https://www.youtube.com/watch?v=vy57vZ22Ub8 width:700 height:394
Por Rui Daher
Precisava morrer, mas caraio, véio, como isso é difícil. Puta vida longa, esta.
De um quarto de bom hotel, em Avaré, São Paulo, indisposto a enfrentar os quase 300 km de volta, tarde da noite, resolvo dormir nas cercanias do Paranapanema. Todo lindo, como só o Brasil consegue ser.
Estou um pouco “ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire”. Creio que a esta altura nem J.G. de Araújo Jorge ou Alexandre Frota me traduziriam. Sonho, então, com escritor maior. Raduan Nassar.
Pra quê? Bobagem. Fez-me parar de escrever. Aliás, a cada dia, acho menor escrever colunas, artigos ou, mais moderno, fazer postagens. Quem, escritor, não consegue produzir um romance, prosa ou poesia, ficção?
Televisão nem pensar. Nunca fiz aquela tela soturna brilhar quando em andanças. Se algum futebol me atrai, assisto no lobby, acompanhado de amendoins, que assim era na juventude quando comparecia ao estádio Paulo Machado de Carvalho, bairro do Pacaembu, radinho de pilhas colado no ouvi(n)do Fiori Gigliotti (1928-2006) dizer: “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”.
Quando ele as encerrava, eu estaria contente ou triste com o resultado, mas seguia a pé, ouvindo os comentaristas – meu preferido era o irônico Mário Moraes (1925-1988) – pela avenida até o Largo Padre Péricles, para pegar o ônibus.
Subo para o quarto com meia garrafa de um vinho português do Douro, que sobrara do jantar. A cada dia, amo mais os lusitanos que tanto bem nos fizeram, viraram subalternos e, hoje em dia, dão a volta por cima, impávidos colossos. De forma Temerosa nos abandonam ao léu.
Onde seus canhões, naus e fortalezas? Suas armadas de desterrados para nos salvarem da camarilha aqui terrada?
Penso se é o caso de terminar o Douro ou deixa-lo para o café-da-manhã. Nada me importa nessa solidão da tragédia brasileira, que não me sai do pensamento.
No som do celular, poderia ouvir B.B. King “a noite inteira sem parar”. Mas não quero acender o fogo da AK-47. Escolho Wynton Marsalis e o Douro me faz lembrar Fernando Pessoa, “Entre o Sono e Sonho”, em Cancioneiro:
Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim.
O Paranapanema ali, perto de mim.
ze sergio
19 de maio de 2018 12:56 pmMinha…
Caro sr., fiquei sabendo que os tais Progressistas, agora, aceitam que o Avião da Democracia Brasileira tenha duas asas. Do lado esquerdo. Mais 40 anos circulando dentro do aeroporto? Não é uma Conversa de Lunáticos? A ‘Agropecuária Brasileira’ compra e e refém das MultiNacionais Estrangeiras ( que pagam caro por propaganda e marketing. Coisa que Agropecuarista não faz), porque segundo suas matérias, o próprio Governo Brasileiro sabotou Indústrias Nacionais. Sabotou, inclusive ao sr. Sabotou Mecanismos de Controle e Tratamento menos agressivos, menos custosos e….Nacionais. Não é o que está escrito em dezenas de textos? Governos consecutivos de socialistas e democratas, que combateriam tais praticas de entreguistas em regimes ditatoriais. 40 anos depois, as mesmas atitudes? É um buraco sem fundo. Cachorro atrás do rabo. Mas agora não tem desculpas. Qual é a desculpa? A culpa é da Agropecuária? Impulsionando a conscientização, o Paranapanema está voltando a ficar maravilhoso. Belas pescarias ( pega e solta). Margens com Mata Ciliar. Apesar que muito Tucunaré (exotismo amazonico) Um pouco mais de incentivo à conscientização e veremos novamente em SP, todo esplendor da Mata Atlântica.(P.S. A foto de Fiori é no Estádio do Morumbi. Estádio Cicero Pompeu de Toledo. Lar do SOBERANO. Maior de Todos. Sacro Santo Templo do Futebol.)
Rui Daher
19 de maio de 2018 10:26 pmZé Sérgio,
você é inacreditável. Depois que postei esse texto, pensei: como o Sr. José Sérgio fará para introduzir um comentário crítico ao que aconteceu e acontece no Brasil? E não é que você conseguiu e com muita propriedade. No meu final corintiano, ainda consegue introduzir uma observação SOBERANA.
Abraços
ze sergio
20 de maio de 2018 2:03 pmZé….
Caro sr., não existe José Sérgio. É ZÉ SÉRGIO. Maior ponta esquerda que existiu, juntamente com Edu, do Santos. Que não foi Titular Absoluto da Copa de 82 por que haviam o arrebentado.
Rui Daher
21 de maio de 2018 3:07 pmZé Sérgio,
então você foi o maior ponta-esquerda que vi jogar, pois em time com ataques muito menos expressivos do que os do Peixe daquela época. Abraços e parabéns!
Joao Maria
19 de maio de 2018 1:41 pmTive o prazer de ver Fiori
Tive o prazer de ver Fiori Giglioti como paraninfo da turma de minha formatura, la em Siqueira Campos. Isso foi ha muito tempo( 1.974). O auditorio do cine pindorama completamente lotado.
Rui Daher
19 de maio de 2018 10:19 pmSem dúvida, João Maria
um prazer. O mesmo que eu tive com seus interesse e leitura
Abraços