma notificação extrajudicial cobrando R$ 1,4 milhão de Flávio Bolsonaro. No documento, afirmou que o senador havia aportado R$ 200 mil em dinheiro vivo na abertura da chocolateria.
Diante do silêncio do senador, o ex-sócio acionou o ponto mais sensível do acervo: enviou uma mensagem citando tratativas diretas efetuadas por Flávio Bolsonaro no gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, para atender aos interesses de um cliente representado por Belaciano. A menção ao caso levou o senador a agendar uma reunião presencial em seu gabinete em Brasília.
Logo após a reunião presencial, Santini informou a interlocutores que as pendências com o senador haviam sido solucionadas, o que pôs fim à disputa. Atualmente, o ex-sócio faz campanha para a candidatura de Flávio ao Planalto, mas os documentos distribuídos no auge do impasse vieram à tona.
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