Foto: Ricardo Stuckert

Jornal GGN – Se não tivesse sido barrado, Lula venceria esta eleição presidencial com “um pé nas costas”, diz Bernardo Mello Franco, no jornal O Globo desta quata (12). Mas seu principal ativo, o PT tem grandes chances de crescer com Fernando Haddad, avaliou o colunista.
Franco anotou que, ao contrário de Lula, Haddad é um “velocista de primeira viagem” e fará uma campanha parecida com uma “corrida de tiro curto”. “A partir de hoje, ele terá apenas 25 dias para se apresentar ao eleitor. Sua vantagem está nas sapatilhas. Elas têm o retrato de Lula, o Usain Bolt das últimas eleições brasileiras.”
Como indicado de Lula, Haddad levou a Prefeitura de São Paulo em 2012, mas perdeu em 2016 para João Doria. Ele culpa a crise do impeachment e outros fatores externos, mas “sua gestão era considerada ruim ou péssima por 48% dos paulistanos”, lembrou Franco.
Ainda assim, as pesquisas indicam que o cenário é favorável para Haddad. “Na segunda-feira, seis em cada dez eleitores ainda não sabiam identificá-lo como o escolhido de Lula. A pesquisa mostrou que 33% estão dispostos a votar ‘com certeza’ em quem o ex-presidente indicar.”
Ontem, Haddad foi lançado oficialmente como substituto de Lula, por conta da impugnação imposta pela Justiça Eleitoral. Em carta à militância e eleitores, o ex-presidente disse que estará junto de Haddad no governo.
“(…) os rivais começaram a criticá-lo [Haddad] por receber ordens de um detento. É uma estratégia arriscada. Tudo o que o PT quer é convencer o eleitor de Lula que ele voltará a governar, mesmo que seja de dentro de uma cela”, observou.
Cris Kelvin
12 de setembro de 2018 5:59 pmSim, Lula venceria com um pé nas costas
A leitura de Mello Franc é pertinente, não apenas pelo que disseram as últimas pesquisas, mas pelo capital político que Lula representa.
Já estava claro que a capacidade de transferência de votos a Haddad fica em torno de 30%. E isso é ratificado por dados históricos. Se analisarmos o percentual de crescimento de Lula e PT desde a democratização, veremos que cresceu antes de sua eleição e sua aceitação se ampliou, chegando a mais de 80% de aprovação, quando da conclusão de seu mandato, embora relativamente tenha diminuído com a armação do Mensalão em 2012, instrumentalização e reversão das manifestações de 2013, ter resistido, mas eleito Dilma em 2014, sofrido indiretamente com o impeachment e a a campanha midiática, e preso em 2018.
Caiu a ficha à percepção do público de que a Lava Jato não é o que parecia, mas se presta a julgar, conforme interesses políticos. E sobre isso, pra que estender, há extensa bibliografia. Tanto que Lula, nas últimas pesquisas, chega a 40% dos votos no primeiro turno. Se como Marcos Coimbra disse, Lula transfere ao menos 50% desse montante, e o restante fica dividido, digo, entre o eleitorado à esquerda, historicamente consolidado, ao menos, na faixa dos 45%, ao menos Haddad herdará a metade desse valor, ficando à frente no primeiro turn, com 30%, conforme as pesquisas de transferência de votos. Parte-se desse valor por entender que, ao longo do tempo, a esquerda tem consolidado 1/3 do eleitorado, assim como a direita, enquanto os demais oscilam de um lado a outro, na razão de 30 a 60%.
Levando-se em conta a força que Lula mantém, ainda encarcerado, o seu legado, o momento atual que o país vive, com a justiça seletiva escancarada, e alguns bodes-expiatórios, como Beto Richa, usados para dizer que a Lava Jato e a Justiça são imparciais, e apesar do ataque a Bolsonaro, que pouco subiu nas pesquisas e tem a maior rejeição, não é demais dizer que as chances de Haddad não são pequenas. O candidato Ciro iria para o segundo turno se o eleitorado à esquerda se dividisse a seu favor, o que é improvável. embora este possa agregar votos de centro.
Neste cenário, levanto a hipótese de alguma surpresa possa ocorrer, ainda no primeiro turno. Com a direita esfacelada, o máximo que Bolsonaro consiguirá – a menos que o voto útil de direita valha para o primeiro turno – é manter seu percentual, na casa dos 23% a 25%, ou desidratar, descer aos 20% ou menos, com um crescimento insuficiente a Alckmin, e alguma migração para Ciro, de Marina e entre aqueles que não querem ficar com um candidarto (sem chances de votos) e o outro ( fascista).
A evolução dos dados abaixo podem significa alguma coisa. Mas cessecitamos de outros, da análise de especialistas que possam entender em perspectiva histórica, contextual e atual, o que é possível acontecer.
1989
primeiro turno
COLLOR – 30,47% X LULA – 17,18%
segundo turno
COLLOR – 53,03% LULA – 46,97%
1994
FHC – 54,34% X LULA – 27,07%
1998
FHC – 53,06 X LULA – 31,71%
2002
primeiro turno
SERRA – 23,19% X LULA – 46,44%
segundo turno
SERRA – 38,72 X LULA – 61,27
2006
primeiro turno
ALCKMIN – 41,64 X LULA – 48,61%
segundo turno
ALCKMIN – 39,17% X LULA 60, 83%
2010
primeiro turno
SERRA – 32,61 X DILMA 46,91%
segundo turno
SERRA – 43,7 X DILMA 55,5%
2014
primeiro turno
AÉCIO – 33,51 X DILMA 41,59%
segundo turno
AÉCIO – 48,36 X DILMA 51,64%
RMatias
12 de setembro de 2018 9:32 pmPesquisa
Não conheço profundamente as metodologias de pesquisas eleitorais, mas gostaria de uma pesquisa que perguntasse o seguinte: Para presidente, qual o número você digitará na urna? Penso que a transferência dos votos para Haddad seria automática. O nome ninguém sabe, mas o número.
Ou ainda, verificar quantas pessoas dizem que vão votar no Lula e o entrevistador diz: Ele não é candidatado.