21 de maio de 2026

Juiz despeja acampamento Quilombo Campo Grande, com 20 anos de produção

Com decisão, serão destruídos 1.200 hectares de lavoura de milho, feijão, mandioca e abóbora, 40 hectares de horta agroecológica, 520 hectares de café

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Do MST

Após 20 anos de produção, juiz manda despejar famílias do acampamento Quilombo Campo Grande

Durante audiência realizada na tarde desta quarta-feira (7), o Juiz Walter Zwicker Esbaille Junior mandou despejar as 450 famílias moradoras da usina falida de Ariadnópolis, em Campo do Meio-MG. Ele deu o prazo de sete dias para desfazer a ocupação.

Com essa decisão serão destruídos 1.200 hectares de lavoura de milho, feijão, mandioca e abóbora, 40 hectares de horta agroecológica, 520 hectares de café. Além disso, centenas de casas, currais e quilômetros de cerca serão derrubados. Essa ordem destruirá tudo o que as pessoas construíram em duas décadas de trabalho.

De acordo com os advogados de defesa das famílias, a decisão é arbitrária e fere princípios constitucionais ao não reconhecer valores de dignidade humana. A audiência aconteceu de maneira atípica. Houve restrição para a entrada da representação das famílias acampadas e impedimento de autoridades que se deslocaram para acompanhar a audiência.

Durante a condução do rito, o juiz solicitou a presença da tropa de choque dentro da sala. Os representantes do latifúndio, junto com a prefeitura local, propuseram alojar as famílias em um ginásio. Por fim, o Juiz sequer leu a sentença, apenas informou rapidamente a decisão.

O MST está recorrendo, diante da decisão arbitrária e injusta. As famílias reafirmam a disposição de seguir a luta e resistir a mais essa investida da velha usina.

É sabido que a veia fascista do projeto eleito ao governo do Brasil vai intensificar o uso de toda máquina do estado para criminalizar e segregar o povo Sem Terra. Assim como o fará nas comunidades urbanas. Mas o povo brasileiro é corajoso e forte. O Movimento enfrentou a ditadura militar desde o nascimento. É com essa história e com essa coragem que as famílias do Quilombo Campo Grande irão resistir e permanecer nas terras de Ariadnópolis. Não vai ser uma liminar de despejo que apagará tantos anos de luta.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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7 Comentários
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  1. celso silva

    8 de novembro de 2018 10:10 pm

    Alguém já disse: temos um

    Alguém já disse: temos um grande passado pela frente. Eis o sinal disso na matéria do post acima.

  2. Henrique Finco

    8 de novembro de 2018 11:23 pm

    O juizeco fazendo escola

    O juizeco (nas palavras de Requião) das camisas negras está fazendo escola…. A este moço, que está juiz e em cima de seu gordo salário com auxílios moradia, etc, pouco custa despejar estas famílias… Pela descrição dos fatos, não passa de um ***** que, é plausível, talvez tenha **** **** dos “fazendeirinhos” locais…. 

  3. Doney

    9 de novembro de 2018 12:38 am

    Na mesma semana em que o

    Na mesma semana em que o judiciário recebe aumento de seus já nababescos salários…

  4. Jus Ad Rem

    9 de novembro de 2018 2:02 am

    #

  5. Jus Ad Rem

    9 de novembro de 2018 2:14 am

    #

    Apertam o cinto do povo e afrouxam os deles…

    A maioria do Senado que está em listas de empreiteiras e recebeu propina foi a mesma maioria que aprovou o aumento. Um agrado para ser lembrado mais adiante, quando forem julgá-los.

     

  6. Mauricio Mori

    10 de novembro de 2018 4:12 pm

    Quilombo???
    Onde esta o reconhecimento de Comunidade Quilombola? Ou trata-se de atea invadida somente?

    1. Mariana Brasil

      12 de novembro de 2018 9:17 am

      Mauricio, num google rápido a

      Mauricio, num google rápido a gente encontra boas informações a respeito do Quilombo, este aqui do wikipedia resume bem, mas se tiver interesse tem outros. Bj

      https://pt.wikipedia.org/wiki/Quilombo_do_Campo_Grande

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