
Por André Araújo
Olavo Egydio de Sousa Aranha Setubal e Walter Moreira Salles foram dois dos maiores banqueiros do Brasil moderno. Setubal era nobre pelos três lados, berço, cultura e dinheiro, da família do Barão de Sousa Aranha, descendente da Viscondessa de Campinas, do Visconde de Indaiatuba, do Marques de Três Rios, do Marques de Valença, do Barão de Limeira, do Senador Vergeurio, importante politico do Império. Olavo Setubal era filho do escritor Paulo Setubal, prestigiado intelectual brasileiro.
Walter Moreira Salles foi casado com duas das mulheres colocadas entre as Dez Mais Elegantes das listas famosas dos colunistas sociais do Brasil e de Paris, a francesa Helene Tourtois e a mineira Elisinha Gonçalves, sua segunda esposa e mãe dos cineastas Walter e João Moreira Salles. Mulher politizada que visitou a China de Mao Tse Tung em plena Revolução Cultural, coisa que poucos ocidentais fariam àquele tempo. Elisinha tinha um lado cultural que seria considerado hoje “de esquerda” embora se vestisse com Hubert de Givenchy, o maior nome da alta costura dos anos 50 e 60.
Walter Moreira Salles era um homem do mundo, cultivado, discreto, o oposto do novo rico. Embaixador do Brasil em Washington, o cargo diplomático número um do Brasil, não era um intelectual mas gostava das artes e de cultura, tinha um espectro politico eclético, tanto que foi Ministro da Fazenda de Jango, visto como Presidente de esquerda, algo impensável para um direitista fanático como os de hoje. Moreira Salles pensava sempre no Brasil e não tinha maior problema com ideologias, transitava bem nos EUA com Democratas e Republicanos, típico da refinada politica mineira que opera em qualquer latitude sem perder a fleugma e o o “fair play”.
Deixou belo legado cultural, a sua famosa casa na Gávea é hoje um Instituto de arte e bom gosto, e raridade em um banqueiro desse porte, dois filhos cineastas e não banqueiros.
Esse introito é para dar um pano de fundo da politica de hoje. Se os Setubal e os Moreira Salles partissem para a defesa ideológica do capitalismo brasileiro nada seria mais natural, estariam defendendo sua tradição e seu capital de bilhões de dólares cuja maior parte está no Brasil.
É da natureza das coisas que os bilionários defendam seu capital, as famosas “duzentas famílias de França”, os Wendel, os Schneider, os Renault, aceitaram os alemães nazistas em 1940 para proteger seu capital histórico atacado pelo Front Populaire, o PT da época.
Tudo estaria na lógica social e histórica. O que não se entende porque gente que não tem capital em risco, a classe média remediada, apenas para ficar em um segmento, com notórias dificuldades para educar bem suas crianças, pagar seu plano de saúde, arrumar emprego razoável para o filho que sai da faculdade, é difícil entender porque tantos cidadãos que estão do lado errado do muro da riqueza preferem candidatos que são a infantaria do capitalismo agressivo, do capitalismo financeiro rentista.
Por toda a lógica esses eleitores deveriam estar do lado progressista do muro e não do lado da direita defensora do “status quo”, o que inclui o domínio dos bancos sobre a economia brasileira, a aliança da mídia conservadora com as corporações dos salários acima do teto, toda uma gama de interesses que NÃO estão do lado do povo e sim de privilégios consolidados dos que não querem abrir mão.
A direita não está ao lado dos 180 milhões de brasileiros que estão fora da boa vida. O campo da direita trata primordialmente da proteção dos interesses dos 30 milhões de brasileiros razoavelmente bem de vida e não está nem aí para os que sofrem nas favelas, nos cortiços, no desemprego dos chefes de família e dos jovens, na marginalidade, na carência de moradias com um mínimo de dignidade. A DIREITA CUIDA DE SI e não do povo, é assim historicamente.
Como então pessoas remediadas votam nos seus algozes, naqueles que tiram proveito do “status quo” econômico ou dos bons e garantidos empregos das corporações, isentos de qualquer risco de recessão, desastre econômico, quebra de empresas, desmanche da indústria, paralisação de obras públicas e todos os riscos a que os remediados estão sujeitos?
O POBRE que vota na Direita é um dos grandes mistérios da atual politica brasileira.
Naldo
5 de maio de 2018 12:45 pmMarilene Chauí em seus livros
Marilene Chauí em seus livros explica bem isso,
não à toa é odiada por essa turminha execrável.
Naldo
5 de maio de 2018 12:46 pmMarilena Chauí em seus livros
Marilena Chauí em seus livros explica bem isso,
não à toa é odiada por essa turminha execrável.
