
da Revista Fórum
Entrevista exclusiva: Dilma diz que prisão de Lula pode ser prenúncio de adiamento das eleições
por Renato Rovai
A presidenta Dilma concedeu esta entrevista numa sala do 2º andar do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ao lado de onde estava o ex-presidente Lula. Dilma disse que ontem havia chorado. E que isso nunca acontecia com ela mesmo nos períodos duros da ditadura militar. Apesar disso, estava tranquila e confiante na força de Lula para resistir. Conversamos por mais de 1h. E 36 minutos com o gravador ligado e que resultaram nesta entrevista que você pode ler aqui. Um documento histórico, porque Dilma faz uma análise do que estamos vivendo num momento quente e envolto de um turbilhão de emoções.
Fórum – Presidenta, estamos em um momento decisivo da história do Brasil. Eu tenho escrito que a gente está entrando na terceira fase do golpe. Não sei se a senhora concorda com isso. Qual sua análise deste momento?
Dilma Rousseff – Eu concordo com você. Eu acredito que o impeachment é o ato inaugural. O golpe não é só aquele ato, a partir dali se instaura um processo. E esse processo tem várias fases. Uma delas é adotar um programa que foi rejeitado nas últimas quatro eleições. E na última eleição foi rejeitado por 54 milhões e meio de votos. E eles, ao darem o golpe, aplicam o programa de destruição das garantias sociais mínimas que nós conquistamos nas últimas décadas, ameaçam a soberania e querem instituir o Estado mínimo. Desregulamentam o trabalho, buscam uma reforma da previdência que nada mais é que um saque sob os recursos da previdência que são o maior fund anual disponível no Brasil e transformam o processo de redução da desigualdade no aumento da desigualdade. Ao mesmo tempo prometem sair da crise e só aprofundam a crise. Enfim, adotam o projeto para o qual não foram eleitos. Para o qual não tinham mandato e nem sustentação. Não tinham legitimidade.
Rui Ribeiro
6 de abril de 2018 1:43 pmO tiro do $érgio Moro vai sair pela culatra
A prisão do Lula será contraproducente. Lula é como massa de bolo, quanto mais se bate, mais ele cresce.
manoel mariano
6 de abril de 2018 2:08 pmPessimismo ou realidade?
Nesta GUERRA só há um vencedor: os Golpistas. Desde 2014 a Direita e Grande Mídia orquestraram um maquiavélico plano para perseguir o PT e o Lula… Não acreditaram e nem aceitaram a derrota de Aécio Neves para Dilma e lutaram pelo Terceiro Turno das eleições – que perdura até hoje. Revanchismo e ódio foram o resultado destes descontentes. Conseguiram!!! Só nos resta esperar a criação dos Campos de Concentração e Fornos de Cremação. O Terceiro Reich aprimorado (tupiniquim) já é uma realidade, assim como um Novo Holocausto para os que defendem a democracia e a dignidade.
vera lucia venturini
6 de abril de 2018 2:21 pmA Dilma que me mandou mudar
A Dilma que me mandou mudar de canal para proteger a Globo? A que adotou o programa do Aécio quando eu votei no programa do PT e sem dar explicações? A republicana que manteve o Zé Eduardo Cardoso no governo até a lava jato dizimar o PT e prender o Lula?
Reconheço a injustiça de sua cassação mas não me interesso por suas declarações.
Nender, o tal.
6 de abril de 2018 2:36 pmSíndrome de Estocolmo.
Pessoas submetidas a atos de extrema violência, gerlamente com exposição a presença do agressor durante algum tempo (privação de liberdade com atos violentos ou não, como tortura física), podem desenvolver diversos comportamentos pós-traumáticos.
O mais conhecido deles é a Síndrome de Estocolmo, onde as vítimas se solidarizam e até passam a socializar com o agressor.
Uns viram Miríam Leitão, outros Dilma Roussef
Mas têm pontos em comum:
Primeiro sintoma, a (auto) culpabilização, onde a vítima passa a imaginar que se adotasse ou adotar um outro comportamento em relação a si e ao agressor, ela possa ser poupada por ele.
Dilma revela esse traço quando reivindica ter ela mesma uma atuante no combate a corrupção, como esse comportamento pudesse livrá-la (e o PT e Lula) dos efeitos desse suposto combate.
Como os que imaginam que associando a ideia de guerra ao terror, ou guerra às drogas, poderão evitar o fato de que tais “combates” ou “guerras” são apenas atos de violência contra determinados alvos, como traficantes pobres e os pobres que vivem no entorno, e alguns terroristas selecionados como inimigos.
