
Como pensar em transformação se os sonhos foram colonizados na primeira semana de aula?
por Marcelo Gouveia Nascimento¹
Violência, caos, desmotivação e distância do pensamento progressista pôde ser notado em uma semântica clara e com palpabilidade durante minha atuação como professor de uma escola pública. A aberração intelectual alinhada a malvadeza tomada pelos estruturadores educacionais fizeram com que qualquer que seja o professor ou professora progressista se aprofunde em solidão e vista os óculos inibidores do progresso em uma sala de aula em bairros periféricos. É uma experiência importante relacionar o estado em que se encontra um bairro cujo o CEP é considerado violento pela Polícia Militar e cruzar as informações com a situação vigente da escola pública ali inserida. Parece que o descaso com aquilo que é público não é condição apenas do bairro. Parece que também está incluso o formato em que a escola pública está desenhada. Parece que não são só os meus sonhos, mas as ruas do bairro periférico e todo o espaço escolar foi colonizado por alguém cuja má intencionalidade dissolve-se em sua prática política.
Em algum dia do mês de setembro de 2017 tive minha primeira atuação como professor da rede estadual paulista. Em algum dia do mês de setembro tive meus sonhos referentes a transformação dos(as) estudantes de baixa renda completamente colonizados por algum autocrata descompromissado com políticas públicas de qualidade para sua população. Autocrata este muito conhecido por todos os(as) profissionais contratados(as) e efetivos(as) nas escolas pública de São Paulo. Autocrata este descompromissado com o crescimento intelectual de seus eleitores e não-eleitores com poder de compra reduzido ou ausente. Autocrata este cuja safadeza encontra-se dissolvida em seu discurso como futuro concorrente ao cargo presidencial nas eleições de 2018.
O partido deste sujeito lidera as políticas educacionais. E pelo que consta, já contabilizam mais de 20 anos que sua engenharia de desmonte da Rede Pública de Ensino foi aplicado. Para estar no poder paga-se um preço elevado. Na verdade, para estar no poder, Toninhos, Joãozinhos, Marias e Marcinhos acabam por pagar o preço elevado de tal engenhosidade com profunda inocência. Engenhosidade esta aplicada sem consulta. Aplicada de cima para baixo.
Logo na primeira semana de aula notei o interesse dos(as) estudantes durante o intervalo entre as aulas no período noturno. Tal interesse estava intimamente alinhado a sensação de fome. Tal sensação não tem cor. Tal sensação tem endereço e CEP certo. Tal sensação tem descrição. Tal sensação só pode ser explicada de forma fidedigna pelo sujeito que busca saciá-la cotidianamente. Impossível assinar o ponto docente e não voltar para casa em permanente protesto.
É condição sine qua non escutar a seguinte frase em uma escola pública de periferia: compareço a escola por causa da comida oferecida². Experiência Kafiesca presenciada justamente em um cenário onde o assalto a merenda escolar foi descoberto. Caso investigado e atribuída responsabilidade a alguém. Como pode viver com tranquilidade aquele que desviou e sabe da situação dos estudantes. Na verdade, será mesmo que o autor do roubo sabe? A manchete do jornal fala de desvio. Aqui chamo de assalto. Minimizar ato ilícito é fácil pelo meio de comunicação. Difícil é delegar responsabilidade com respectivo nome do ladrão e caracterizar assalto como assalto.
Frente a situação colocada, o pensamento pós-moderno sugere equacionar o problema da falta de comida com exóticos manuais de economia estrangeiros na qual consta a defesa da permanente retirada do estado ou sua micro-intervenção na sociedade. E para encurtar o assunto, com discursos direcionados a liberdade do mercado. Liberdade para aqueles que estão em situação de baronato no alto escalão de suas empresas. A pós-modernidade não se deu conta que aquele que pensa assim nunca refletiu sobre a sensação da fome. Muito menos nas condições em que se encontra a escola pública.
Segundo o dicionário Houaiss o conceito de escola tem o seguinte significado: estabelecimento público ou privado destinado ao ensino coletivo. Naquele espaço público não se pode afirmar predominância do ensino. Não se pode nem mesmo ser chamado de escola, cujo cerne da presença de alguns estudantes está direcionado em saciar sua vontade de comer, ou seja, obter energia através da alimentação para diminuir sua queima de gordura corporal cotidiana. Objetivo este alinhado a sua sobrevivência. A escola ensina. Esta é a sua função.