Humbertomn
5 de maio de 2018 12:54 pmA direita pobre
Caro André, não é incomum no Brasil o pobre votar na direita. A questão é que, hoje, os motivos são, digamos, mais ideológicos. Levantamentos feitos pela Fundação Perseu Abramo já mostravam que há um importante contingente de pessoas mais pobres e remediadas valorizando o “esforço próprio” (os batalhadores) como melhor espressão do êxito econômico individual e/ou familiar. Eu acredito que a forma de crescimento adotada pela projeto neo-desenvolvimentista de Lula-Dilma tenha contribuído para isso, pois valorizou mais o consumo e o status do consumo que a produção e o emprego com retomada da industrialização. Lula mesmo sempre pergunta: por que o pobre não pode viajar de avião, se vestir e morar bem? Isso não é incorreto, mas acabou virando o feitiço contra o feiticeiro. Os batalhadores se opõem fortemente à corrupção, que é uma agressão ao esforço individual. As acusações e a condenação de políticos acabaram polarizando mais o debate e fazendo com que o fenômeno do pobre de direita (com ensino superior financiado pelo governo em faculdades particulares mercadistas) ganhasse força, embora eu ache ainda inconsistente. Acho que simplificamos demais nossos adversários e misturamos as coisas. Nem todo evangélico, por exemplo, é conservador ou de direita. Muitos deles, pelo contrário, são mais militantes de esquerda que estudantes universitários. A classe média, esta sim, está “endireitada” e está na universidade e domina o acesso à informação. Não podemos generalizar os pobres. O propósito das lutas coletivas está mal trabalhado pela esquerda. Temas de gênero e raça, por exemplo, tendem a individualizar a abordagem dos direitos. Não temos mais clareza sobre os direitos coletivos na sociedade contemporânea. No governo Lula, a questão de gênero e raça também foi enfatizada como trajetória individual. O Jessé de Souza tem escrito trabalhos recentemente ampliando essa discussão, mas, a meu ver, também se equivocando. O problema não está preso ao nosso passado, mas é um fenômeno muito contemporâneo. O neo-desenvolvimentismo capenga implementado no Brasil, a meu ver, é um dos motivos que explicam o fenômeno. Não houve um rompimento com o pensamento convervador, reforçou-se a ideologia individualista do sonho individual, da ascenção pelo próprio esforço. A direita está fazendo a festa, mas ela só existe na exceção. São o judiciário, o congresso e a grande mídia os segmentos responsáveis diretamente pela revigoração dos estreitos caminhos e valores da direita. Logo os pobres perceberão a armadilha. Precisamos de debates e diálogos como esse. Abraço
Andre Araujo
5 de maio de 2018 1:59 pmVc fez um belo estudio
Vc fez um belo estudio sociologico, o centro desse fenonemo é a falta de consciencia de classe. O pobre se identifica com a classe que esta acima e não com a que está abaixo dele, o miseravel. Ao votar com a direita o pobre não percebe que está protegendo os lucros do Jorge Paulo Lehman e dos Setubal e prejudicando ele e os que estão abaixo dele.
É mais facil encontrar consciencia ideologica em segmentos cultos da classe media alta do que nos pobres.
Como capitães do mato da direita funcionam os jornalistas do odio, a serviço dos nobres, embora eles mesmos sejam em geral originarios da classe remediada.
Renato Lazzari
5 de maio de 2018 2:27 pm…”embora eles mesmos sejam
…”embora eles mesmos sejam em geral originarios da classe remediada.”
Mais importante do que a origem da pessoa é o que ela vive no presente.
Além disso, a pessoa que corre atrás de poder e dinheiro como um burro correndo atrás da cenoura que, no nosso caso, humanos, ele próprio pendura em seu pescoço de forma a manter-se sempre a 20cm de distância de seu nariz, obrigando-o a andar para frente muitas vezes não pode ser classificada como “remediada” apenas por ter algumas de suas necessidades básicas – comida e abrigo – atendidas. Para realizar o potencial de humanidade com que nascemos é necessário que vivamos, por exemplo, a solidariedade e o afeto tantas vezes taxadas como estranhas à “luta pela vida” pela ideologia capitalista.
A pessoa acaba, como disse no post acima, aleijada. Ela se flagela e se aleija, se aliena de si da humanidade que poderia haver em si, a troco da ilusão de algum remédio. Isso promove atrazo na evolução da humanidade potencial que só o bicho-homem tem, “segura” a humanidade em suas possibilidades. Não á toa quem faz assim é chamado de “conservador”.
Na verdade, se tomarmos que vida, no caso da gente, humanos, é mais do que vida fisiológica, muitos conservadores já estão mortos.
Renato Lazzari
5 de maio de 2018 3:05 pm“É mais facil encontrar
“É mais facil encontrar consciencia ideologica em segmentos cultos da classe media alta do que nos pobres.”
Consciência ideológica, talvez. Algo como “entendo meu papel de opressor, sei que me locupleto de poder não por meus próprios méritos mas porque os oprimidos a mim atribuem tal papel”.
É bem comum que pessoas da classe média pensem que o poder que têm são produtos do próprio trabalho individual, que tenham conquistado esse poder por mérito, a tal da meritocracia, enfim é bem comum que essas pessoas sejam totalmente cegas para a realidade que é o sistema que vivemos e que premia uns enquanto subtrai de outros.
Consciência passa longe da chamada “classe média”, que vai desde o balconista da lojinha até o diretor-presidente de firmas internacionais. Classe média é, como diz a Marilena Chauí, uma excrescência social, tanto faz se média-média, média-baixa, média-alta, média-especial… a sociedade de classes é uma forma de estabelecer um poder que é espúrio e contra-producente do ponto de vida da evolução humana.
Antenor Praxedes
5 de maio de 2018 1:03 pmUma rede Globo hegemônica,
Uma rede Globo hegemônica, com “concorrentes” que em nada diferem dela. O último país da América a banir a chaga da escravidão sendo o que mais importou mão de obra escrava. A alienação primeiro pelo conformismo católico onde a miséria era a vontade de Deus e agora pela praga pentecostal onde ela é culpa do próprio miserável por não oferecer “sacrifício” (grana) o suficiente para “Deus” (o pastor). São apenas alguns elementos que proporcionam esse fenômeno.
Rpv
5 de maio de 2018 1:12 pmHá várias explicações.
1 –
Há várias explicações.
1 – Pitadas de esquizofrenia com altas doses de Bom dia Brasil, Jornal Hoje, JN, Jornal da Globo, Globo News, G1, Folha, Uol, Veja, Isto é, Jovem Pan, Zero-Hora, CBN, Rádio Gaúcha, O Liberal, ufa, cansei. E isso em todos os restaurantes, padarias, recepções de hoteis (tbm nos quartos), consultórios médicos, dentários, estéticos, aeroportos. Ufa, de novo. Cansei.
2 – Da escola primária ao pós doc. aprendemos que somos herança de Portugal e, por isso, somos cordiais, não sabemos diferenciar a “casa da rua”. Enfim, somos patrimonialistas. Para não dizer, ladrões vagabundos. Esse primeiro conceito é très chic. Ou, na lingua da nova pátria mãe, mais descolada, é cool. Então, como a esquerda representa os interesses da maioria e essa não presta, logo, não devemos apoiá-la. (Essa é uma explicação estruturalista, inspirada em Jessé de Souza)
3 – Essa classe média remedia vive num limbo, pois, não tem coragem e competência para ser rica e morre de medo de ser pobre. Assim, prefere um regime conservador e de força, logo, de direita, de preferência facista. (Essa é uma explicação vulgar de inspiração marxista.)
