4 de junho de 2026

Marcelo Odebrecht confirma que Temer pediu R$ 10 milhões para o PMDB

Por outro lado, ilações de jornal que teve acesso à delação, sobre denúncias do ex-presidente da empreiteira contra Lula e Dilma, não se confirmaram
 
Michel Temer e seu assessor especial do gabinete pessoal, José Yunes
 
Jornal GGN – Dentre os 77 executivos e ex-funcionários da Odebrecht a delatar nas sequências de acordos desde a última semana, o mais esperado é de Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo. Um dos seus depoimentos à Lava Jato ocorreu nesta segunda-feira (12), em Curitiba. Segundo a Folha de S. Paulo, Marcelo confirmou o repasse de R$ 10 milhões ao PMDB a pedido de Michel Temer.
 
O ex-presidente da empreiteira reafirmou que, em maio de 2014, Michel Temer convidou Odebrecht e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para acertar o pagamento do montante em caixa dois para a campanha peemedebista. O destino do dinheiro teria sido decidido por Padilha.
 
Entretanto, Marcelo confirmou que parte dessa remessa foi feita, em dinheiro vivo, em São Paulo, no escritório de José Yunes, assessor e amigo de Temer.
 
Na última semana, Severino Motta do BuzzFeed já havia adiantado o conteúdo de delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, informando que José Yunes recebeu R$ 10 milhões da empreiteira para as campanhas peemedebistas, a pedido de Temer, em 2014.
 
Com mais detalhes, o executivo disse que dos R$ 10 milhões, R$ 6 milhões, ou seja, mais da metade, eram destinado a Paulo Skaf, então candidato do PMDB ao governo de São Paulo, e outros R$ 4 milhões seriam destinados a Padilha para as campanhas do partido.
 
Yunes é conselheiro amigo de Temer há 40 anos, já se considerando “psicoterapeuta político” do peemedebista, e foi nomeado para a assessoria especial da Presidência e teria recebido, em espécie, parte desse montante, como caixa dois para a sigla.
 
“Os recursos que Melo Filho cita em sua delação não foram depositados em contas partidárias conforme manda a Justiça Eleitoral. Aos investigadores, ele revelou que um dos endereços de entrega do dinheiro teria sido a rua Capitão Francisco, nº 90, em São Paulo. Justamente a sede do escritório José Yunes e Associados”, adiantou Severino Motta, na última semana.
 
 
A reportagem da Folha, que reforça o depoimento de Marcelo, faz ilações e suposições sobre o conteúdo da delação de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo e patriarca da empresa, que também prestou depoimento desde terça-feira (13) à equipe de procuradores da Lava Jato.
 
Na suposição do jornal, tanto Emílio, quanto Marcelo, deverão falar sobre a relação da empreiteira com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Por outro lado, se o diário teve acesso à primeira delação do ex-presidente, como informou confirmando os dados relativos a Temer, significa que o executivo não trouxe dados sobre os ex-mandatários petistas, como previu.
 
“Marcelo deve contar como pediu à ex-presidente Dilma que intercedesse para que a Caixa Econômica ajudasse no financiamento da obra –os dois teriam discutido o assunto numa visita ao estádio. Os relatos apresentados aos procuradores informam que Marcelo era o responsável por tratar dos assuntos da empreiteira com a alta cúpula do Executivo, ou seja, a Presidência da República”, publica a reportagem.
 
Entretanto, a suposição ainda não foi confirmada e não integrou as delações realizadas, pelo menos por Marcelo Odebrecht, até esta segunda-feira (12). O executivo ainda deve prestar outros depoimentos.
 
Conforme o GGN mostrou,  o caso traz à tona outro episódio tentando envolver o atual presidente da República: a tentativa de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e um dos caciques do PMDB, de apontar que se a tese de Moro e da Lava Jato fosse correta sobre liderar uma das frentes de corrupção na Petrobras, Temer não só saberia de tudo, como também seria ele o responsável.
 
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. Juliano Santos

    14 de dezembro de 2016 2:11 pm

    E agora Jose? Se o xadrez do

    E agora Jose? Se o xadrez do Nassif não fosse uma mistura desse tradicional e prestigiado jogo com o infantil e prosaico pique-esconde, diria que era xeque-mate.

    Mas sempre tem um Gilmar para dar um chute no tabuleiro. E o Temer pode se esconder atrás do PSDB 

  2. Veri

    14 de dezembro de 2016 2:52 pm

    Agora é cada Golpista por si e a Odebrecht contra todos

    O Governo Temer vai se arrastar até quando? Porque esses Reptilianos e todos os Partidos que os apóiam não saem de cena e deixam de atrapalhar a vida de quem trabalha?

  3. mcn

    14 de dezembro de 2016 3:58 pm

    Juizeco de provícia agrícola

    Posso estar engando, mas tô achando que Emílio e Marcelo Odebrecht estão fazendo o MPF de bobo e o juiz Moro de besta.

    Articularam delações na Suiça e nos EUA pra se prevenir, e estão mirando todos os tiros no PMDB e no PSDB, contra a vontade da Força-Tarefa. Segundo o Twitter, Lula e Dilma só aparecem nas delações da Odebrecht com os codinomes “num tô” e “num tá”…

    Pelo pouco que conheço, os Odebrecht são o 1% do 1%, ou seja: a parcela culta, esclarecida e politizada da elite brasileira. Estão num outro patamar, não são páreo para Moro, que é medíocre nos planos estratégico, tático e ético, e que vem se mostrando incapaz de enfrentar defesas mais técnicas, tipo a de Lula.

  4. Maria Luisa

    14 de dezembro de 2016 4:21 pm

    Presente de grego

    Interessante que até aqui as extorsões premiadas feitas com a Odebrecht pegam em cheio o PMDB. Se tivesse algo real sobre o PT, ja teriam vazado, ou então, Sérgio Moro espera o grand final para condenar Lula.

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