5 de junho de 2026

Lula e o risco de dano irreparável à democracia, por Marcelo Auler

Foto: Ricardo Stuckert

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Por Marcelo Auler

No momento em que estão prestes a entrar em suas “férias escolares”, como bem definiu em sua coluna – Esperar e receber – de quinta-feira (28/06) Jânio de Freitas, na Folha de S.Paulo, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), bem como os membros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passam a ter amplo material para suas reflexões durante esse segundo período de ócio anual (sim, porque em janeiro eles já gozaram de férias remuneradas). Trata-se da 1ª Pesquisa CNI/IBOPE em relação às eleições deste ano.

Os dados revelam que mais de um quinto dos eleitores brasileiros – 21% -, de forma espontânea, indicam a disposição de votarem no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da República. Quase o dobro dos que lembraram, sem qualquer estímulo, de Jair Bolsonaro (11%). Dez vezes mais do que aqueles que citaram outros candidatos, como Ciro Gomes e Marina Silva, que patinam nos 2%.

Quando estimulados pela lista dos candidatos, a opção em torno do ex-presidente atualmente preso pula para 33%. Ou seja, um terço dos eleitores dispostos a votar em Lula, mesmo com a prisão e sua quase incomunicabilidade há mais de 80 dias. Neste caso, são mais do que o dobro dos de Bolsonaro, que aparece em segundo lugar com 15%. Quase cinco vezes superior a Marina Silva (7%) e mais de 8 vezes os que preferem Ciro Gomes (4%).

Tudo isso, lembre-se, com Lula recolhido a uma sala no quarto andar da sede da Polícia Federal em Curitiba, podendo se comunicar apenas com seus advogados (de segunda a sexta-feira) e, uma vez por semana, com familiares e três outras pessoas (dois amigos, por meia hora cada um nas quintas-feiras) e um líder espiritual (uma hora às segundas-feiras).

Sem falar que, desde a confirmação da sua condenação pelo TRF-4, a grande mídia não para de martelar que ele está impedido de participar do pleito em outubro. Ainda assim, um quinto dos eleitores lembra-se de seu nome espontaneamente e um terço se diz disposto a escolhê-lo na urna eletrônica.

Queriam levá-lo ao ostracismo. Não conseguiram. Tentam desqualificar, sem sucesso, sua candidatura. Procuram até retirar seu nome das pesquisas. Não só não conseguiram como, a cada nova consulta popular ele continua lá, liderando a lista. Obrigando a mídia a, de forma canhestra, inverter a notícia: a manchete vira os segundos colocados na vontade popular, enquanto o resultado principal sai quase que escondido do meio para o final das publicações.

O óbice à candidatura do ex-presidente, apesar da alta preferência dos eleitores, estaria na Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº. 135, de 2010) que impede a participação nos pleitos eleitorais àqueles com condenação em segunda instância.

É certo que se trata de uma medida adotada pelo Congresso a partir da pressão popular, manifesta em mais de 1,6 milhão de assinaturas que respaldaram aquele projeto de lei. Não é menos certo, porém, que tal iniciativa antecedeu em quatro anos a Operação Lava Jato, iniciada em 2014 com uma finalidade aparente – combater a corrupção – e outra escondida – atingir o PT e retirá-lo do jogo político.

Certamente muitos dos que endossaram aquele abaixo assinado – como o autor deste texto – jamais imaginaram se deparar com um Judiciário suspeito, tendencioso, capaz de usar meios e artifícios nas suas investigações o que, ainda que tardiamente, alguns membros do Supremo começam a admitir. Como no recente caso da senadora Gleisi Hoffmann. Tampouco achavam possível uma condenação de alguém em um processo sumário, sem provas, como ocorreu com Lula no famigerado processo do triplex do Guarujá, apenas para impedi-lo de se candidatar.

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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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