Andre Araujo
5 de maio de 2018 2:12 pmO jornalismo desprezivel da
O jornalismo desprezivel da direita tem raiva do Brasil, dos brasileiros, de nossa cultura, faz pouco caso de tudo o que
é culturalmente nosso, a frase “”isso só acontece no Brasil”” é tipica. Esses infelizes nunca leram a dramaturgia social americana dos anos 30, Cilfford Odets, Arthur Miller, William Faulkner, Theodore Dreiser, Eugene O´Neill, John dos Passos,
Tennessee Williams, onde as mazelas, as tragedias, as miserias da sociedade americana são expostas a nu, hoje é muito pior.
Simbolos dessa visão é o programa MANHATTAN CONNECTIOn, o porta voz oficial do jornalismo vira lata, que despreza o Brasil do fundo da alma, embora ganhe a vida aqui ou daqui, ícone é Diego Mainardi, que todo domingo a noite cospe no Brasil.
Eden SP
5 de maio de 2018 1:17 pmO conservadorismo da classe popular
Em grande medida, não se pode desconsiderar o papel decisivo que a religião tem exercido na conformação dos princípios de uma sociedade cada vez mais conservadora. Se o catolicismo conservador manteve um papel preponderante, até em anos recentes, no estabelecimento valores das famílias nos rincões interiorianos e periféricos do país, atualmente o evangelismo da prosperidade vem exercendo um crescente papel no recrudescedora das mentes e corações de milhões de brasileiros.
O quadrante ideológico-político de separação de classes – ricos e pobres / capital e trabalho – pode explicar uma pequena parte das razões do “endireitamento” da classe pobre: o das aparências e das identificações, o do querer demonstrar que é um que se alinha aos jeitos e trejeitos dos da “classe alta”.
Paulo Dantas
5 de maio de 2018 1:25 pmA esquerda …
A esquerda precisa se tocar que em termos de comportamento o brasileiro pobre é conservador.
Não adianta empurrar uma agenda libaral goela abaixo.
Fora a agenda da violência urbana o foco não pode APENAS a questão social.
Resta ao povo procurar a direita.
João de Paiva
5 de maio de 2018 1:27 pmO mistério foi desvendado por Bertolt Brecht, há décadas
À luz da razão ecômica e material, de pertecimento a uma classe, pode ser muito difícl e misteriosa a explicação para a existência do ‘pobre dce direita’. Mas basta mudar o foco para a Sociologia, para a História e para a Política, para obter uma resposta rápida, objetiva, contundente. O poeta e teatrólogo alemão Bertolt Brecht sintetizou isso em poucas linhas de um poema histórico, que todos devemos saber de cor. Segue abaixo a transcrição.
O analfabeto político
O pior analfabeto, é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha
Do aluguel, do sapato e do remédio
Depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que
Se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política.
Não sabe o imbecil,
Que da sua ignorância nasce a prostituta,
O menor abandonado,
O assaltante e o pior de todos os bandidos
Que é o político vigarista,
Pilanta, o corrupto e o espoliador
Das empresas nacionais e multinacionais.
Bertolt Brecht
José C.Salomao
5 de maio de 2018 1:40 pmNenhuma análise do
Nenhuma análise do reacionarismo dos pobres brasileiros será completa se não levar em conta, com profundidade, o poder das igrejas pentecostais e dia recursos que chegam, generosamente, de milionários americanos, aos seus cofres.
CARRASCO
5 de maio de 2018 1:40 pmComo diz o Humberto…
“Precisamos de debates e diálogos como este”. E, de fato, este texto é um bom começo. Então, sugiro que cada um de nós que concorda com esse questionamento (POR QUE POBRE VOTA NA DIREITA?) tire copias e as espalhe em todo lugar possível. Mas com uma introdução e um final que poderiam ser assim: VOCÊ SABE O QUE É LUTA DE CLASSES? EM QUE LADO VOCÊ SE COLOCA NESSA LUTA: NO DA DIREITA OU NO DA ESQUERDA? NA HORA DE VOTAR, VOCÊ VOTA EM CANDIDATO DA DIREITA OU DA ESQUERDA? VOCÊ É RICO, POBRE OU REMEDIADO? SE NÃO É RICO, POR QUE VOTAR EM CANDIDATO QUE DEFENDE INTERESSES DOS RICOS (BANQUEIROS, EMPRESARIADO, FAZENDEIROS, ELITES DOS SERVIÇOS PÚBLICOS COMO JUIZES,PROMOTORES, ALTOS FUNCIONÁRIOS DOS PODERES JUDICIÁRIO E LEGISLATIVO CHEIOS DE VANTAGENS, PRIVILÉGIOS,POR EXEMPLO)? De preferência, leia isto na frente de um espelho e reflita. E, no final, “AH, RESOLVEU QUE NÃO VOTARÁ EM NINGUÉM? MAS PENSE SÓ MAIS UM POUCO: O PESSOAL DA DIREITA, QUE TEM OS PRIVILÉGIOS, E QUE DEFENDE RICOS, VOTARÁ NOS DA DIREITA. OU SEJA, TUDO CONTINUARÁ COMO SEMPRE NA POLÍTICA: GOVERNANTES, DO EXECUTIVO, E LEGISLADORES DE DIREITA CONTINUARÃO DECIDINDO TUDO QUE INTERESSA ÀOS DA DIREITA. E VOCÊ, QUE TOLAMENTE NÃO GOSTA DE POLÍTICA E DE TODOS OS POLÍTICOS, CONTINUARÁ SENDO GOVERNADO POR QUEM GOSTA.
Wilton Santos
5 de maio de 2018 1:44 pmNo livro “Fenomenologia do
No livro “Fenomenologia do Espírito” de Hegel há uma frase marcante que talvez responda ao mistério:
“O oprimido não quer se libertar da opressão, mas sim se tornar opressor!”
