
Enviado por Gilberto Cruvinel
Soneto 19
William Shakespeare
Tradução de Ivo Barroso
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Tempo voraz, ao leão cegas as garras
E à terra fazes devorar seus genes;
Ao tigre as presas hórridas desgarras
E ardes no próprio sangue a eterna fênix.
Pelo caminho vão teus pés ligeiros
Alegres, tristes estações deixando;
Impões-te ao mundo e aos gozos passageiros,
Mas proíbo-te um crime mais nefando:
De meu amor não vinques o semblante
Nem nele imprimas o teu traço duro.
Oh! permite que intacto siga avante
Como padrão do belo no futuro.
Ou antes, velho Tempo, sê perverso:
Pois jovem sempre há-de o manter meu verso.
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Sonnet XIX
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Devouring Time, blunt thou the lion’s paws,
And make the earth devour her own sweet brood;
Pluck the keen teeth from the fierce tiger’s jaws,
And burn the long-liv’d Phoenix in her blood;
Make glad and sorry seasons as thou fleets,
And do whate’er thou wilt, swift-footed Time,
To the wide world and all her fading sweets;
But I forbid thee one more heinous crime:
O, carve not with the hours my love’s fair brow,
Nor draw no lines there with thine antique pen!
Him in thy course untainted do allow
For beauty’s pattern to succeeding men.
Yet do thy worst, old Time! Despite thy wrong
My love shall in my verse ever live young.
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Fontes:
1. Shakespeare, William; in Barroso, Ivo (tradução e apresenatção). “William Shakespeare 50 Sonetos.”. Rio de Janeiro: Nova Froneira, 2011.
2. Pintura: Retrato recém-descoberto, entretanto, apresentado em Londres, no dia 9/3/2009, está sendo apontado como a única imagem do autor feita durante sua vida. A obra de arte, pertencente a Alec Cobbe (restaurador de arte), tem o aval de Stanley Wells, professor jubilado de Estudos sobre Shakespeare (Universidade de Birmingham), e editor da série Oxford Shakespeare, há trinta anos. O quadro, chamado “Retrato Cobbe”, foi pintado seis anos antes da morte de Shakespeare, quando ele tinha 46 anos , segundo seu proprietário. Está em posse de sua família desde o século XVIII e parece ter pertencido anteriormente ao 3º Conde de Southampton, patrono de Shakespeare e, talvez, ao “belo jovem”, um jovem sem nome a quem Shakesperare dirige alguns sonetos.
Fonte: ” Retrato descoberto de Shakespeare”, Mol-TaGGe Arte e Cultura
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