Por um voto de resistência ativa e uma vida não bolsonarista
por Ronaldo Queiroz de Morais
A democracia popular ultrapassa o voto na urna; a luta dos movimentos sociais e de cada trabalhador é constante e transcende o “Dia D” das democracias contemporâneas. Assim, o voto de resistência registra a condição do “ser oprimido” em face dos desejos de lucro do mercado – ou melhor, da avidez dos mercadores da dignidade humana e ambiental.
O voto popular é, também, compromisso de resistência política. Digo, de defesa popular, de uso da imaginação ativa e das forças criativas para salvaguardar, em tempos de guerra e de progressão fascista, o melhor da civilização moderna. Isto é, promessas não cumpridas, mas devidamente postas no nosso horizonte de luta política: liberdade, igualdade e fraternidade. A abrupta eliminação das promessas modernas nos empurra na direção do niilismo fascista de destruição da vida.
Durante a Segunda Guerra Mundial, aviões de combate despejaram centenas de milhares de panfletos de contrainformação antes dos ataques militares, com o objetivo de contaminar a opinião pública do território inimigo. Hoje, o ataque ocorre no ecossistema informacional, impulsionado pelo poder militar-empresarial das Big Techs norte-americanas. São milhões de postagens disparadas por mecanismos de engajamento, com visões ajustadas por algoritmos para atingir individualmente cada eleitor. São tempos de hiperguerra, ou seja, de uma guerra sem espaço limitado de ação e com o uso de armas não convencionais de destruição.
Há uma “pulsão de morte” no bolsonarismo – fascismo dos trópicos – que aparentemente demonstra regressão à violência dos “Anos de Chumbo” de 1964, porém é ainda pior. O bolsonarismo nos arrasta para um futuro de barbárie pós-colonial, de esgotamento completo da autonomia nacional e de violência política total contra democratas brasileiros, professores, cientistas, artistas e, sobretudo, contra minorias de toda ordem e a massa empobrecida do país. O bolsonarismo desdobra um futuro sombrio do qual somos inimigos.
Infelizmente, “o medo é a moda desta triste temporada”. O clima é cinza. Ele exige a luta por uma vida não bolsonarista. É o voto de resistência ativa, de autonomia do Brasil frente à ameaça da Nação-império de Trump, de luta de libertação dos corpos oprimidos, de políticas públicas para a existência de uma “sociedade do descanso” para os trabalhadores e de arte e conhecimento para cada cidadão brasileiro.
Uma vida não bolsonarista é um voto de resistência política. Ato de defesa popular, quando a esperança parece evaporar sob o ataque de bombas virais de contrainformação, que desfazem a consciência política acionando o fenômeno pânico sobre a sociedade civil. O bolsonarismo é o fascismo que deforma a informação pública e destrói os laços básicos de afeto alegre, fundamentais, entre amigos e adversários políticos. Ele dissolve a própria identidade essencial, quebrando o espelho que nos identifica corretamente com a nação, o gênero, a raça e a classe social a fim de forçar-nos a desejar o que nos domina, nos explora e nos destrói.
Portanto, a resistência ativa e uma vida não bolsonarista não são uma mera escolha eleitoral. São pautas de luta da Primavera Popular, da estação das flores e das múltiplas cores. Não desejamos o céu cor de estanho e um país submisso, frio e autoritário. Somos brasileiros e desejamos uma pátria livre da opressão imperialista e de plena igualdade identitária e socioeconômica. Por isso, somos todos 13, somos todos Lula e lutamos, cotidianamente, por uma pátria solidária nas diferenças.
Ronaldo Queiroz de Morais – Doutor em História Social na Universidade de São Paulo – USP.
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