Marcos José Beghetto Penteado
5 de maio de 2018 1:50 pmPobre de Direita
Caro André,
tem o hábito de ser objetivo (preciso até) em suas idéias, neste post lança uma indagação que creio já ter as respostas, porém é incomodo relatar a soma de tantos erros.
sds
Marcos José Beghetto Penteado
5 de maio de 2018 1:51 pmPobre de Direita
Caro André,
tem o hábito de ser objetivo (preciso até) em suas idéias, neste post lança uma indagação que creio já ter as respostas, porém é incomodo relatar a soma de tantos erros.
sds
Renato Lazzari
5 de maio de 2018 2:03 pmPrá quem vê a luz mas não ilumina suas mini certezas
Empregado, desde na mais baixa hierarquia até em cargo chamado de alto nível, vota no candidato do patrão para fazer pose. E fazer pose não demanda nem observador externo, embora isso aconteça muito. Mas é bem comum e suficiente que esse empregado faça pose para si mesmo, tentando a loucura que é tentar tornar-se “vencedor” através de aparentar ser “vencedor”. Ainda mais porque de fato mesmo não se tornando capitalista, o empregado ganha alguma recompensa, alguma migalha mas apenas financeira: poder, nenhum.
Para quem recebeu lavagem cerebral da ideologia é muito difícil perceber a realidade. E muitas vezes não dá nem se a pessoa quiser. Tem muita gente que, tendo alcançado discernimento suficiente para perceber-se, resigna-se com os próprios “aleijões” Claro que há os que lutam porque conseguem diferenciar o que são do que gostariam de ser. Mas é mais raro. A pessoa comum, vulgar, pensa que se brigar contra sua ideologia estará brigando contra si mesma. Na verdade a experiência prova que quem consegue se livrar das ilusões não só não morre com geralmente passa a viver mais “leve”.
Olha o que o psicanalista Slavoj Zizek diz sobre isso:
[video:https://www.youtube.com/watch?v=wtNgIV94u6I%5D
Andre Araujo
5 de maio de 2018 2:05 pmA falta de consciencia de
A falta de consciencia de classe faz o remediado ter raiva do que está abaixo dele e no mesmo processo tenta emular quem está acima, é fenomeno do campo da psicologia e não da socialogia.
No processo o remediado perde a referencia cultural e torna-se um ser desprezivel e raivoso, perde a humanidade.
Renato Lazzari
5 de maio de 2018 2:37 pm…”perde a
…”perde a humanidade”
Exatamente. É disso que falo no cometário à sua resposta ao Humbertom, abaixo, caro André. Perde a vida humana, ou seja, como humano está morto, embora fisiologicamente continue vivendo.
Pode-se, claro, observar esse fenômeno numa abordagem individual, relacionada à psicologia. Mas também pode-se observá-lo usando os instrumentos e métodos da sociologia. Karl Marx foi um precursor na observação sociológica mas muitas pessoas têm feito evoluirem a Sociologia, a História, a Economia desde então.
Marco A.
5 de maio de 2018 6:01 pmNão, não perde a humanidade…
… pois somente os humanos são capazes de atitudes como essa.
Nada mais humano que desprezar, negligenciar, rejeitar um semelhante por diferença de classe econômica, o que, por definição, é um artifício tipicamente humano.
Portanto, não há falta de humanidade.
Há falta de cultura, elevação de espírito, educação (além da instrução e do adestramento), solidariedade, empatia etc.
Tanto a existência desses valoes quanto sua negação é um fenômeno humano e tão somente humano.
Resta-nos, coletivamente, fazer a escolha adequada à sobrevivência e à felicidade geral.
Alonso
5 de maio de 2018 2:15 pmA lógica propagada pela
A lógica propagada pela mídia, de forma bem simplista, é a de que, fazendo a liçao de casa, o governo gastando pouco, desce o espírito santo do investimento capitalista, Brasil vira primeiro mundo e todo mundo passa a ganhar mais.
Eles ganharam coraçoes e mentes de milhoes com esse raciocínio simplório.
Edi Passos
5 de maio de 2018 5:55 pmPerfeito.
Concordo plenamente Alonso. Simples, cristalino e direto no ponto, Parabéns!
ze sergio
5 de maio de 2018 2:15 pmPobres….
Caro AA, o sr. pergunte, o sr. responde. Esquerda frustada, esquerda falida, esquerda farsante não vira Direita. Aliás, esquerda tupiniquim que nem existe, segundo Florestan Fernandes. A verdadeira Direita é isto que foi mostrada na matéria. Rotular Entreguista, Vendilhão, Vagabundo com Direita é apenas confundir. Setubal foi esta capacidade, já quando Paulo Maluf o constituiu Prefeito da Capital. Não foi agora, nem era aquilo que esquerdopatas acusavam. Uma das grandes Capacidades Brasileiras, como Delfim Netto, Moreira Salles, José Alencar, Katia Abreu, Gastão Vidigal, Celso Amorim, Samuel P. Guimarães,….Confundir jagunços e Coronéis com a Direita é obra da Ditadura Inaugural de Vargas, que destituiu verdadeira Direita, Liberal, Progressista, Intelectual, Republicana cedendo espaço a Parasitas. Esta Bipolaridade se perpetua na indicação e apoio de coronel José Sarney, jagunço de 1.a linha na Presidência da República, apoiado por Elite Esquerdopata, que retorna ao Poder após a Anistia de 79. A verdadeira Direita, representada por Paulo Maluf, que indicou Setubal à Prefeitura, é atacada por décadas e derrotada, enquanto se mantém estreita ligação com este parasitismo estatal rotulado de direita, representados por figuras como ACM, Sarney, Collor, Calheiros, Bezerras, Coelhos,…Todos Generais 5 Estrelas de Governos ditos de Esquerda e Socialistas. Isto não é surreal? E não é verdade? Apesar de anos de tentativas de lavagem cerebral, o tal “Pobre”, sabe distinguir tamanhas diferenças. O “Pobre” sabe que deu total apoio à Redemocratização a partir de 1979 e a todas figuras que ascendiam com esta nova era. Também sabe, que um País foi entregue com todas suas Empresas 100 Nacionais, que os problemas da Nação era combate à corrupção, maior nível educacional, infraestrutura, maior inserção democrática, …E nada disto foi feito. O que continuou igual, desde o início do Ciclo Ditadorial inaugurado por Vargas, foi confundir a verdadeira Direita que podemos representar, por exemplo, com o Agronegócio, os canaviais paulistas em contrapartida aos canaviais do Coronelato Nordestino. Um produziu desenvolvimento e riqueza, o outro, jagunços e atraso ( e foi justamente o que sempre se filiou às elites socializantes e anticapitalistas). O abismo é evidente.
