Fogo destruiu, na noite deste domingo, maior parte do acervo de mais de 20 milhões de itens que remontam idade da pedra no Brasil

Dinoprata, com 30 metros é o maior dinossauro encontrado no Brasil e estava no acervo do Museu Nacional. Reprodução Facebook
Jornal GGN – Ainda não é possível calcular a perda que o incêndio da noite deste domingo, 2 de setembro, causou no Palácio de São Cristóvão, onde fica o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, fundado em junho de 1818, mas pela proporção, o cálculo é que perdemos a maior parte do acervo de mais de 20 milhões de itens, reunidos no prédio de 215 anos.
Até agora não se sabe a origem do incêndio, mas a maior suspeita é falta de manutenção do prédio onde morou a família imperial brasileira e Dom Pedro I, antes que Dom João VI fundasse ali o então Museu Real, com o objetivo de estimular o conhecimento científico no país.
Atualmente, o Museu Nacional era administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que, por isso, deveria receber um repasse anual de 550 mil reais. A título de comparação, valor menor do que é gasto anualmente com um juiz do Supremo Tribunal Federal. Entretanto, pelo menos nos últimos três anos, era depositado na conta da instituição 60% do valor. Só em arqueologia, o Museu mantinha uma coleção de mais de 100 mil objetos, 700 deles da arqueologia egípcia – até ontem, a maior da América Latina -, além do acervo de arqueologia brasileira com cerca de 90 mil itens incluindo cultura indígena Marajoara, Santarém e Tupi-Guarani. O local também abrigava peças de etnologia africana e afro-brasileira. A história de um país, incluindo sua ancestralidade, tornando-se cinzas.
Segundo matéria da revista Fapesp, Edição 267, de maio, o Museu Nacional já vinha apresentando desafios para resgatar seu protagonismo na geração e disseminação de conhecimento em ciências naturais do país, apontando problemas de deterioração, infiltração das paredes, janelas com vidros quebrados e móveis com cupins.
Por falar em cupins, foi por causa dessa praga que o esqueleto do primeiro dinossauro de grande porte encontrado no Brasil, montado em 2006 em uma exposição que deveria ser permanente e levou um milhão de pessoas para dentro do Museu, nas semanas de inauguração, foi desmontado e guardado em caixas desde 2017. A estrutura que o sustentava, estava sendo deteriorada pelos insetos.
Com o objetivo de reabrir a sala do Maxakalisaurus, também chamado de Dinoprata, a UFRJ chegou a fazer uma campanha de financiamento coletivo incluindo, como meta, a interatividade de um voo de pterossauro.
evandro condé de lima
3 de setembro de 2018 1:21 pmMera curiosidade
Podemos ver quanto custa anualmente um deputado estadual ( ele apenas). Eu pensei em juiz, mas fiquei com receio de falarem que estou sendo implicante.
Jackson da Viola
3 de setembro de 2018 2:13 pmTranquilo……..
Pode ser implicante sem problemas……até ajudo……….
Marco Antônio Lins Garcia
3 de setembro de 2018 2:06 pmResultado de olhar o Estado
Resultado de olhar o Estado como empresa que deve dar lucro, onde as contas devem estar em ordem, com se o gestor fosse um contador medíocre (não um bom profissional). Quantos terão que morrer pela falta de acesso a saúde? Como ficará a pesquisa neste paíz? E a educação? Desde quando investimentos sociais sociais não tem importância. O ser humano não é um simples número que não pode ser levado em consideração. A economia é ciência das humanidades, não é exata e visa auxiliar na construção do bem estar para todos. É preciso lembra a estes imbecis que destruir o patromônio do país é um tiro no pé, é acabar com o futuro.
Lâmpada
3 de setembro de 2018 2:10 pmReflexões sobre a tragédia muito anunciada
Há décadas nossa nação está sendo desconstruída, em muitas frentes, em favor de pagar juros, garantir lucros brutais para uma minoria e fornecer commodities ao mundo. Essas tragédias anunciadas são apenas um dos efeitos colaterais.
