O risco de que o presidente norte-americano Donald Trump adote medidas ainda mais agressivas diante do enfraquecimento político de seu governo é cada vez maior, principalmente diante da perspectiva de derrota republicana nas eleições legislativas de meio de mandato.
O alerta é do economista Paul Krugman. Em artigo publicado em seu Substack, o vencedor do Nobel de Economia argumenta que a votação de novembro pode levar o presidente dos Estados Unidos a assumir riscos que, em condições normais, tentaria evitar.
Uma das grandes preocupações envolve a possibilidade de novos ataques militares ao Irã: as Forças Armadas norte-americanas elaboraram novos planos de ataque contra instalações nucleares e estruturas de energia iranianas. As opções incluiriam o uso de uma bomba de grande poder destrutivo, caso Trump autorize a retomada das operações militares.
Embora o presidente tenha afirmado que não pretende ordenar novos ataques antes das eleições de meio de mandato, Krugman considera que essa promessa não elimina o risco de uma escalada. O economista recorre à análise do cientista político Robert Pape, segundo a qual a deterioração da posição política de Trump pode alterar seus cálculos.
Derrota eleitoral pode mudar o comportamento de Trump
As eleições legislativas de novembro definirão a composição da Câmara dos Representantes e de parte do Senado norte-americano. Uma vitória democrata pode dar à oposição o controle do Congresso e ampliar sua capacidade de investigar o governo.
Krugman sustenta que esse cenário representa um risco particular para Trump devido às denúncias de corrupção e irregularidades que, segundo o economista, marcaram os dois primeiros anos do atual mandato. Com maioria no Congresso, os democratas poderiam ampliar investigações, convocar autoridades e exigir documentos por meio de instrumentos legais de fiscalização.
Nesse contexto, o presidente teria incentivos para tentar alterar o ambiente político antes da votação, mesmo que as medidas adotadas fossem arriscadas.
Para explicar esse comportamento, Krugman recorre a uma comparação com empresas próximas da falência: quando seus proprietários acreditam que podem perder o negócio, podem apostar em operações altamente arriscadas na tentativa de reverter a situação. Se a aposta der certo, conseguem sobreviver; se fracassar, parte dos prejuízos recai sobre os credores.
Na avaliação do economista, uma lógica semelhante pode influenciar um governante que acredita ter pouco a perder politicamente. Uma ação militar contra o Irã poderia ampliar a rejeição ao governo, mas também poderia mobilizar parte da base republicana e modificar o cenário eleitoral.
A preocupação de Krugman vai além da possibilidade de uma nova ofensiva militar antes da votação. Para ele, uma derrota republicana pode reduzir ainda mais os incentivos de Trump para moderar suas decisões, sobretudo se o presidente concluir que não tem mais condições de preservar sua posição política.
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