Sidnei
5 de maio de 2018 2:49 pmCara….
Você bebeu!
Cara….
Você bebeu!
Ugo
5 de maio de 2018 3:15 pmrevoada do troll demente
Sem esquecer que os esquerdopatas comem criancinhas no café matinal!!!!
Sergio M Bernardes
5 de maio de 2018 2:34 pmPodre de direita.
Pobre de direita não é “coxinha”, é “pastel-de-vento”: quer aparentar uma coisa de que ele não é, e ingnora sua própria situaçã, só tem vento.
Renato Lazzari
5 de maio de 2018 2:49 pmCoxinha também é pastel de
Coxinha também é pastel de vento. Ambos são um profundo nada que conforma-se em tentar parecer algo apenas pela imitação dos trejeitos daqueles algos.
“Algo” me remete a “fidalgo”, “fid’algo”, “filho de algo”. Como se a origem familiar da pessoa, sua herança, fosse o suficiente para que ela contribua para a evolução da humanidade e de si mesma. Na verdade a única herança que todos nós, independente símbolos como poder e dinheiro, recebemos é o potencial para tornarmo-nos humanos.
O pessoal confunde. Um humano é capaz de simbolizar mas um humano não é um símbolo.
Renato Lazzari
5 de maio de 2018 3:32 pm“O POBRE que vota na Direita
“O POBRE que vota na Direita é um dos grandes mistérios da atual politica brasileira.”
Mistério nenhum. Se fosse mistério as pessoas que detém o poder hoje não sobotariam as iniciativas estatais para engrandecimento, evolução e prosperidade da classe média, e com ela, a da humanidade (a humanidade que há em cada um e a que é um conjunto social). Aquelas pessoas sabem muito bem porque é que pessoas da “classe média” votam em político conservador.
Aliás “classe média” é apenas eufemismo para dizer “não-detentoras de poder” ou “detentoras de algum poder cujo limite é determinado pelas reais detentoras de poder”.
E afinal… quem se considera pobre? Já vi pessoas morando em favela, comendo carne uma vez por semana – e olhe lá – sem dentes, acesso à saúde a à educação, dizendo-se “classe média”. Como é bem difícil que a pessoa diretora-presidente de firma internacional diga de si mesma “sou da elite”. A grande maioria se diz “classe média”, ainda que faça ressalva: “Classe média mas classe média diferenciada, hein?”
Romanelli
5 de maio de 2018 3:45 pmNão há mistério algum
A psicologia explica
O POBRE, envergonhado e revoltado com sua própria situação e destino ..identificando em seu nicho pessoas com valores contrários e/ou diferentes dos dele (o que é normal em qq grupo social) ..age por negação, repulsa.
NEGA a sua identidade de POBRE e excluído, estigmatizado, buscando apoiar ou acompanhar extratos socialmente melhor cotados, aceitos e ambicionados pelo status quo vigente, como se a estes pertencesse e não por estes fosse explorado
ALIÁ, os filhos da DONA XEPA exemplificam muito bem o que isso representa
e como combater ..só uma saída ..consciência polítca, EDUCAÇÂo, conhecimento de história
ps – mesma atitude tem os xenofilas que amam tudo que vem do estrangeiro, desprezando o que é do próprio país ..CIA e Hollywood sabem explorar isso como ninguém
Renato Lazzari
5 de maio de 2018 4:01 pm“Democratas”, é mole?!
O mal, caro André, é que há pessoas que arvoram-se a ser líderes, que crêm mesmo que são superiores às outras e que por isso acham que podem – ou para reforçar a auto-imagem de responsáveis e até de amorosas, escolhem achar que devem – conduzir as outras.
Se as pessoas a serem submetidas não escolheram as que as submetem, isso passa a ser apenas um mero detalhe, um desafio a ser vencido. Se as pessoas a serem submetidas percebem que não é preciso que seja assim, eis outro desafio: mantê-las na ignorância, na dependência, em contante temor e fissuradas. Nem que para isso tenham que impor poder de violência, moral – propaganda – e física (tiros, bombas e incêndios, por exemplo). Algo como “saboto sua evolução senão você me ultrapassa. E a ordem é que eu tenha poder, não você”.
Sabe aquela história de “temos como fazer você votar em nós ou pelo menos temos como fazer você se abster de votar”? Porque o voto é facultativo em algumas sociedades nacionais senão para poupar esforços no convencimento? Curiosamente essas sociedade martelam que é muito mais tranquilo ser “apolítico”, que governo nenhum presta, que não ter governo é ser livre e por aí vai.
E essa turma ainda tem a cara de pau de dizerem-se “democratas”, é mole?
Se você impede que as pessoas tentem e errem ou acertem, se lhes “protege”, está dificultando a evolução da humanidade que há potencialmente nelas e em si mesmo, no cojunto a que chamamos humanidade.
Lâmpada de Diógenes
5 de maio de 2018 5:44 pmMachado de Assis
“Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas, — transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o, punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora é que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!”
JOEL PALMA
5 de maio de 2018 6:24 pmDESLUMBRANTES ACRÉSCIMOS
As intervenções de André Araújo têm deslumbrantes acréscimos culturais e históricos. É o nosso Liberace do texto!
Rodrigo Roal
5 de maio de 2018 7:37 pmDe cima para baixo – Arthur Azevedo
De cima para baixo
Arthur Azevedo
Naquele dia o ministro chegou de mau humor ao seu gabinete, e imediatamente mandou chamar o diretor-geral da Secretaria.
Este, como se movido fosse por uma pilha elétrica, estava, poucos instantes depois, em presença de Sua Excelência, que o recebeu com duas pedras na mão.
— Estou furioso! — exclamou o conselheiro; — por sua causa passei por uma vergonha diante de Sua Majestade o Imperador
— Por minha causa? — perguntou o diretor—geral, abrindo muito os olhos e batendo nos peitos.
