14 de junho de 2026

Começando a contabilizar as perdas do Museu Nacional

Fogo destruiu, na noite deste domingo, maior parte do acervo de mais de 20 milhões de itens que remontam idade da pedra no Brasil 
 
Dinoprata
Dinoprata, com 30 metros é o maior dinossauro encontrado no Brasil e estava no acervo do Museu Nacional. Reprodução Facebook
 
Jornal GGN – Ainda não é possível calcular a perda que o incêndio da noite deste domingo,  2 de setembro, causou no Palácio de São Cristóvão, onde fica o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, fundado em junho de 1818, mas pela proporção, o cálculo é que perdemos a maior parte do acervo de mais de 20 milhões de itens, reunidos no prédio de 215 anos.
 
Até agora não se sabe a origem do incêndio, mas a maior suspeita é falta de manutenção do prédio onde morou a família imperial brasileira e Dom Pedro I, antes que Dom João VI fundasse ali o então Museu Real, com o objetivo de estimular o conhecimento científico no país. 
 
Atualmente, o Museu Nacional era administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que, por isso, deveria receber um repasse anual de 550 mil reais. A título de comparação, valor menor do que é gasto anualmente com um juiz do Supremo Tribunal Federal. Entretanto, pelo menos nos últimos três anos, era depositado na conta da instituição 60% do valor. Só em arqueologia, o Museu mantinha uma coleção de mais de 100 mil objetos, 700 deles da arqueologia egípcia – até ontem, a maior da América Latina -, além do acervo de arqueologia brasileira com cerca de 90 mil itens incluindo cultura indígena Marajoara, Santarém e Tupi-Guarani. O local também abrigava peças de etnologia africana e afro-brasileira. A história de um país, incluindo sua ancestralidade, tornando-se cinzas. 
 
Segundo matéria da revista Fapesp, Edição 267, de maio, o Museu Nacional já vinha apresentando desafios para resgatar seu protagonismo na geração e disseminação de conhecimento em ciências naturais do país, apontando problemas de deterioração, infiltração das paredes, janelas com vidros quebrados e móveis com cupins. 
 
Por falar em cupins, foi por causa dessa praga que o esqueleto do primeiro dinossauro de grande porte encontrado no Brasil, montado em 2006 em uma exposição que deveria ser permanente e levou um milhão de pessoas para dentro do Museu, nas semanas de inauguração, foi desmontado e guardado em caixas desde 2017. A estrutura que o sustentava, estava sendo deteriorada pelos insetos. 
 
Com o objetivo de reabrir a sala do Maxakalisaurus, também chamado de Dinoprata, a UFRJ chegou a fazer uma campanha de financiamento coletivo incluindo, como meta, a interatividade de um voo de pterossauro. 
 

Redação

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9 Comentários
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  1. evandro condé de lima

    3 de setembro de 2018 1:21 pm

    Mera curiosidade

    Podemos ver quanto custa anualmente um deputado estadual ( ele apenas). Eu pensei em juiz, mas fiquei com receio de falarem que estou sendo implicante.

    1. Jackson da Viola

      3 de setembro de 2018 2:13 pm

      Tranquilo……..

      Pode ser implicante sem  problemas……até ajudo……….

      Na melhor do melhor(2013), o orçamento do Museu nacional era menor que o salario anual de um juiz “meia boca”……..no orçamento 2018, até abril, 4 meses, não da 1 mes de salario de um juizinho com um mais pouco mais de”pedigree”…..

  2. Marco Antônio Lins Garcia

    3 de setembro de 2018 2:06 pm

    Resultado de olhar o Estado

    Resultado de olhar o Estado como empresa que deve dar lucro, onde as contas devem estar em ordem, com se o gestor fosse um contador medíocre (não um bom profissional). Quantos terão que morrer pela falta de acesso a saúde? Como ficará a pesquisa neste paíz? E a educação? Desde quando investimentos sociais sociais não tem importância. O ser humano não é um simples número que não pode ser levado em consideração. A economia é ciência das humanidades, não é exata e visa auxiliar na construção do bem estar para todos. É preciso lembra a estes imbecis que destruir o patromônio do país é um tiro no pé, é acabar com o futuro.  

