
Jornal GGN – Reforma não é só supressão de direitos e conquistas, reforma vai mais longe. O termo e o ato foi capturado pelo neoliberalismo, mas é fato que sempre foi defendida pelos progressistas no Brasil, desde 1960, quando eram defendidas as Reformas de Base, a agrária, a urbana, a sanitária e a educacional, para que se modernizasse o país com justiça social. Este é o mote do artigo de Nabil Bonduki, de hoje, na Folha. É preciso retomar a pauta de reformas, mas as progressistas, tão essenciais para que a esquerda se reerga.
Leia o artigo a seguir.
da Folha
por Nabil Bonduki
Poucos artigos desta coluna causaram reações tão contraditórias como “Reforma pela Esquerda”. Muitos elogiaram o texto, que aponta para a necessidade de reformas estruturais, outros o criticaram, afirmando que ele contribuía para “as forças políticas que estão destruindo direitos e golpeando a democracia”.
No Brasil pós-2016, o termo “reforma” tem sido relacionado, exclusivamente, a propostas defendidas pelo mercado para reduzir o tamanho do Estado e suprimir direitos conquistados no século 20.
Mas ser contra essas “reformas” não significa ignorar as causas estruturais da atual crise nem se omitir em relação a premência de implementar mudanças para enfrentá-la.
Por falta de iniciativas da esquerda, o neoliberalismo vem tentando capturar o termo “reforma”. Mas ele sempre esteve ligado, em todo o mundo, ao campo popular e progressista que, no Brasil dos anos 1960, defendia as “Reformas de Base” (agrária, urbana, sanitária, educacional), para modernizar o país com justiça social.
Em “A Difícil Democracia: Reinventar as Esquerdas”, Boaventura de Sousa Santos aponta para a urgência de esquerdas reflexivas. Ele defende “refundar as esquerdas, depois do duplo colapso da social democracia e do socialismo real”. “Não questiono que haja um futuro para as esquerdas, mas seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado.”
“No poder, as esquerdas não têm tempo para refletir sobre as transformações que ocorrem nas sociedades. Quando não estão no poder, dividem-se internamente para definir quem será o líder nas próximas eleições e as análises ficam vinculadas a esse objetivo. Essa indisponibilidade para reflexão, se foi sempre perniciosa, é agora suicida.”
A frase, escrita em 2011, é perfeita para o Brasil de 2018. Palavras de ordem, sem reflexão e proposições consistentes, em clima de polarização simplificadora, são insuficientes para enfrentar a crise atual e apontar um futuro promissor para o país.
Para se constituir como uma alternativa, a esquerda precisa construir, em um amplo debate, uma agenda de reformas, que não foram viabilizadas em 13 anos de governo do PT.
O arranjo político com forças conservadoras e interesses corporativos que sustentaram o governo dificultaram ou impediram a implantação de mudanças estruturais, indispensáveis para evitar o colapso do modelo distributivo e garantidor de direitos que se buscou implementar.
Uma esquerda reflexiva, aberta ao debate e críticas, é fundamental para propor alternativas às antirreformas de Temer e formular uma agenda que deve incluir temas como reformas política, tributária, previdenciária, agrária, urbana e do Estado.
Rei
16 de janeiro de 2018 12:49 pm“Refundar”… algo que nunca foi feito na história do universo
Eu não entendo esse papo de “refundar a esquerda”… alguém já fez isso em algum lugar do mundo???
Acho que só o tempo e o surgimento de novas lideranças é capaz de RECONSTRUIR a esquerda… RECUPERAR território e popularidade.
Se fosse possível “refundar” alguma coisa… pode ter certeza que já teria sido feito.
Vale lembrar que a direita ficou décadas falando em “refundar a direita”… “endireitar o Brasil”… porém apenas um alinhamento de planetas foi capaz de fazer isso… e agora vivemos nesse caos.
A DIREITA NÃO SE “REFUNDOU”, NÃO SE “PREPAROU”, NÃO “PLANEJOU”… SÃO UM BANDO DE IDIOTAS OPORTUNISTAS SEM PLANO ALGUM… MAS ESTÃO LÁ… ROUBANDO O PAÍS.
Guilherme Souto
16 de janeiro de 2018 12:57 pmNesse momento sem chances,
Nesse momento sem chances, pois os esforços estão no sentido de salvar o PT, bem como manter o centralismo político em Sao Paulo.
ze sergio
16 de janeiro de 2018 1:02 pmuma….
É preciso que a Sociedade Brasileira exija a Democracia Plena. Do Povo, pelo Povo, para o Povo. A Gestapo Ideológica não tem mais eco. 40 anos de farsas. O Brasileiro já percebeu que o bolo cresceu e alimentou a mais nova Elite Tupiniquim. Ampliou mais alguns cômodos na Casa Grande que agora virou Mansão. Mansão com uma ala inteira pintada de vermelho. Os tais AntiCapitalistas estão lotando Lisboa, Paris, Los Angeles ou alguma cidade norte americana. Uma passada rápida por Cuba e semanas de compras em Terras Yankees. Até que Trump e sua turma não são tão ruins assim, não é mesmo Esquerdopatas? Que atire a primeira pedra quem não tiver o boné do Mickey Mouse !!!!!! Nada como um dia após o outro. A Verdade Vos Libertará.
Conde de Rochester
16 de janeiro de 2018 2:12 pmPalavras de ordem, sem
Palavras de ordem, sem reflexão e proposições consistentes, em clima de polarização simplificadora, são insuficientes para enfrentar a crise atual e apontar um futuro para as esquerdas.
A bem da verdade o que alem disto poderia se fazer no presente?
Qdo no poder as esquerdas contavam com o apoio do centro do espectro politico a seu favor, naquele momento poderia se patrocinar as mudanças necessarias ou as chamadas reformas que viabilizasse a economia num rumo de prosperidade e um voo de longo alcance. Se acomodaram e deixaram as coisas rolarem, naquela estoria de deixar estar parA VER COMO FICA…
A direita pegou o bastão destas reformas imprescindiveis para qualquer projeto de prosperidade e tirar este bastão das mãos dos politicos é uma tarefa realmente dificil.
O que fazer alem de aceitar o destino, as revoluções cairam de moda.
E agora José?
alexis
16 de janeiro de 2018 4:28 pmA sequência lógica
Ocorre que perdemos a sequência lógica na década de 90, onde conseguiram frear Brizola e colocar Lula no 2º turno contra Collor. Brasil precisa de nacionalismo, de recuperar a nação e de um projeto desenvolvimentista, antes de discutir “esquerda”. Para 2018, a chance seria Lula no governo com o programa de Roberto Requião e turma (onde o próprio PT está incluído). Assim, teríamos a chance de retomar a sequência e termos um projeto “Brizola” durante algum tempo, recuperando o sentimento de nação. Com uma casa para chamar de nossa poderemos, na sequência, discutir relação, família e até sexo, como querem os modernosos precipitados de hoje.
drigoeira
17 de janeiro de 2018 10:29 amOpa…é por aí mesmo…
Refundar a esquerda num país que nem capitalista é!
Por isto a confusão do pessoal concluíndo que o governo Lula foi um governo comunista. Está tudo confuso.
O pensamento da direita no Brasil defende idéias da era colonial e o pensamento da esquerda defende idéias capitalistas.
A idéia é boa mas precisa do aval dos “Donos do Brasil” primeiro, o que acho difícil.