Aquilo é um prédio público com pessoas inseridas. Apenas isso. Onde há colonização da educação não se pode falar em metodologia de ensino-aprendizagem muito menos em seguir a risca o cronograma escolar tentativo. O colonizado, historicamente, é conhecido pela presença da submissão e pela ausência de vislumbrar uma situação melhor comparada a qual está inserida.
É importante ressaltar que a estratégia da colonização não foi inserida apenas a minha pessoa. Parece que encontrar profissionais progressistas é algo similar a espera de políticas educacionais repletas de decência e pensar certo dos líderes estatais. Não encontrei durante atuação passada³ e presente. Ou seja, a gaiola epistemológica do discurso sectário, a prática educacional licenciosa e irresponsável e a falta de visão emancipatória parece estar no limbo profundo. Provavelmente o homem que arquitetou tudo isso deve ter pensado que tais ações coadunariam com o desmonte da escola pública. Provavelmente este homem deve estar sorrindo com os resultados obtidos. Sem dúvida nenhuma, deu certo suas estratégias com vistas ao permanente desmonte do cenário educacional paulista. Permanência esta que coadua com duas fomes: fome de comida e fome da cabeça. E como sempre, atingindo o subalterno e eterno colonizado.
Senti manifestação da colonização até mesmo com os responsáveis pela burocracia referente ao meu cargo. Cada solicitação colocada para a diretoria encontrava-se alinhada a insistência semanal de minha pessoa. Algumas ações e respostas demoravam meses. E, em última ocasião, só conseguia respostas após ameaça de prevaricação em forma de denúncia no órgão supervisor do espaço público. Outro fator importante é a ausência total das informações necessárias para o(a) profissional recém chegado(a). Condição esta necessária ao bem estar durante o trabalho e que reflete (e muito) em sua atuação profissional. Na primeira semana não fui apresentado aos(as) estudantes e nem ao menos tive conhecimento das salas em que iria lecionar. Na primeira semana não tive a oportunidade de conhecer o espaço público e quem eram as pessoas que trabalhavam ali. Na primeira semana só fiquei sabendo que o profissional responsável pela aulas de Química foi derrubado por mim em função de ele ser contrato como categoria F e eu ser considerado efetivo. Como pode ser algo natural este linguajar ofensivo que remete não só ao desmonte mas a agressão direta ao profissional contratado? É um absurdo tal naturalidade. Não é de minha índole voltar para a casa sem estar em formato sinônimo à estrutura da escola pública: em permanente desmonte sem vistas a alusão das condições básicas e necessárias para o estabelecimento de metodologia de ensino-aprendizagem transformadora.
A procura do diálogo com os(as) estudantes ocorriam sempre de forma cuidadosa. Cuidado demasiadamente estabelecido com vistas a não permitir que a rebeldia tomasse conta de minhas ações. Praticamente em todos os diálogos que estabelecia com os(as) estudantes, uma situação de opressão era denunciada a minha pessoa. Não é uma tarefa tão trivial sintetizar a morbidez e a falta de otimismo implícitos nos discurso colocados pelos estudantes. Resumi-lo-eis (esta eu aprendi com o presidente que não foi eleito) em dez as alegações colocadas pelos(as) estudantes com devida transcrição e com distância da manipulação dos dados. Tomo a liberdade de batizá-los como as dez ofensas cotidianas em que um(a) estudante passa na escola pública periférica:
Ofensa número 1 – Os(as) professores(as) passam texto na lousa e temos que copiar apenas, poucos são aqueles que explicam algo. O texto é passado e posteriormente o(a) professor(a) dá um visto ou carimba nosso caderno. A avaliação é dada pela quantidade de vistos no caderno. Somos copistas dos textos colocados no quadro;
Ofensa número 2 – Nesta escola ocorre muitas faltas de professores(as) e eles(as) sempre fazem greves durante o ano. Aulas de sexta-feira praticamente não existe e são poucos os(as) estudantes que comparecem. Na maioria das vezes temos que sair bem mais cedo, pois não tem professor(a) ou não tem estudantes. Tem salas em que a ausência é total. Quando tem emenda de feriado a semana é perdida;
Ofensa número 3 – Várias vezes ficamos sem a primeira ou a terceira aula. As vezes ocorre de um(a) professor(a) adiantar a aula e assim temos que sair mais cedo;
Ofensa número 4 – O calendário escolar parece que foi feito propositalmente com vários dias sem aula. Além disso, tem professores(as) que fazem campanha de sala em sala exigindo que os(as) estudantes não compareçam em um determinado dia;
Ofensa número 5 – As salas de aula estão sempre sujas, com os equipamentos destruídos e com notório vandalismo. O ambiente é parecido com um cenário de pós-guerra;
Ofensa número 6 – Ocorre muito tráfico de drogas durante as aulas e o consumo entre os(as) estudantes é notório e cotidiano. As vezes o banheiro fica com um odor ruim em função do uso das drogas;
Ofensa número 7 – As vezes os(as) professores(as) e os(as) funcionários(as) da secretaria tratam muito mal a gente. Parece que somos animais;
Ofensa número 8 – Os espaços de leitura e a sala de informática são inexistentes e vários locais da escola encontram-se abandonados ou destruídos;
Ofensa número 9 – Tem semanas que a merenda tem o mesmo cardápio: arroz e salsicha enlatada e
Ofensa número 10 – Para passar de ano os(as) professores(as) cobram só presença e nada mais, ou seja, não há reprovação nesta escola, desde que você venha com certa frequência.
