
Rodas de samba se firmam no Acre, por Augusto Diniz
Uma roda de samba criada em Rio Branco (AC) há pouco mais de dois anos tornou o maior sucesso do gênero nos últimos tempos na cidade. Ela acontece uma vez por mês, mas foi o suficiente para estabelecer uma nova legião de amantes do samba – cada evento, realizado sempre na primeira sexta-feira do mês, chega a reunir cerca de 400 pessoas.
A roda Casa de Bamba ocorre num belo casarão no centro da capital e é comandada pelo acreano Brunno Damasceno, cantor, compositor e cavaquinhista. Por conta desse sucesso da casa, o grupo passou a ser chamado frequentemente para realizar outras rodas pela cidade, onde antes não se via tanto movimento assim de samba.
“A Casa de Bamba é um sucesso”, resume o sambista. Brunno ainda não tem disco lançado, mas conta com um repertório próprio bastante rico – entre seus parceiros está Sergio Souto, um dos grandes músicos acreanos de expressão nacional. Saiba mais da roda Casa de Bamba aqui.
Brunno informa que em breve irá gravar algumas composições para lançar pela internet. “A tendência é que eu grave uma por mês, perfazendo 9 a 10 composições lançadas na web”, diz.
Anderson Liguth, outro ativista do samba na capital acreana, é percussionista e cantor, e participa da roda de Brunno Damasceno – que tem como músicos ainda Heriko Rocha e Marquinhos Borges (violão), Paulinho da Portela, Henrique, Alexandre Tifum e Ferrari Junior (todos percussionistas).
“O samba acreano se fortalece mesmo frente a um cenário adverso, já que outros ritmos têm espaço de destaque nas mídias de massa”, diz Liguth. “Há, porém, os grupos e as rodas de samba que trazem em seu DNA a busca do resgate e manutenção do samba de raiz”.
O sambista ressalta a importância de se formar e ampliar o público, mas destaca também a necessidade das rodas de samba autorias ganhar força no Acre. “Falo isso no sentido de se buscar a verdadeira identidade do samba acreano”, comenta.
O Acre é origem de um grande sambista: Da Costa (1930-2005). Nascido na capital, tornou-se cantor e compositor de samba, gravando vários discos. Nas suas andanças pelo Rio, manteve contato com a nata do gênero. Os sambistas locais fazem questão de valorizar o legado deixado por Da Costa.
Liguth tem programa de samba na rede pública de rádio do Acre – Brunno Damasceno em breve retornará com seu programa voltado ao gênero também na rede pública e que tem o nome de sua roda: Casa de Bamba.
Outra roda importante na cidade é do grupo Raiz do Samba, que acontece todas as sextas-feiras no simplório bar do Zé Chalé, onde a cerveja de 600 ml sai por 5 reais. O grupo é comandado por Edizio Gomes da Fonseca, o Patuá (percussão e voz), e conta ainda com Edilson Sampaio (percussão e voz), Romenig Ribeiro (cavaco e voz), Adson (violão 7), João Pedro (surdo) e Felipe Tantã. O Raiz do Samba também tem começado a se apresentar em outros lugares da capital.
Mais informações das apresentações do grupo Raiz do Samba na página de Patuá aqui.
Boa parte dos músicos que integram as rodas mencionadas se reúne no final do ano em torno da roda de samba da Mangabeira, evento realizado há 25 anos – essa roda anual já foi tratada nesta coluna e detalhes de sua realização estão disponíveis aqui.
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