  3. Lâmpada

    3 de setembro de 2018 2:10 pm

    Reflexões sobre a tragédia muito anunciada

    Há décadas nossa nação está sendo desconstruída, em muitas frentes, em favor de pagar juros, garantir lucros brutais para uma minoria e fornecer commodities ao mundo. Essas tragédias anunciadas são apenas um dos efeitos colaterais. 

    p.p1 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px ‘Helvetica Neue’; color: #454545}

    Outros prédios e acervos também estão em risco: Biblioteca Nacional, Museu do Ipiranga, igrejas históricas, etc. Apenas dinheiro não basta, é preciso seu uso racional. Perguntas: a configuração adotada no museu sinistrado – e em muitos outros -, era tecnicamente adequada? O prédio histórico deveria abrigar tantas atividades e acervos? Teria sido melhor construir um moderno – e seguro – edifício anexo (afastado do casarão mas a ele conectado); para a exposição da maior parte do acervo e para laboratórios, salas de aula, reserva técnica, administração, etc.; reservando o prédio histórico apenas para a visitação de sua arquitetura e uma pequena parte do acervo?  

  4. ze sergio

    3 de setembro de 2018 2:30 pm

    1930. UM PROJETO DITADOR FASCISTA DE SUCESSO

    Esta tragédia é resultado de Política de Austeridade ou Política ainda maior, sendo a menor que existe? Como, depois de 40 anos redemocráticos, descobrimos que os párias que acreditávamos serem os Gigantes que levariam o Brasil à sua condição natural, não passam destes ratos que destruiram esta Nação depois da Anistia de 1979. O incêndio que destrói a História e a Nação Brasileira no Museu Nacional, não é a mesma Política que destruiu o Museu da Lingua Portuguesa? Que destruiu o Memorial da América Latina? Que destruiu o Liceu de Artes e Ofício? Que está fechando por duas décadas o Museu do Ipiranga? Ou será que é tudo coincidência? Afinal estamos na Pátria da Coincidência e da Inocência, não é mesmo?  

  5. André Oliveira

    3 de setembro de 2018 2:32 pm

    A Fundação Roberto Marinho
    A Fundação Roberto Marinho recebe muito mais dinheiro público do que essa verba do Museu Nacional. É uma vergonha

  6. Mr.Rambouz

    3 de setembro de 2018 2:57 pm

    Neoliberalismo destruidor

    O capital produz coisas,  mas na sanha de subordinar tudo ao lucro destroi o que está pelo caminho: destroi civilizações, culturas, vidas e a natureza. O Neoliberalismo é o império despurado e ilimitado do capital, coloca em risco a sobrevivencia da humanidade e do que ainda há de humanos em nós. A única possibilidade é romper totalmente com a lógica insana que queima qualquer coisa – direitos, prédios, a história, a natureza, pessoas – em nome do lucro. Não se pode fazer mais nenhuma concessão, nenhuma conciliação com quem lucra com a destruição. Ser conciliador – por mais bem intecionado que seja – a essa altura é ser cumplice da destruição.

  7. alfredo sternheim

    3 de setembro de 2018 3:25 pm

    Protestos tardios

    Perguntar não ofende: por que a direção do Museu, nos últimos  três meses não veio a público, via imprensa, TV e outras mídias, protestar contra essa situação de abandono e insegurança? Há 3 meses, a Folha publicou matéria a respeito e do Museu do Ipiranga. Não vi clamores intelectuais e nem sei como é gasto o dinheiro público transferido para o Museu (salários, viagens, etc) , assim como não sei direito o que gastamos aqui com a USP (aquele caso dos vidros quebrados) e/ou o Museu do Ipiranga. Esses protestos tardios sempre acontecem. Há mais de um ano , o paulistano sabia que aquele reluzente prédio verde no largo Paissandú, outrora sede da Polícia Federal e de uma empresa, havia se transforado em uh cortiço, uma habitação coletiva  sem segurança. Deu no que deu.   Nós, povo e imprensa, precisamos ficar mais atentos com esse frequente desperdício de dinheiro público em nome da cultura, da arte e do povo. Protestos tardios não resolvem.

     

    1. evandro condé de lima

      3 de setembro de 2018 4:54 pm

      você é que não viu

      A própria Globo fez reportagem sobre.

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