Caso o(a) leitor(a) apresente desconfianças frente ao conteúdo apresentado nas dez ofensas cotidianas em que um(a) estudante passa na escola pública periférica, torno público o convite para investigação do que foi apresentado. No corpo deste texto, o(a) leitor(a) encontrará também as dez ofensas cotidianas em que um(a) professor(a) passa na escola pública periférica. E se houver desconfianças, faço o convite também para a consulta e verificação da validade do conteúdo apresentado.
Ainda em minha primeira semana como professor efetivo, optei em não me isolar da sala dos(as) professores(as) durante os vinte minutos de intervalo entre a terceira e a quarta aula noturna. Continuei a busca por profissionais que possuem um norte político fidedigno e vislumbram mudanças das condições de trabalhos colocadas de cima para baixo pela gestão pública.
Aprendi em minha trajetória que em hipótese alguma um direito será dado como ato benevolente do autocrata com vistas ao querer bem de uma categoria profissional inserida no setor público. Apostei minhas fichas no estabelecimento da política dentro e fora de qualquer que seja a atuação profissional, seja no setor privado ou no setor público. Construção de alianças políticas (partidárias ou não) promovem maior força dos discursos e nas solicitações ou exigências do corpo docente.
Quando entrei na sala dos(as) professores(as) os pensamentos progressistas, a vontade de transformação e a retórica cuidadosa com o estabelecimento de discursos com conteúdos obtidos em diversas obras fizeram parte de minhas ações, porém, não me valeram de nada após adentrar-me com vistas a busca do diálogo com os(as) docentes que ali estavam. Sem sombra de dúvida, a colonização foi imposta em praticamente todo o corpo docente daquele espaço público. A tentativa de diálogo progressista era praticamente um monólogo ou uma competição com o noticiário ou a novela televisa daquela noite.
Em um rápida conversa sobre a situação das escolas públicas de nosso país com uma professora de Língua Portuguesa encontrei um conteúdo vazio e distante de referencial teórico. A visão pessoal e a carência de leitura era nítida sobre o tema na qual conversávamos. Para ela, o problema da escola é uma total culpa da obra Freiriana e que estas leituras devem ser banidas dos cursos de licenciatura e pedagogia. Sem dúvida nenhuma uma retórica fraca e sem prévia leitura, mesmo que descompromissada da obra do professor Paulo Freire. Não arrisquei contrapor suas ideias. Minha réplica foi na direção de substituir o autor por outros autores como Gérard Vergnaud, Emília Ferreiro, Henry Wallon Jean Piaget e Vygotsky na tentativa de melhorar a educação. Não obtive tréplica da professora. Nitidamente a colonização não contaminou apenas o espaço público e as condições de trabalho dos(as) professores(as). A colonização conquistou até mesmo o raciocínio e a intelectualidade dos(as) professores(as).
A despeito disso, a seguinte pergunta pode ser estabelecida: por qual motivo esta professora pensa assim? A resposta é simples e objetiva: o estado paga um salário vergonhoso para o professorado e os mesmos necessitam ocupar três períodos didáticos para conseguir ter o mínimo para cuidar de si próprio e de sua família. Nesse sentido, como exigir leituras aprofundadas sobre diversos temas em educação se os professores não possuem tempo nem para acompanhar o rendimento escolar de seus filhos? Toda estratégia colonizadora apresenta engenhosidade e desconexão com o querer bem de uma classe de trabalho importante e transformadora.
