5 de junho de 2026

Ensino de literatura no Brasil está defasado há quatro décadas, diz pesquisa

do Centro de Referências em Educação Integral

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Jéssica Moreira

O ensino de literatura nas escolas, com base na análise de períodos históricos (romantismo, realismo etc), gera o desinteresse dos estudantes pela disciplina. Esse é uma das conclusões da pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP), Gabriella Rodella de Oliveira, após analisar trabalhos acadêmicos de 1975 a 2004 e constatar que os problemas ligados ao ensino de literatura já duram mais de quatro décadas.

O estudo pode ser conferido no livro “O Professor de Português e a Literatura“, no qual Gabriella acrescentou também análise de trabalhos que envolvem professores de português que atuam no Ensino Médio da rede pública de São Paulo.

Para a pesquisadora, o cenário vai de encontro com a má formação dos professores, que não se reconhecem enquanto produtores de conhecimento e não têm autonomia para selecionar aquilo que deve ser abordado e debatido com os estudantes.  A dependência de livros e programas voltados ao vestibular aparece como uma das consequências do problema da formação.

O livro descreve o perfil dos professores, a partir das pesquisas realizadas diretamente com os docentes. Segundo a autora, a maioria vem de família com baixa escolarização; pouco contato com a leitura na infância; integrante da primeira geração familiar a conquistar uma escolarização de longa duração (embora precária); ensino básico concluído na rede pública e superior em instituição particular; salário baixo e longa jornada de trabalho; participação em formações continuadas muitas vezes ineficazes; leitor restrito a best-sellers e clássicos escolares.

As informações são da Agência Fapesp

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

19 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Anarquista Lúcida

    24 de janeiro de 2014 9:05 pm

    Antes tarde do que nunca, mas isso é segredo de Polichinelo

    Qualquer professor de Letras poderia descrever os futuros professores de Português desse modo. E a questao do mau ensino de leitura — nao estou falando de literatura, mas da função de promover o interesse pela leitura — é outra coisa óbiva. 

    1. Flávio Faria

      24 de janeiro de 2014 9:28 pm

      E por que então “formam” essas pessoas?

      Tá, e por que então “formam” pessoas nessas condições? Não deveriam formar! Que elas vão trabalhar em outra coisa! É um acinte que pessoas sem preparo venham assumir uma sala de aula, como se pode falar em qualidade da Educação desse jeito? Formação continuada não é remendo para deficiências de base.

      1. Anarquista Lúcida

        24 de janeiro de 2014 9:59 pm

        Flávio, pensa de novo…

        Quem, de boa escolaridade anterior e que possa escolher você pensa que escolhe o magistério como profissao, nao só ganhando menos que um vendedor de shopping como com péssimas condições de trabalho? Masoquistas? Até existem, mas nao sao tantos assim… 

        Sou professora de futuros professores de Português. Meus alunos têm enormes dificuldades de leitura, e nao sabem colocar o que pensam por escrito. E vao ensinar Português… Vao fazer o que sempre viram fazer, coisas decoradas sobre livros (de que eles pessoalmente nao gostam) e haja regrinha de gramática. É o que podem fazer, porque ninguém pode dar o que nao têm, simples assim. 

        E nao sao coisas que dependam basicamente de estudo. Sao coisas que se adquirem em anos de prática de leitura e escrita, que dependem do nível cultural geral, nao se improvisam. 

        O problema está tao sério que há pouco tempo a Universidade da Paraíba abriu um campus dentro da penitenciária local e os cursos oferecidos eram sobretudo de licenciaturas… Os candidatos ideais para a profissao, sem dúvida. Por que você acha que vieram com essa modernidade de misturar disciplinas do ensino médio em áreas? Sobretudo porque já quase nao há professores das áreas que permitem ocupaçoes alternativas ao magistério, como Física, Química, Biologia, Matemática, até Geografia. Apenas nao faltam (a que eu saiba…) professores de Português e de História, cujas formaçoes nao lhes dao alternativa.  

         

        1. Flávio Faria

          24 de janeiro de 2014 10:44 pm

          Quem tenha vocação.

          Quem tenha vocação, Analu. Respondendo a sua pergunta. Que não preciso pensar para te responder pois tenho exemplo na família. Vocação existe.

          Eu sei aonde você quer chegar, que é uma profissão sem atrativos de carreira, e concordo com você. Você tem razão em reclamar do sistema e estou com você. O que não dá é pra admitirmos que se possa formar pessoas sem condições de assumir uma sala de aula! Isso é o fim da picada! Manda o cara ser vendedor, fazer qualquer outra coisa, mas professor definitivamente NÃO. Quando é que a gente vai quebrar isso?

          1. Rcdo

            25 de janeiro de 2014 12:42 am

            Vocação?