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Outros prédios e acervos também estão em risco: Biblioteca Nacional, Museu do Ipiranga, igrejas históricas, etc. Apenas dinheiro não basta, é preciso seu uso racional. Perguntas: a configuração adotada no museu sinistrado – e em muitos outros -, era tecnicamente adequada? O prédio histórico deveria abrigar tantas atividades e acervos? Teria sido melhor construir um moderno – e seguro – edifício anexo (afastado do casarão mas a ele conectado); para a exposição da maior parte do acervo e para laboratórios, salas de aula, reserva técnica, administração, etc.; reservando o prédio histórico apenas para a visitação de sua arquitetura e uma pequena parte do acervo?
ze sergio
3 de setembro de 2018 2:30 pm1930. UM PROJETO DITADOR FASCISTA DE SUCESSO
Esta tragédia é resultado de Política de Austeridade ou Política ainda maior, sendo a menor que existe? Como, depois de 40 anos redemocráticos, descobrimos que os párias que acreditávamos serem os Gigantes que levariam o Brasil à sua condição natural, não passam destes ratos que destruiram esta Nação depois da Anistia de 1979. O incêndio que destrói a História e a Nação Brasileira no Museu Nacional, não é a mesma Política que destruiu o Museu da Lingua Portuguesa? Que destruiu o Memorial da América Latina? Que destruiu o Liceu de Artes e Ofício? Que está fechando por duas décadas o Museu do Ipiranga? Ou será que é tudo coincidência? Afinal estamos na Pátria da Coincidência e da Inocência, não é mesmo?
André Oliveira
3 de setembro de 2018 2:32 pmA Fundação Roberto Marinho
A Fundação Roberto Marinho recebe muito mais dinheiro público do que essa verba do Museu Nacional. É uma vergonha
Mr.Rambouz
3 de setembro de 2018 2:57 pmNeoliberalismo destruidor
O capital produz coisas, mas na sanha de subordinar tudo ao lucro destroi o que está pelo caminho: destroi civilizações, culturas, vidas e a natureza. O Neoliberalismo é o império despurado e ilimitado do capital, coloca em risco a sobrevivencia da humanidade e do que ainda há de humanos em nós. A única possibilidade é romper totalmente com a lógica insana que queima qualquer coisa – direitos, prédios, a história, a natureza, pessoas – em nome do lucro. Não se pode fazer mais nenhuma concessão, nenhuma conciliação com quem lucra com a destruição. Ser conciliador – por mais bem intecionado que seja – a essa altura é ser cumplice da destruição.
alfredo sternheim
3 de setembro de 2018 3:25 pmProtestos tardios
Perguntar não ofende: por que a direção do Museu, nos últimos três meses não veio a público, via imprensa, TV e outras mídias, protestar contra essa situação de abandono e insegurança? Há 3 meses, a Folha publicou matéria a respeito e do Museu do Ipiranga. Não vi clamores intelectuais e nem sei como é gasto o dinheiro público transferido para o Museu (salários, viagens, etc) , assim como não sei direito o que gastamos aqui com a USP (aquele caso dos vidros quebrados) e/ou o Museu do Ipiranga. Esses protestos tardios sempre acontecem. Há mais de um ano , o paulistano sabia que aquele reluzente prédio verde no largo Paissandú, outrora sede da Polícia Federal e de uma empresa, havia se transforado em uh cortiço, uma habitação coletiva sem segurança. Deu no que deu. Nós, povo e imprensa, precisamos ficar mais atentos com esse frequente desperdício de dinheiro público em nome da cultura, da arte e do povo. Protestos tardios não resolvem.
evandro condé de lima
3 de setembro de 2018 4:54 pmvocê é que não viu
A própria Globo fez reportagem sobre.