A colonização produziu também o(a) professor(a) anestesista. Em diversas ocasiões questionei ações que foram direcionadas ao corpo docente sem consulta prévia e tentei articulação para produzir um discurso de negação. Em diversas ocasiões apresentei ideias que poderiam ser aplicadas com vistas a melhorar a situação de trabalho e a evolução estudantil. Em diversos momentos me deparei com as seguintes frases na elaboração das resposta frente minhas estratégias: não vale a pena tentar, é assim mesmo e nunca irá mudar ou já tentei questionar e me recusar no passado e percebi que mudanças para o melhor nunca são construídas. Estes(as) profissionais encontra-se em estado anestésico e apresenta competência na aplicação de anestesia naquele(a) que entra no sistema. Mais um resultado obtido pela colonização.
Em um determinado dia fui notificado de que deveria participar obrigatoriamente de reuniões as sextas-feiras antes do horário de aula, para tratar assuntos referente ao rendimento dos(as) estudantes e assuntos gerais referente a escola. No dia e horário compareci com pontualidade britânica. No dia e horário fui notificado que não haveria mais a tal reunião. Como não se aborrecer frente a esta falta de diálogo e compartilhamento de informações? É muito difícil pegar o telefone ou o e-mail de todos(as) os(as) professores(as) e avisá-los(as) com antecedência? A colonização conquistou até mesmo o respeito profissional entre gestão escolar e corpo docente?
Na segunda reunião programada, novamente tive presença marcada. Era uma espécie de debate sobre o rendimento e participação dos(as) estudantes. Participei durante 25 minutos desta reunião que teve duração oficial de 1 hora e 40 minutos. Os 25 minutos foram necessários para saber que a oxigenação daquele recinto estava prejudicando meu juízo e minha tomada de conduta. Procurei a saída e o pleno isolamento. A colonização é escravagista da intelectualidade do pensar correto. A colonização faz com que os professores cometam agressões aos estudantes sem ao menos eles estarem presentes.
Sinceramente, assumo constante dificuldade em relatar os acontecimentos vivenciados durante aqueles 25 minutos de reunião pedagógica. Os discursos assistidos foram a prova cabal de que sem nenhuma dúvida o corpo docente encontra-se aprisionado em um exílio que poderá beirar a aposentadoria do cargo público. Mais uma vez, como pode um líder político engaiolar epistemologicamente um corpo docente inteiro e transformá-lo em um opressor dos meninos pobres que estudam em uma escola de favela? Como pode um líder político fazer com que estes professores emitam discursos elitistas sendo que os mesmos não são os donos do meio de produção? A colonização deu certo.
A primeira aberração foi quando presenciei o seguinte discurso emitido por uma professora: não interessa o que ela passa na sua vida privada, se tem problemas mentais ou não, ela deve comparecer as aulas. Pra encurtar o discurso de ódio: aqui não tem aquela gente que fica defendendo pobre. Não sei como comentar as linhas colocadas acima. Mas sei muito bem quem está por trás da malvadeza deste discurso.
A segunda aberração foi notada quando um grupo de professores(as) juntamente com o líder da reunião (professor coordenador) comentava a atuação dos estudantes com pouca presença ou daqueles cujas ações eram repletas de liberdade mal centrada (estudantes indisciplinados). Confesso estar em permanente estado de vergonha (alheia também) e não me sinto a vontade para relatar na íntegra as palavras contidas nas frases colocadas por alguns professores e pelo coordenador. Novamente ressalto: sei bem quem é o alicerce destas licenciosidades no tratamento com os estudantes.
Foram 25 minutos e duas aberrações. Preferi o estacionamento da escola e a provável falta na reunião (que por sinal não ocorreu). Senti que ainda não era o momento de me rebelar. As vezes o diálogo pode fazer com que a transição entre o pensar errado para o pensar certo aconteça. Só o tempo dirá se esta ação também foi colonizada.