            Caro Flávio

            Quem tem vocação para o trabalho intelectual não vai ser professor de ensino básico e médio, a não ser de super-escolas particulares, onde dar aulas possa ser algo gratificante, talvez nem tanto economicamente, mas vivencialmente. O ensino básico e médio no Brasil hoje é, via de regra, apenas uma forma disfarçada de maltrato e supliciamento contínuo. Além de ser tão ou mais alienante que as clássicas linhas de produção fordista.

            Acorda, cara!

          2. Anarquista Lúcida

            25 de janeiro de 2014 2:36 am

            Muito bonito, mas irreal…

            Flávio, o que eu quis te dizer é que NAO HÁ OUTROS CANDIDATOS. Sempre há 2 ou 3, claro, mas você nao cobre uma rede de ensino com poucos idealistas. 

            Repare, falei dos meus alunos. Sao de uma universidade pública, e que tem ensino noturno, logo sao os melhores colocados no vestibular que escolheram a profissao… E sao fraquíssimos. Realidade nao se decreta, e varinhas de condao nao existem. 

            E quanto à sua última pergunta, vai demorar para que possamos quebrar isso, porque, mesmo se os salários fossem significativamente aumentados amanhã, e outras condições mudassem (diminuiçao do número de alunos por turma, por ex., quase tao importante quanto os salários) levaria algum tempo para a sociedade acreditar nisso, de modo a que alunos com boa formaçao escolar anterior COMEÇASSEM a cursar licenciaturas… 

          3. Flávio Faria

            25 de janeiro de 2014 5:32 am

            Você não entendeu

            Você não entendeu, Analu, eu não estou discordando de você, eu estou me indignando! Eu reconheço esses problemas mas a gente tem de se indignar, poxa. Esse sistema do jeito que está é a fabricação do absurdo.

            Vai demorar sim, eu sei, a minha pergunta foi apenas retórica. Mas o país não vai ficar pra sempre nessa, eu tenho certeza. Indignar-se é mobilizar as energias para transformar a realidade, você não acha? E nesse caso a indignação é mais do que justa. Fico imaginando a frustração que você deve sentir de, tendo chegado ao topo da carreira, ter de estar vivenciando isso em aula. A minha parente formou-se em Pedagogia e começou a lecionar há algum tempo. Formou-se com brilhantismo, com um TCC sobre conceitos de ensino que dá um banho de qualidade. Está trabalhando em escola pública e as condições são aquelas, tendo de ensinar conceitos para crianças que não foram sequer alfabetizadas, que é a outra ponta do círculo do absurdo. Ela me disse que faz o máximo pelas crianças, que trabalha a alfabetização delas, cobra postura dos pais e reprova. Pela capacidade que ela tem, certamente ela vai buscar um Mestrado, Doutorado e vai subir na carreira, mas ela não despreza a experiência que está tendo hoje, e eu também penso que é válida. A minha família é a parte da sociedade que não precisa ser convencida da importância da Educação, Analu. Vamos convencer os demais.

          4. Anarquista Lúcida

            25 de janeiro de 2014 4:29 pm

            Concordo c/ vc nisso, mas… nao adianta se indignar no vácuo

            O que quero dizer, Flávio, é que é preciso compreender por que as coisas estao como estao, e nao falar como elas deveriam estar em abstrato. O Josaphat, abaixo, deu um dos motivos…  (educaçao como meio de manter o status quo, de manter os “de baixo” embaixo). Felizmente acho que, até por necessidades do capitalismo (e por pressao social…) a força desse motivo vai diminuir. Mas há outras coisas básicas, de difícil resoluçao. 

            Vc quer saber, a situaçao atual é até consequência de algo positivo em si mesmo. O magistério já foi uma profissao razoavelmente paga e prestigiada, quando apenas 50% da populaçao chegava à escola PRIMÁRIA (da primeira à quarta série), e, desses 50%, só cerca de 30% chegava ao fim da quarta série. Havia verdadeiros vestibulares (exames de admissao, com cursinho e tudo) para entrar no ginásio, o correspondente às séries de quinta à oitava de hoje. No meu ano, o exame para ingresso no Instituto de Educaçao teve mais de 4.000 candidatas para 70 vagas, uma relaçao candidato/vaga maior que a das escolas de Medicina atuais. Aí o número de professores necessário era pequeno… Ainda peguei o rabinho desse tempo. Mas sou filha, neta e sobrinha de professoras primárias, e, só para você fazer uma idéia, meu pai me pagou uma viagem à Europa para eu desistir de fazer o Clássico (uma das espécies de ensino médio da época) e continuar no Instituto para fazer o Normal para ser professora. Queria garantir o meu futuro… 

            Foi exatamente com o início da expansao e universalizaçao escolar que os governos apertaram os cintos (no Rio, sobretudo a partir do primeiro governo Brizola, embora o processo já tivesse começado antes), e na verdade nao poderiam ter feito algo muito diferente nao… Depois, habituaram com isso, nao é prioridade para eles, etc., mas no início foi isso, a enorme expansao do acesso ao ensino. Espero que os recursos do pré-sal possam ajudar a resolver o problema financeiro em si, mas o caldo de cultura que se criou vai ser difícil de mudar. 