Segundo sintoma, a distorção de espaço-tempo, quando a vítima passa a “esquecer” ou formular um tempo próprio ou um espaço próprio para considerar quando foi atacada, ou quando deixou de ser “vítima” para ser também culpada, e depois, quando o agressor deixou se sê-lo para ser o seu salvador.
Quando diz que o processo conhecido como lawfare foi instalado após o golpe que a derrubou, Dilma admite a legalidade, por exemplo, da ação 470, justamente o marco jurídico inicial do lawfare.
Quando deixa de citar a primevara de 2013, idem.
Quando “esquece” de mencionar que todo esse ordenamento jurídico que permite tal Inquisição nasceu em 1988, ela busca se solidarizar com o sistema que ela imagina ter feito parte um dia como Presidenta, imaginando que, se não foi “um deles”, pelo menos foi, em algum tempo, “aceita no jogo”.
Ou seja, não tem a menos noção do que “realmente está em jogo” ou pior, se (auto) censura, buscando uma “fala republicana” como se estivesse investida em alguma posição institucional de falar para todos (inclusive seus algozes) e não como a vítima que realmente é (e foi).
Terceiro sintoma, a sentimentalização do evento. Quando admite ter chorado, Dilma busca “humanizar” um processo de desumanização de que tanto Lula como ela foram vítimas.
É a senha para acenar que, se algum dia o agressor se tornar menos agressor, ela ainda reserva traços de sentimentos humanos que possa garantir ao agressor que a sobrevivência dela (Dilma) não o ameaça em futuras retaliações.
Triste.
observador1
6 de abril de 2018 4:09 pm“Somos reféns do achaque trabalhista”….
Nassif, o açodamento em prender Lula, os vinte minutos que separam a autorização do TRF4 da emissão da ordem de prisão de Sérgio Moro não escondem um pormenor decisivo: o fracasso da celebração da prisão por todo o país quando somado à repercussão negativa em todo mundo demonstra que o golpe agora – com a detenção de Paulo Preto, o senhor dos escândalos do tucanato paulista – corre o risco de virar um contragolpe e derrubar seus responsáveis. Há seis meses da eleição, Geraldo Alckmin é a decrepitude medíocre em pessoa, que conseguiu afundar o estado mais rico e desenvolvido do país e hoje deixa a governança que exerce há mais de uma geração sem nada digno de comemoração, o dinheiro do metrô e do saneamento do Tietê desapareceu e ele nem ao menos um sucessor minimamente decente deixa para disputar seu cargo, uma vez que a imagem de João Agripino Dória não engana ninguém, com seu botox facial e a incompetência timbrando uma carreira bem sucedida como operador de caixa dois -especialista que é em aproximar políticos corruptos de empresários corruptores – mas jamais como administrador, gestor ou homem público, como demonstrou à saciedade enquanto prefeito paulistano. Mesmo que Paulo Preto não abra a boca, o tucanato paulista precisa pôr fim à Operação Lava Jato, antes que a PF e o MPF tentem demonstrar à opinião pública que não perseguem apenas Lula – sem obter provas de seus supostos crimes -; antes que Moro se refugie nos Estados Unidos para desfrutar os bônus inerentes à demolição da economia e autonomia nacionais. Entre um Haddad indicado pelo ex-presidente presidiário e um Bolsonaro movido pela extrema direita boçal e sanguinolenta, não há jornal nacional ou lavagem cerebral que converta bandido em mocinho, sem contar o estrago que uma votação majoritária em candidatos petistas pode causar aos demais partidos ungidos pela aliança entre maçonaria-pig e um judiciário sem credibilidade, que agora enfrentará as consequências do desmonte nacional que vem promovendo: até os ideólogos da mídia golpista paulista advogam o fim dos seus privilégios pecuniários abusivos e nossa adesão às eleições para juízes tal como o estado do Mississipi promove desde 1832, hoje adotadas por vinte estados confederados contrários à onipotência dos juízes e sua subordinação aos empresários mais poderosos. Para evitar que o Lulopetismo prevaleça, tais empresários-editorialistas advogam da mesma forma o voto distrital que, somado à liberação do uso de armas, teria o dom de garantir o controle do Estado pelas classes mais abastadas. Um simples referendo ou plebiscito poderia sacramentar essa mudança, depois do adiamento ou cancelamento das eleições, claro. Como diz um herdeiro do Estadão, “basta de sermos reféns do achaque trabalhista”, argumenta, esgrimindo as consequências da desigualdade econômica atual como trunfo imbatível: só assim evitaríamos as 60 mil mortes anuais provocadas pela violência no país, afiança, depois de elogiar o ministro Alexandre Moraes, já declinando talvez o nome de seu candidato ao palácio do Planalto…