5 de junho de 2026

Campanhas de Alckmin e Doria são investigadas pela Operação Pedra no Caminho

Agência de marqueteiros que fizeram campanhas para PSDB foram beneficiadas em gestões tucanas. Entre eles, Nelson Biondi, que atuou para Serra
 
 
Jornal GGN – Agora é a vez das campanhas políticas do PSDB entrarem para a mira das investigações da Operação Pedra no Caminho, sobre os desvios e fraudes nas obras do trecho norte do Rodoanel, de responsabilidade da empresa estatal Dersa, durante as gestões tucanas em São Paulo. Entre os investigados está Nelson Biondi, ex-marqueteiro de José Serra.
 
A agência de publicidade Lua Propaganda manteve contratos com o Governo de São Paulo durante 7 anos, ao mesmo tempo em que os marqueteiros da empresa trabalhavam para campanhas políticas do PSDB e ocupavam cargos altos na agência. A suspeita é de um esquema envolvendo as campanhas desde 2010, a cada dois anos. 
 
Trata-se de um desdobramento da Operação Pedra no Caminho, que acabou prendendo o ex-diretor Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que operava esquemas de corrupção envolvendo o PSDB no Estado. O ex-diretor acabou sendo solto por decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
 
A Operação também gerou uma denúncia contra 14 investigados, entre executivos da estatal Dersa, e abriu novas frentes de inquéritos. 
 
O Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Federal preparou um relatório de 54 páginas somente com mira na Lua Propaganda, que agora passou a ser investigada pelas relações com contratos com o governo de São Paulo, durante a gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), atual presidenciável.
 
No documento, os investigadores expõem que denúncias coletadas durante as investigações sobre as campanhas tucanas foram corroboradas pelos dados da Justiça Eleitoral. 
 
“Os dados extraídos de fontes oficiais (Tribunal Superior Eleitoral, Receita Federal, etc.) corroboram os relatos obtidos em fontes abertas sobre a atuação dos profissionais de publicidade nas campanhas políticas do PSDB ao mesmo tempo em que ocupavam posições de direção na Lua Propaganda, empresa com contratos com a administração paulista”, diz trecho do relatório.
 
Ao apurar o caminho dos marqueteiros, a PF concluiu que “é inequívoca a relação da Lua Propaganda com diversas pessoas físicas e jurídicas que prestaram serviços ou até mesmo conduziram campanhas políticas de expressão dos governos do PSDB em 2010, 2012, 2014 e 2016”.
 
Os delegados identificaram a relação, também, da passagem do controle da agência de publicidade a Nelson Biondi, que já havia atuado como marqueteiro de José Serra em São Paulo, e em agosto de 2016 começou a comandar a Lua Propaganda.
 
“É relevante também notar que a passagem do controle da Lua Propaganda da família de Luiz Gonzalez para a família de Nelson Biondi (3 de agosto de 2016) ocorreu em momento relativamente próximo à mudança das coordenações de campanhas eleitorais relevantes do PSDB (Alckmin em 2014 e Dória em 2016). Esta transferência de comando ocorreu na mesma direção, de Gonzalez para Biondi”, informa outro trecho do documento.
 
Ainda, é possível verificar que o documento foi produzido ainda em outubro do ano passado. De lá para cá, os investigadores percorreram os dados da conta corrente da Dersa, incluindo de sócios e empresas relacionadas, com as despesas e receitas declaradas à Justiça Eleitoral, desde as eleições de 2010.
 
Como conclusão, o relatório revelou que a Lua Propaganda recebeu 25% do total de gastos de Comunicação Social do governo paulista, representando R$ 354.923.105,03. Ao mesmo tempo, identificaram 13 empresas e uma pessoa física que detinham vínculos com a agência de publicidade que receberam por serviços prestados às quatro campanhas tucanas, totalizando R$ 103.099.015,83.
 
Outros marqueteiros que fizeram parte do comando da agência já foram investigados pela própria Operação Lava Jato:
 
“Recentes notícias jornalísticas sobre a Operação Lava Jato relatam que Joesley Batista, um dos donos da JBS, afirmou em sua delação premiada que repassou R$ 6,4 milhões via caixa 2 à campanha de Serra em 2010 (Presidência). Sendo que R$ 420 mil foram recebidos via “caixa 2” com uma “nota fria” da empresa APPM Análise e Pesquisa de Mercado. Maria de Fátima é administradora da APPM apenas desde 17 de maio de 2013, mas, por outro lado, é sócia da P3 Pesquisa Planejamento e Propaganda desde 9 de março de 2006, empresa esta que é sócia da APPM desde 5 de julho de 2007″, informa.
 
Abaixo, trechos do relatório, divulgados pelo Estadão:
 



Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. WG

    22 de agosto de 2018 9:06 pm

    Nada acontecerá. Faz parte da

    Nada acontecerá. Faz parte da encenação do judiciário.

  2. Mário Brasil

    22 de agosto de 2018 9:57 pm

    Alguém duvida que virá uma ordem para arquivamento?
    Todos sabemos quais foram os partidos que estiveram e estão poe trás e na frente do golpe! Portanto caros amigos fico feliz por haver muita gente séria na Polícia Federal com o objetivo de desmascarar quem precisa ser desmascarado! Mas alguém duvida que virá uma ordem para arquivamento dessas investigações? Com toda essa estrutura montada para afetar única e exclusivamente os candidatos do PT? E olha que nunca fui petista, mas comungo de sua perspectiva progressista, vislumbrando uma nação soberana e forte dentro do contexto internacional.

  3. AMORAIZA

    24 de agosto de 2018 12:43 am

    Pedra no caminho
     

    Andando por São Paulo, minha cidade natal, de onde saí somente para sentir saudade e voltar, apesar de tudo, vejo que as pedras no caminho de São Paulo são os seus governantes.

    E digo pedras no sentido mais próprio: das pedras de crack às pedras  do chão esburacado, da cidade podre e pobre, da falta de tudo, do descaramento político e social, do desgoverno cínico.

    Com isso concluo que, finalmente, são paulo vai parar; que a avenida paulista será uma cracolândia em menos de 3 anos já a partir da esquina com a rua augusta, e que a locomotiva do brasil caminha para o abismo.

    Minha cidade falida, sequer candidato decente consegue oferecer à população.

     

Recomendados para você

Recomendados