A análise dos acontecimentos na escola remete sempre a algum tipo de ofensa em um dos grupos: estudantes ou docente. E como prometido, elenco aqui o que batizei de as dez ofensas cotidianas em que um(a) professor(a) passa na escola pública periférica:
Ofensa número 1 – Não existe material necessário para a prática docente. Não há impressora, acesso a tecnologia e giz. Não há nem papel nos banheiros dos professores e professoras, pois no último ano o autocrata liberou nota alegando economia de gastos nas escolas públicas. Economia esta desnecessária e ofensiva;
Ofensa número 2 – As condições salariais impostas a categoria docente são vergonhosas. Não há como sobreviver com o salario docente da rede pública. Três jornadas de trabalho é condição;
Ofensa número 3 – Aumento salarial é caracterizado como piada pelo corpo docente;
Ofensa número 4 – A ligação entre corpo docente e gestão escolar é praticamente inexistente. O(a) docente que faça o exercício diário de buscar por si próprio(a) as informações necessárias para sua prática docente. Há também a falta de diálogo entre os(as) próprios(as) docentes;
Ofensa número 5 – Existe muita violência na prática estudantil. Tal fenômeno pode ser previamente notado na linguagem em que o(a) estudante emprega com o corpo docente. Além disso, o noticiário e inúmeras filmagens remetem a agressão ao professor ou a professora em plena sala de aula em uma escola pública;
Ofensa número 6 – Política de bônus empregada a classe docente. Parece que tal feitio é direcionado a escola x ou y em que o governador visita anualmente e arrisca lecionar uma aula para os(as) estudantes matriculados(as);
Ofensa número 7 – O direito a greve negado a partir do momento da criação das categorias. Por exemplo, se um(a) professor(a) categoria O se manter em greve por dois dias, acaba por perder de imediato seu cargo e ficar afastado por duzentos dias;
Ofensa número 8 – Não existe gestão democrática ou qualquer consulta ao professorado da rede estadual de educação;
Ofensa número 9 – Formação docente continuada praticamente foi esquecida e também não há tempo para tal ação em uma jornada tripla e
Ofensa número 10 – Os sindicatos disponíveis aos(as) servidores(as) encontra-se em formato patronal. Não há possibilidade de reivindicação das condições de trabalho impostas ao(a) contratado(a) ou efetivo(a).
Por fim, ressalto que o objetivo central deste texto não está direcionado em afastar o(a) professor(a) ingressante. O objetivo está direcionado em denunciar o que ocorre cotidianamente no espaço público que leva o título de escola.
¹ Texto elaborado por Marcelo Gouveia Nascimento após os primeiros momentos de sua atuação profissional como professor em uma escola pública localizada em uma favela na zona norte de São Paulo.
Marilene de Fátima Silva
13 de novembro de 2017 9:00 pmTexto pesado e cansativo com
Texto pesado e cansativo com alguns “erros” crassos de concordância verbal. Apesar disso, é possível alcançar o espírito norteador do texto, qual seja, a escola pública continuará pelos séculos dos séculos a não oferecer qualidade na educação, seja por ingerência do governo, seja pela ação e atuação dos profissionais que nela atuam. Deixaram-se “colonizar” por apatia ou interesse próprio. É mais fácil para o professor encher uma lousa para que os alunos copiem do que preparar aulas bem estuturadas e com objetivos definidos. E é mais fácil para os alunos copiarem (com seus foninhos no ouvido) sem precisarem pensar e se ajustarem a um mundo cujo conhecimento é hoje a moeda mais forte, e se define como poder maior de transformação social. Lamentável.
AMORAIZA
20 de novembro de 2017 3:09 pmGenerosidade
Autocrata descompromissado, é um qualificativo excessivamente generoso para o nosso alcaide, se você a ele se refere.
Se você é professor da rede estadual de ensino verá a explicação para o descaso com o que a população é tratada e a sua incompreensível inação contra o governo, analisando a profissão do governador.
Após medidar longamente sobre esse eterno e cansativo governo de São Paulo, tão cheio de crueldades disfarçadas, formalismos, corrupções discretas e falas mansas, concluí com surpresa que ironicamente a especialidade de médico anestesista do nobre governante vem configurar tanto as suas práticas políticas quanto as práticas administrativos enquanto governo.
Seus discursos e seu “modus operandi” são mesmo de um anestesista.
Quem já sofreu alguma intervenção cirúrgica e teve a oportunidade de conversar com o próprio anestesista sabe, e ele mansamente vai lhe dizer : – ” Vou arrancar seu fígado mas não vai doer nada.”
Com o anestesista, tanto quanto com um hipnotizador, depois de espoliado e mutilado, o paciente ainda tem a felicidade de ao acordar , não se lembrar de nada.
Assim vivem o paulista e o paulistano.
Sobre o ensino você conclui impotente:
“A colonização é escravagista da intelectualidade do pensar correto.”
e sofre o desencanto brutal com o discurso da colega:
“aqui não tem aquela gente que fica defendendo pobre”.
Ao seu desabafo só resta dizer:
Quando o sistema nos esmaga de dentro pra fora (os colegas docentes e o estado ) e de fora pra dentro (os discentes) tendo que sobreviver a ele havemos que ser plásticos, moldáveis, restando-nos tão somente, aprender com o sistema.