3 de junho de 2026

Sinistro(s) à Direita, por Jean Pierre Chauvin

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Sinistro(s) à Direita, por Jean Pierre Chauvin

Desde que a República dos Bananas passou a (infra)viver sob o regime exclusivo e excludente do golpe, tornou-se difícil fugir ao resfriado, à enxaqueca, à gripe que derruba. Os entendidos dirão que se trata de doenças de natureza psicossomática. O corpo sofre, a mente padece, o cidadão peleja, dia após dia, contra a falta de seguridade social (que já era rala), os arbítrios em nome da “lei para todos”, sem contar aqueles canais, jornais e revistas tendenciosos etc.

Outro sintoma quase doentio está no discurso dos colegas com que convivemos. Uns a dizer que o mundo atravessa uma onda neoconservadora; outros, que internalizam o lugar-comum de que estudar ciências humanas seria coisa sem serventia (nem falta o nome de Arena a certos espaços ditos universitários); os terceiros a apascentar a pasmaceira geral, sob a alegação de que “política é coisa de gente ociosa”, intelectuais da USP. O supra-sumo reside nas “conclusões” tomadas de empréstimo, a subentender que “o mundo pragmático” não reservaria espaço, tempo e clima para reflexões detidas e doses de humanitarismo.

Salvo engano, metade da população que (sobre)vive em cima deste território (espécie de Panamá em maior escala) responde a esse estado de coisas com ansiedade, melancolia e depressão. Não será gratuito o fato de os alunos (e professores e funcionários) adoecerem no Campus verdejante, a serviço dos bancos. A universidade, será oportuno relembrar, deveria ser o lugar reservado à discussão, ao debate. Deveria ser reduto da cultura, da ciência, da tecnologia, do cálculo, da história, da política, do consenso que agrega; do dissenso que permite rever convicções.

Ao professor, está vetado “misturar” política com ensino, supondo-se que haja alguém que ainda acredite no discurso neutro e desinteressado de todas as outras categorias profissionais. Ora, quando um juiz acusa, prende, queima e monta um calendário muy particular, ninguém tem o desplante de lhe recriminar pelo que não deveria ter feito ou dito. Dentre as torpezas da necolônia, parece vingar com maior força a ideia perversa de que “dinheiro é poder” (o resto, convenhamos, pouco importa).

Isso talvez explicasse porque um professor, cuja carreira é sistematicamente precarizada desde a década de 1970, não tem o direito de expressar o que pensa e sente; enquanto aos togados, tudo (e mais um pouco) é permitido. Eles são os novos inquisidores. Uma delação, hoje, equivale à murmuração que levava súditos do rei à fogueira, enquanto vigoraram as Leis do Tribunal do Santo Ofício.

Os movimentos, além de orquestrados, chegam às enxurradas. Se questionarmos, estaremos a fazer “mimimi”; se silenciarmos, suporão que nos derrotaram. Não está fácil defender democracia no Brasil de Temer. Curiosamente, jornais que fomentaram a polarização político-partidária agora se dizem isentos. Nunca terão agido contra os interesses de seus leitores (melhor dizendo, de seus anunciantes).

A intenção desta “elite” financeira e legalista será desnortear o internauta e rifar o país de vez aos Estados Unidos da América? Parece que sim. Que eles procedam desta forma, talvez se possa dizer que isso acontece porque nunca foram capazes de perceber o que faz deste país o que ele é e as pessoas que o constituem. Duro mesmo é essa “convicção” (palavra do momento), que não nasceu no espírito ou na mente do “cidadão de bem”; mas foi construída pela tevê, em nome do “mercado”, da “ordem” e da extirpação de um único partido (que nunca fez governo efetivamente “de esquerda”, malgrado a cor vermelha e o significado literal de sua legenda).

Desconfie das estatísticas. Elas são ingredientes que visam a demotivar o eleitor  e angariar votos do batalhão de “indecisos”. Dividir para conquistar continua sendo o lema preferido da elite conservadora, dos mineradores, de (nem todos) fardados e (quase todos) homens de toga – espécies canhestras de Batman do avesso.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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3 Comentários
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  1. Marcos Videira

    3 de outubro de 2018 1:14 pm

    Será que as estatísticas que

    Será que as estatísticas que apontam crescimento do fascista é apenas manipulação ? Pode ser que sim, pode ser que não. Eu acredito que não. E compartilho o meu entendimento para o surpreendente crescimento do fascista:

    No sábado, multidões fizeram a manifestação #EleNão.
    Eleitores associaram o movimento ao voto no PT (o outro polo, como falsa única opção)
    Para impedir a volta do PT, decidiram votar no fascista.
    O ódio antipetista alimenta o fascismo.
    O PT deveria ter humildade (não tem) e compreender que somente uma terceira via derrotará o fascismo.

     

    1. André-Kees Schouten

      3 de outubro de 2018 3:14 pm

      Qual terceira via?

      Aquele que disse que ele não deixaria o Temer dar o golpe na Dilma?

      Aquele que sequestraria o Lula e o levaria para uma embaixada para não ser preso pelo Moro?

      Aquele que não é machista, mas para quem a principal função de sua mulher é dormir com ele?

      Aquele que faz estardalhaço com o apoio ao PT de Renan e Eunício (que apoia seu irmão no Ceará, e que segue de braços dados com o PT), mas pede votos para o amigo Agripino Maia no RN?

      Aquele que diz ser democrata e defensor do Estado de Direito, mas diz que liberdade de imprensa tem limites?

      Aquele que diz querer combater o fascismo, mas reproduz todo o discurso de ódio plantado pela grande mídia contra o PT, talequale o fascista-mor?

      Aquele que, não querendo compor a chapa como vice do Lula, que o teria levado naturalmente a ser o cabeça de chapa, agora impede a formação de uma frente democrática, mas acusa o PT de fazer manobras sujas?

      Aquele que não consegue ultrapassar sua marca histórica de 11%, variando na margem de erro, em eleições presidenciais?

      Humildade? Então partido político tem que ser agora irmandade religiosa? 

      Ôôô, Videira, vira o disco, meu irmão! 

  2. Arnaldo Costa

    3 de outubro de 2018 1:14 pm

    O Brasil acabou!

    A questão é que temos uma elite mesquinha, egoísta, esnobe, que adora ostentar, subdesenvolvida, e ainda por cima, preconceituosa. Já a nossa classe média são os Home Simpsons do JN, altamente manipuláveis, mal informados e limitados. Um povo que dizia ser cordial, gentil, alegre, hospitaleiro, agora se mostra fascista, intolerante e violento. Pelo complexo de vira-latas, gostam é de “puxar o saco” de estrangeiros. Não querem ser Europa, preferem se passar pelos “la cucarachas”, desviando das sandálias de borracha. Boçalnaro é o idiota que os representa: obtuso, preconceituoso, misógino, homofóbico, racista, falso moralista e sem nenhum projeto econômico ou de governo. Apenas promete, de forma contundente, acabar, massacrar os pobres e as minorias, aumentando a desigualdade social. Tudo que a outra parte quer. Não representa apenas o retrocesso, é a personalização do atraso, a bala de canhão que veio afundar o país e firmá-lo de vez como a “republiqueta oligárquica de bananas”, ou como os “economistas” querem, o cassino da jogatina, do dinheiro fácil, dos mercenários e especuladores financeiros.    Caminhamos para sermos mais um Panamá. E “o país de todos” volta a ser “um país para poucos”.

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