4 de junho de 2026

2016 não poderia ter outro homem do ano, por Juliana Moura Bueno

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Jornal GGN – Cientista política e ex-chefe de Gabinete da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Juliana Moura Bueno comenta a premiação da revista IstoÉ que escolheu Michel Temer como o “brasileiro do ano” e o juiz Sergio Moro o vencedor na categoria “Justiça”.

Para ela, caso não fosse a foto onde o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e Moro aparecendo conversando animadamente, talvez ninguém teria percebido que estavam ali reunidos os “homens que mais trouxeram instabilidade ao país”.

A cientista política ressalta que não encontrou mulheres entre os vencedores do prêmio e conclui que, em um golpe feito por homens brancos e para homens brancos, o homem do ano não poderia ser ninguém além de Michel Temer.

Leia o artigo completo abaixo:

Do Justificando

O homem do ano não poderia ser outro

Juliana Moura Bueno

A foto estarrecedora que circulou o Brasil com rapidez ontem choca não apenas pelo prêmio, ou pelas trocas de amores, mas pelo momento. Talvez seja a maior concentração de fatores inoportunos que uma única foto poderia condensar

O prêmio “Homem do Ano” da Revista IstoÉ não é tão conhecido como parece, e nem foi uma invenção brasileira. A Revista “Time” americana premia desde 1927 o “Man of the Year”- que a IstoÉ passou a gentilmente copiar.

Essa tradição de escolher um “homem do ano” surgiu, ao contrário do que muitos pensam, não para laurear alguém que se destacara por seus feitos na sociedade americana, mas porque precisavam preencher a semana com notícias. A adaptação tupiniquim à cargo da Revista IstoÉ, se transformou em um baile de tapete vermelho onde políticos de uma casta e endinheirados se encontram para se gabar de seus feitos durante o ano, e exibir suas damas – belas, recatadas e do lar, claro. O nome do próprio prêmio já diz, é “Homem” do ano, e não “Personalidade” do ano. Se fosse uma personalidade do ano, quem sabe uma mulher até poderia vencer. Mas não. No prêmio, as mulheres são consorte.

Em 2014, os homens do ano foram Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente, e Bill Clinton.

Em 2015, o “discreto” juiz, como era chamado Sergio Moro à época, foi escolhido. Em 2016, quem tirou a sorte grande foi Michel Temer.

Não fosse a foto que circula pelas redes sociais incessantemente, talvez nem tivéssemos prestado atenção ao fato de que no Palco, estavam, felizes e contentes, os homens que mais trouxeram instabilidade ao país, sob o pretexto de erradicar a corrupção. Investigadores e investigados sentam-se juntos para celebrar seus feitos.

Em meio ao caos da república e a mais grave crise institucional que o Brasil dessa geração, Aécio Neves, Michel Temer, Sérgio Moro, José Serra, Gilmar Mendes, Abílio Diniz, Geraldo Alckmin e João Dória, celebram-se uns aos outros aos risos e gargalhadas. Na plateia, os verdadeiros contentes: os especuladores financeiros e os agentes do capital internacional vendo a constituição brasileira e direitos como a previdência, a saúde pública e a educação derreterem, a especulação financeira aumentar, a classe trabalhadora perder garantias para que possa ser explorada da forma mais adequada. Assistiram seus heróis serem laureados, as custas do sofrimento povo brasileiro. Quem liga?

Talvez o que nos deixe mais perplexas e perplexos não é o fato de que Sergio Moro fora escolhido “Homem do Ano” na categoria “Justiça”, João Dória o vencedor na categoria “Política”, e Michel Temer o grande “brasileiro do ano” por uma revista como a IstoÉ que atuou incessantemente para que o impeachment sem crime de responsabilidade e sem base legal desse certo. Mas sim a reunião entre a concertação e o deboche. O riso e o cinismo. Os privilégios escancarados e o sadismo. Quão à vontade se sentem esses homens de estarem entre si. Não fosse o banner atrás da foto indicando do que se tratava o evento, concluiria que aquele era o encontro de fim de ano da confraria do golpe.