— 0 senhor mandou-me na pasta um decreto de nomeação sem o nome do funcionário nomeado!
— Que me está dizendo, Excelentíssimo?…
E o diretor-geral, que era tão passivo e humilde com os superiores, quão arrogante e autoritário com os subalternos, apanhou rapidamente no ar o decreto que o ministro lhe atirou, em risco de lhe bater na cara, e, depois de escanchar a luneta no nariz, confessou em voz sumida:
— É verdade! Passou-me! Não sei como isto foi…
— É imperdoável esta falta de cuidado! Deveriam merecer-lhe um pouco mais de atenção os atos que têm de ser submetidos à assinatura de Sua Majestade, principalmente agora que, como sabe, está doente o seu oficial-de-gabinete!
E, dando um murro sobre a mesa, o ministro prosseguiu:
— Por sua causa esteve iminente uma crise ministerial: ouvi palavras tão desagradáveis proferidas pelos augustos lábios de Sua Majestade, que dei a minha demissão!…
— 0h!…
— Sua Majestade não o aceitou…
— Naturalmente; fez Sua Majestade muito bem.
— Não a aceitou porque me considera muito, e sabe que a um ministro ocupado como eu é fácil escapar um decreto mal copiado.
— Peço mil perdões a Vossa Excelência — protestou o diretor-geral, terrivelmente impressionado pela palavra demissão. — 0 acúmulo de serviço fez com que me escapasse tão grave lacuna; mas afirmo a Vossa Excelência que de agora em diante hei de ter o maior cuidado em que se não reproduzam fatos desta natureza.
0 ministro deu-lhe as costas e encolheu os ombros, dizendo:
— Bom! Mande reformar essa porcaria!
0 diretor-geral saiu, fazendo muitas mesuras, e chegando no seu gabinete, mandou chamar o chefe da 3a seção, que o encontrou fulo de cólera.
— Estou furioso! Por sua causa passei por uma vergonha diante do Sr. Ministro! — Por minha causa?
— 0 senhor mandou-me na pasta um decreto sem o nome do funcionário nomeado!
E atirou-lhe o papel, que caiu no chão.
0 chefe da 3a seção apanhou-o, atônito, e, depois de se certificar do erro, balbuciou:
— Queira Vossa Senhoria desculpar-me, Sr. Diretor… são coisas que acontecem… havia tanto serviço… e todo tão urgente!…
— 0 Sr. Ministro ficou, e com razão, exasperado! Tratou-me com toda a consideração, com toda a afabilidade, mas notei que estava fora de si!
— Não era caso para tanto.
— Não era caso para tanto? Pois olhe, Sua Excelência disse-me que eu devia suspender o chefe de seção que me mandou isto na pasta!
— Eu… Vossa Senhoria…
— Não o suspendo; limito-me a fazer-lhe uma simples advertência, de acordo com o regulamento.
— Eu… Vossa Senhoria.
— Não me responda! Não faça a menor observação! Retire-se, e mande reformar essa porcaria!
***
0 chefe da 3a seção retirou-se confundido, e foi ter à mesa do amanuense que tão mal copiara o decreto:
— Estou furioso, Sr. Godinho! Por sua causa passei por uma vergonha diante do sr. diretor-geral!
— Por minha causa?
— 0 senhor é um empregado inepto, desidioso, desmazelado, incorrigível! Este decreto não tem o nome do funcionário nomeado!
E atirou o papel, que bateu no peito do amanuense.
— Eu devia propor a sua suspensão por 15 dias ou um mês: limito-me a repreendê-lo, na forma do regulamento! 0 que eu teria ouvido, se o sr. diretor-geral me não tratasse com tanto respeito e consideração!
— 0 expediente foi tanto, que não tive tempo de reler o que escrevi…
— Ainda o confessa!
— Fiei-me em que o sr. chefe passasse os olhos…
— Cale-se!… Quem sabe se o senhor pretende ensinar-me quais sejam as minhas atribuições?!…
— Não, senhor, e peço-lhe que me perdoe esta falta…
— Cale-se, já lhe disse, e trate de reformar essa porcaria!…
***
0 amanuense obedeceu.
Acabado o serviço, tocou a campainha. Apareceu um contínuo.
— Por sua causa passei por uma vergonha diante do chefe da seção!
— Por minha causa?
— Sim, por sua causa! Se você ontem não tivesse levado tanto tempo a trazer-me o caderno de papel imperial que lhe pedi, não teria eu passado a limpo este decreto com tanta pressa que comi o nome do nomeado!
— Foi porque…
— Não se desculpe: você é um contínuo muito relaxado! Se o chefe não me considerasse tanto, eu estava suspenso, e a culpa seria sua! Retire-se!
— Mas…
— Retire-se, já lhe disse! E deve dar-se por muito feliz: eu poderia queixar-me de você!…
***
0 contínuo saiu dali, e foi vingar-se num servente preto, que cochilava num corredor da Secretaria.
— Estou furioso! Por sua causa passei pela vergonha de ser repreendido por um bigorrilhas!
— Por minha causa?
— Sim. Quando te mandei ontem buscar na portaria aquele caderno de papel imperial, por que te demoraste tanto?
— Porque…
— Cala a boca! Isto aqui é andar muito direitinho, entendes? — Porque, no dia em que eu me queixar de ti ao porteiro estás no olho da rua. Serventes não faltam!…
0 preto não redargüiu.
***
0 pobre diabo não tinha ninguém abaixo de si, em quem pudesse desforrar-se da agressão do contínuo; entretanto, quando depois do jantar, sem vontade, no frege-moscas, entrou no pardieiro em que morava, deu um tremendo pontapé no seu cão.
0 mísero animal, que vinha, alegre, dar-lhe as boas-vindas, grunhiu, grunhiu, grunhiu, e voltou a lamber-lhe humildemente os pés.
