14 de outubro de 2026

Krugman: bilionários ameaçam democracia com poder político

Economista aponta concentração de riqueza e influência eleitoral de super-ricos como fatores de risco para as instituições democráticas
Crédito: Taylor Hill/ Getty Images

Paul Krugman alerta que a concentração de riqueza dos super-ricos amplia sua influência política e ameaça a democracia.
Dados mostram que o 1% mais rico dos EUA detém 38,3% da riqueza, com destaque para os 0,01% mais ricos.
Elon Musk exemplifica o poder político dos bilionários, usando sua rede social para influenciar eleições e debates.

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A concentração de riqueza nas mãos de um grupo reduzido de super-ricos amplia sua influência política e representa um risco para a democracia.

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O alerta é do economista Paul Krugman, que, em artigo publicado em seu Substack, usa o empresário Elon Musk como exemplo de como grandes fortunas podem ser convertidas em poder eleitoral e controle sobre o debate público.

Para Krugman, embora os milionários também tenham papel relevante na economia, a concentração crescente de patrimônio e influência política não pode ser compreendida sem considerar o peso desproporcional dos bilionários.

O economista cita dados do projeto Realtime Inequality segundo os quais a parcela da riqueza dos Estados Unidos concentrada no 1% mais rico da população passou de 23,2% em 1979 para 38,3% atualmente. De acordo com sua análise, grande parte desse avanço ocorreu no grupo situado no topo da distribuição de renda e patrimônio, especialmente entre os 0,01% mais ricos.

O debate ganhou força com o livro The Everywhere Millionaire, de Owen Zidar e Eric Zwick, que chama atenção para os milhões de norte-americanos com patrimônio elevado, incluindo empresários de pequenos negócios. Krugman reconhece a importância desse grupo, mas argumenta que a discussão não deve minimizar a influência particular dos super-ricos.

Dinheiro, eleições e plataformas digitais

A influência dos bilionários vai além de sua participação na riqueza nacional, segundo o economista. Krugman cita levantamento do New York Times segundo o qual 300 bilionários responderam por 19% das contribuições financeiras declaradas para campanhas eleitorais federais nos Estados Unidos em 2024.

O artigo também destaca a atuação de Musk, dono da rede social X, antigo Twitter. Para Krugman, a aquisição da plataforma permitiu ao empresário ampliar sua capacidade de influenciar o debate político, inclusive por meio da promoção de conteúdos da direita radical.

O economista menciona ainda reportagens sobre novos gastos de Musk para apoiar os republicanos nas eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro de 2026. Também cita a divulgação, pelo empresário, de acusações contra James Talarico, candidato democrata ao Senado pelo Texas, que foram rapidamente contestadas.

A avaliação de Krugman é que a combinação entre grandes recursos financeiros, influência sobre plataformas digitais e apoio a candidaturas cria condições para que um pequeno grupo de indivíduos exerça poder político muito superior à sua participação na riqueza total do país.

Concentração de riqueza e democracia

Para o economista, o problema não se resume à existência de pessoas muito ricas, mas à capacidade de uma pequena elite econômica de influenciar decisões políticas, campanhas eleitorais e a circulação de informações.

Krugman defende que medidas capazes de reduzir a concentração extrema de riqueza são fundamentais para limitar esse poder. Em sua análise, uma sociedade que permite a consolidação de uma classe de super-ricos com influência política desproporcional corre o risco de transformar a concentração econômica em concentração de poder.

De acordo com o articulista, o debate sobre desigualdade precisa considerar não apenas a distribuição do patrimônio, mas também os efeitos da riqueza extrema sobre as instituições e o funcionamento da democracia.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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