Ao fazer uma pesquisa, não achei uma única mulher que tivesse sido premiada pela IstoÉ. Faz todo o sentido. Não por acaso as mulheres, em especial, as negras e pobres, serão aquelas que mais sofrerão com as medidas do Governo Michel Temer – elas são hoje a parcela da população que está mais desempregada, que tem menos carteira assinada e que tem renda menor comparativamente. Os dados são da PNAD trimestral publicada na última semana de novembro pelo IBGE. A invisibilidade não é um mal, é um pressuposto.

Em um golpe de homens brancos, para homens brancos, o homem do ano não poderia ser ninguém mais do que ele mesmo, a personificação do pior ano que a sociedade brasileira já viveu desde os idos de 1980: Michel Temer.

Juliana Moura Bueno é Cientista Politica e Feminista, foi Chefe de Gabinete da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e também trabalhou com Direitos Humanos na Prefeitura de São Paulo e no Escritório da ONU para Drogas e Crime (UNODC) para América Latina e Caribe no México. Hoje é Consultora da ONU Mulheres.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. Almeid

    9 de dezembro de 2016 4:10 pm

    O acordão
    O Aecio voou junto

    O acordão

    O Aecio voou junto com Michel para SP, antes ele ligou para jornalista da globo e avisou que haveria sessões extraordinárias para a PEC 55. 

  2. Marcos Antônio

    9 de dezembro de 2016 4:16 pm

    A istoé com esta pareou com a

    A istoé com esta pareou com a veja!

    Estão disputando cabeça a cabeça o pior semanário do brasil!

    Dá para acreditar nesta revista? 

  3. Marcos Carvalho

    9 de dezembro de 2016 5:14 pm

    Eu não sou Golpista não.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=lxE5bcowbRk&feature=youtu.be%5D

  4. Snaporaz

    9 de dezembro de 2016 5:21 pm

    Valei-nos, São Geraldo !(pelo

    Valei-nos, São Geraldo !(pelo menos, 10%…)

     

  5. jose antonio santosjj

    9 de dezembro de 2016 5:26 pm

    quem acredita?

    Quem ainda acredita nessas premiações?

    Para que servem?

    Que contribuição podem dar?

    Mais insignificantes e desnecessarias do que discussão de bebados! 

  6. +almeida

    9 de dezembro de 2016 5:59 pm

    Confraria

    A galeria dos conspiradores não poderia estar mais bem representada. Dizem que as pessoas nefastas em vez produzirem sombra produz trevas. Então, estão no lugar certo e com as companhias que merecem. 

  7. Marcelo33

    9 de dezembro de 2016 7:34 pm

    Pq a Isto é nunca elegeu o Zé

    Pq a Isto é nunca elegeu o Zé da Justiça o homem do ano ???

    Garanto que a diretora de Brasília da revista iria adorar…

  8. Frederico69

    9 de dezembro de 2016 7:41 pm

    mas nem assim, Juliana

    a palavra homem engloba um punhado de significados, que não se aplicam as criaturas em questão!

  9. Fábio de Oliveira Ribeiro

    9 de dezembro de 2016 8:01 pm

    Os acordos feitos esta semana
    Os acordos feitos esta semana por Temer, Senado e STF para prejudicar o povo brasileiro validaram minhas previsões para 2017:

    https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/previsoes-para-2017#.WEsJwZppqMw.twitter

  10. Gilson AS

    9 de dezembro de 2016 8:41 pm

    Uma foto vale mais que mil

    Uma foto vale mais que mil palavras, já dizia não sei quem.

    Reparem os rostos tensos e carrancudos dos premiados.

    Cadê a alegria e o sorriso por receberem tão grande honraria.

    Eles sabem que isso tudo não passa de uma farsa, mentira, uma armação.

    Reparem a alegria do Temer ao ser laureado o homem do ano.

    Alegria esfuziante e sorriso aberto.

    Esses títulos não enganam nem os coxinhas mais espertos, se é que existe algum.

  11. Betty Hastings

    10 de dezembro de 2016 4:12 am

    Homem do Ano

     Muito antes de a IstoÉ fazer esse prêmio, a revista Visão já fazia isso. O prêmio se chamava O Homem de Visão do Ano, mas era a mesma coisa. 

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