0 cão pagou pelo servente, pelo contínuo, pelo amanuense, pelo chefe da seção, pelo diretor-geral e pelo ministro!…
Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo, nascido em São Luís do Maranhão a 07 de julho de 1855, é uma das grandes figuras do humorismo brasileiro. Foi jornalista, comediógrafo, contista e poeta. Em toda sua obra campeia um fino e gracioso humorismo. Autor dos “Contos Possíveis”, “Contos Efêmeros”, “Contos fora de moda”, “Contos em verso”, “Contos Cariocas” e “Vida alheia”, espalhou também sua verve em dezenas de revistas teatrais e de esfuziantes comédias, entre as quais sobressaem “O Dote”, “A Almanjarra”, “A Véspera de Reis”, “O Oráculo”, “Vida e Morte”, “Entre a Missa e o Almoço”, “Entre o Vermute e a Sopa”, “Retrato a Óleo” e “O amor por Anexins”. Trabalhou nos principais jornais da época, no Rio de Janeiro, tendo fundado e dirigido “A Gazetinha”, “Vida Moderna” e “O Álbum”. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira n. 29, para a qual tomou Martins Penna como patrono, faleceu no Rio de Janeiro a 22 de outubro de 1908.
Texto extraído do livro “Os 100 melhores contos de humor da literatura universal”, Ediouro – Rio de Janeiro, 2001, organização de Fábio Moreira da Costa, pág. 293.
aleminas
5 de maio de 2018 8:42 pm“a periferia esta votando na Policia“, diz Mano Brown
Triste, mas eh a realidade..confesso que ontem ao ler esta entrevista fiquei depre.. portanto, cuidado …
https://www.revistaforum.com.br/mano-brown-periferia-esta-votando-em-policia-com-medo-de-perder-o-que-conquistou-no-governo-lula/
Gilson AS
5 de maio de 2018 9:36 pmPobre de direita foi uma
Pobre de direita foi uma criação competente da Globo.
Wiliam
5 de maio de 2018 10:24 pmMuito bom ler o texto e os comentários.
Nossa, esse texto e esses comentários demonstram que ainda há inteligência no país. Ao contrário das redes sociais, que qualquer um fala de qualquer coisa como se de tudo soubesse, o nível das discussões está altíssimo com citações de obras e autores pertinentes, além de comentários próprios mas muito lúcidos. Muito bom ler e estar por aqui no GGN.
Antonio Carlos Silva - Brasil
5 de maio de 2018 11:20 pmDireto ao ponto…
Ótimo vídeo categorizando os pobres de direita :
[video:https://youtu.be/AJuKOaKGjmk%5D
povobrasileiro
5 de maio de 2018 11:40 pmpobres de direita sempre
Alguém esquece a História. A combinação de violência e enganação existem desde a revolução agrícola, há uns 10.000 anos, que introduziu a desigualdade. A escravidão foi a forma predominante de produção daí até o século XIX, com vários nomes e modelos. Os sacerdotes pregavam a colaboração, a violência cuidava dos desviados, O capitalismo piorou a exploração, fazendo com que muitos trabalhem tempo integral sem poder pagar a comida e o aluguel, quando têm emprego e não estão na reserva, para assombrar os que não querem perder o seu. Pode piorar. O tal das lojas Riachuelo é apenas mais boquirroto que seus colegas. Todos adorariam colocar os empregados fixos em jornadas de 12 horas e ter uns precários para as horinhas de sufoco. A Globo é apenas a forma atual da enganação, para que isto e as outras roubalheiras, como as dos impostos e aposentadorias, sejam aceitas como normais. Em alguns países é diferente. Quando o PP da Espanha (igual ao daqui) colocou a proposta de piora nas aposentadorias, a velharada tomou conta das ruas de todas as principais cidades e eles foram obrigados a recuar. Temos que aprender com eles..
Paulo F.
6 de maio de 2018 12:58 amConsequencia da criminalização
Quando a esquerda fica palatavél, digerível à maioria , a direita a criminaliza.
É o que a grande mídia fez com a social=democracia no pais. A extrema esquerda então é vista como onjeto zoológico.
E pobre decha testa a pecha de ladeão e vagabundo.
Paulo F.
7 de maio de 2018 4:18 ampingos nos is
Quando a esquerda fica palatavel, digerível à maioria , a direita a criminaliza.
É o que a grande mídia fez com a socialdemocracia no pais. A extrema esquerda então é vista como objeto zoológico.
E pobre detesta a pecha de ladrão e vagabundo.
observador1
6 de maio de 2018 1:22 amO pobre brasileiro é trabalhista ou escravo nato?
Nassif, faltando uma semana para a celebração dos 130 anos da Lei Áurea que aboliu a escravidão – que tinha reflexo direto na vida dos demais trabalhadores, todos sem direitos elementares -, o comentário do “troll demente” abaixo responde muitas perguntas aqui formuladas. Ele começa mentindo deslavadamente para enaltecer seu ídolo, Maluf, atribuindo ao mesmo a escolha de Olavo Setúbal para ser prefeito da capital paulista, quando foi o então governador Paulo Egydio Martins o responsável pela indicação. Em seguida, chega ao âmago da questão, ao chamar Getúlio Vargas de ditador que destituiu a direita que ele enaltece, qual seja, a direita do presidente Washigton Luiz, que se elegeu em 1926 afirmando, com outras palavras, que a questão social era uma questão de policia (como repete agora o candidato Bolsoignaro) e foi destituído em outubro de 1930 – vinte dias antes de terminar o mandato – pelas forças comandadas por GV na Revolução de 1930. O ódio da mídia e elite paulistas ao criador da CLT, dos sindicatos, do voto secreto, do voto feminino, da multiplicação da escola pública, dos projetos de Volta Redonda (siderurgia), Paulo Afonso (energia hidrelétrica) e da indústria do petróleo perdura ao longo do tempo e do espaço e, muito embora teimem em classificá-lo de comunista, Getúlio se consagrou como criador do Partido Trabalhista Brasileiro em 1945, que juntamente com o PDT de Brizola em 1979 foram os precursores do PT criado em 1980. Em síntese, o que todos insistem em chamar de comunista deve ser chamado de trabalhista. Como Lula deixou o governo em 2010 com 87% de aprovação e Dilma conseguiu se eleger para mais dois novos mandatos, não se pode afirmar que o pobre brasileiro seja um eleitor cativo da Direita, já que ele demonstrou reiteradas vezes ser trabalhista. Entretanto, voltando ao início, o fato de estarmos separados da época da escravidão por apenas 130 anos e termos sofrido 21 anos de ditadura até 39 anos atrás deve ser motivo de reflexão, pois desde 1552 o estudante de Direito e pensador francês Êtienne de la Boétie nos adverte, em seu “Le Discours de la Servitude Volontaire” que a opressão exercida pelos poderosos aos menos favorecidos ou pobres é atemporal e universal. Essa escravidão voluntária pode ser desfrutada pelos que obtém o poder pela força das armas; pelos que o herdam nas monarquias; e pelos que são eleitos pelo povo “e tomam a firme resolução de não abrir mão da res pública. Quase sempre consideram o poderio que lhe foi confiado pelo povo como se pudesse ser transmitido a seus filhos como herança. Este é o pior dos tiranos, em vícios e crueldades”. Étienne diz que a manutenção da tirania é permitida e fortificada “pela pérfida tortura do hábito, que rapidamente faz com que o povo se acostume com a escravidão. É verdade que no início serve-se obrigado e vencido pela força; mas os que vêm depois servem sem pesar e fazem de bom grado o que seus antecessores haviam feito por imposição. Desse modo os homens nascidos sob o jugo, mais tarde educados e criados na servidão, sem olhar mais longe, contentam-se em viver como nasceram; e como não pensam ter outro bem nem outro direito que o que encontraram, consideram natural a condição de seu nascimento”. O único antídoto contra essa servidão voluntária é uma educação libertária, ministrada por mestres livres e independentes, capaz de tornar antinatural essa subjugação]. Ou, no caso brasileiro, tornar antinatural o seu retorno à escravidão mediante uma reforma trabalhista que elimina conquistas históricas mas parece natural, dada a proximidade da escravidão e da ditadura de 1964. O fato da última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios) do IBGE registrar que apenas 4,3 milhões dos 26,4 milhões de desempregados e subempregados – ou que trabalham menos de 40 horas semanais – se declaram “desalentados” com a situação comprova que a mesma PNAD ainda não reflete o panorama pós-reformas. Mas, igualmente, revela que o conformismo diante do fim das conquistas trabalhistas advêm do fato de apenas 36,8 milhões de trabalhadores (num universo de 102,5 milhões da chamada População Economicamente Ativa) trabalharem com carteira assinada em 2017. Somando-se tais números às 54,1 milhões de pessoas não economicamente ativas, é possível reconhecer que o grande eleitor de 2018 seria aquele contingente de 60 milhões de pessoas beneficiadas pelos programas sociais de Lula/Dilma, pois como já dizia Graciliano Ramos, a única coisa que conscientiza nosso povo é a fome. Quando se sabe que na última eleição, quando a economia ainda não estava tão ruim quanto agora, 54,4 milhões votaram em Dilma e 50,9 milhões em Aécio, a pergunta que fica é se os vencedores do golpe ou impeachment se arriscarão a perder o poder por uma quinta vez consecutiva ou irão preferir, como diria Étienne de la Boétie, transmiti-lo hereditariamente aos seus sucessores…
Sergio Severo
6 de maio de 2018 12:56 pmO mundo das Alices aculturadas
Como podem amar tanto aquilo que não são? Porque amam o que desejam ser. Os anos passados na frente da TV, as horas diante dos pastores com seus ternos e gravatas, alguns poucos vizinhos ostentando carros com dividas intermináveis… e eles nada tinham: sem conhecimento (pois escola boa era para poucos), sem amigos ricos e bem relacionados e vivendo invisíveis nos mais escuros guetos, quer amontoados nos cortiços ou espalhados no campo.
Mas nem toda miséria é sem remédio e remediados se tornam. Um pouco de sorte e o boteco vira um mini mercado. Uma faculdade sofrida e se veem médicos, engenheiros, jornalistas e professores. Ocorre que seus clientes ainda são os mesmos. São os seus pais miseráveis, seus irmãos e amigos fracassados, sujos, grossos e feios. Onde estão aquelas pessoas lindas da TV? Onde está a gente com a qual eles merecem ter relações agora? Eles não toleram esse mundo real pois não mais se reconhecem nele. São Alices aculturadas perdidas dentro do próprio espelho.
Morvan
6 de maio de 2018 10:04 pmDiscutir Com O Pobre Direitoso Ou O Seu Condicionamento?
Boa noite.
Não é possível se implementar uma mudança no ideário sem se mudar, também, os meios que propagam a falsa ideia de que o classe média é rico. Quem dissemina a cisão e a falsa ideia de pertencimento, para os íntimos, identidade de classe? Como evitar ou mitigar tal cisão, se possível? Sabe, em respondendo a essas questões, creio, já se tem um manual de atitudes. Mais do que apontar o coxinha, que tal tentar fechar a fábrica?
Rui Ribeiro
7 de maio de 2018 2:14 pmA classe média acredita que está, de fato, na média
A classe média vota e apóia os ricaços porque ela acredita que está, de fato, na média, entre o favelado e o palaciano. Mas isso não é verdade. Se a distância entre um favelado e um grande capitalista for de 100 metros, por exemplo, estando o favelado no marco zero e o grande capitalista no marco 100, o indivíduo da classe média está no marco 10, estando, portanto, bem distante do ricaço e bem próximo do favelado. Mas eles acham que estão na média.
Num comentário posta na Carta Cappital, o Roberto Romaro disse:
Para entender São Paulo é necessário entender a classe média paulistana, formadora de opinião. A classe média é um malabarista andando em uma corda bamba a 30 metros de altura, não tem como subir e se cair o tombo será grande. O que malabarista espera é que as coisas permaneçam exatamente como estão, pois qualquer pequena mudança pode balançar a corda. Nessas condições, não há porque estranhar que o paulistano seja conservador, São Paulo tem a classe média mais numerosa do país. Enquanto houver esse abismo entre a classe média e os pobres, o simples fato de olhar para baixo continuará a provocar vertigem.
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-ascensao-conservadora-em-sp/#comment-204943
Nelson Viana dos Santos
17 de março de 2022 10:01 pmSaudades dos textos do André Araújo.
Como sempre, o estímulo para pensar.
O remediado que vota no Partido Novo!!!
O poder da Ideologia.