            Essa é uma discussao longa, e tenho que sair. Igualmente em relaçao à Progressao Continuada, idéia de Paulo Freire, excelente em si mesma, mas que, do jeito em que foi “aplicada” (na realidade nao foi) virou Aprovaçao Automática e foi uma tragédia. Reprovar nao é algo meritório, o que tem que ser feito é o acompanhamento contínuo das dificuldades dos alunos, de preferência com profissionais especializados nisso (aulas de recuperaçao é apenas mais do mesmo, nao é por aí). Reprovaçao só causa distância idade/série e com o tempo evasao escolar. 

  2. Josaphat

    24 de janeiro de 2014 11:58 pm

    nem vale a pena comentar

    né Analu?

    1. Flávio Faria

      25 de janeiro de 2014 1:00 am

      Eu respeito a Analu e ela sabe disso.

      Eu respeito a Analu e ela sabe disso.

      Abraços.

    2. Anarquista Lúcida

      25 de janeiro de 2014 2:37 am

      Pois é. Vc era 1 dos idealistas. Nao aguentou +. Ninguém merece.

      1. Josaphat

        25 de janeiro de 2014 3:30 pm

        ninguém

        quer realmente discutir o problema.

        ele está ainda muito além do arco-íris. 

        no brasil a educação é ferramenta clara

        de manutenção do status quo.

        se não entende isso, não tem

        como discutir. 

        1. Anarquista Lúcida

          25 de janeiro de 2014 4:31 pm

          É verdade, mas as próprias exigências d capitalismo pedem mudanç

          Sem falar na pressao social, que vai ser crescente. Essa moçada de periferia que está aí nao é mais dócil nao… 

  3. Ademario

    25 de janeiro de 2014 1:47 am

    Para gostar de ler
    Como escrevi antes: Prezados, É muito fácil criticar professores que não tem a mínima liberdade de traçar as próprias metas ou produzir intelectualmente. Eles têm de ‘seguir a cartilha’, e seguir a cartilha é muito chato. Claro que é preciso ter um preparo que às vezes falta, mas são poucas as escolas que incentivam mesmo os professores preparados a andar com as próprias pernas. Dito isto, esclareço que sempre gostei de ler, mesmo antes de aprender a ler, pois pedia para comprar gibis para ‘olhar as figuras’ e que lessem histórias de livros para mim. Mas sempre houve muitos livros na minha casa. Talvez uma chave fosse disponibilizar vários livros para que as pessoas escolhessem o que ler, antes de impor obras únicas para toda uma turma. Escolher um livro entre vários, talvez a partir de resenhas, poderia transpor a barreira entre ler por obrigação e ler por prazer. A produção literária em português e a literatura universal já têm um acúmulo tão grande de obras, que penso que não seria difícil disponibilizar não um livro, mas vários, de forma que as pessoas tivessem escolhas, e o debate entre os leitores poderia incentivar uns a lerem os livros dos outros. O grande nó para implantar algo deste calibre é ter professores preparados (e que pudessem escolher o que vão apresentar aos alunos), com salários decentes e que não tenham que trabalhar em vários lugares para sobreviver, fingindo que ensinam alguma coisa. Abraços

  4. aliancaliberal

    25 de janeiro de 2014 12:07 pm

    Anarquista Lucida, a educação

    Anarquista Lucida, a educação esta onde deve estar. Plantaram agora colham o fruto sem reclamar. 

    1. evandro condé de lima

      25 de janeiro de 2014 1:01 pm

      Plantaram agora? Se fosses da

      Plantaram agora? Se fosses da área veria que o agora já vem de séculos.

      1. Flávio Faria

        25 de janeiro de 2014 2:45 pm

        Plantaram (vírgula) agora etc.

        Meu caro, ele quis dizer “plantaram (vírgula) agora etc.”, ou seja, você entendeu mal, ele concorda com você que essa coisa vem lá de trás. E não precisa ser da área para enxergar o que acontece, só soa a corporativismo. Só um adendo que não foram os professores que “plantaram”, a responsabilidade é da sociedade inteira. Abraço.

        1. evandro condé de lima

          25 de janeiro de 2014 3:36 pm

          Grato, coloquei a vírgula

          Grato, coloquei a vírgula onde achei que ele poria, haja visto (a?) os eternos comentários dele.

          E cá entre nós, eu vivo querendo deixar de acessar o blog- tá virando vício- mas lendo um aparte desses, fica cada vez mais difícil.

        2. aliancaliberal

          25 de janeiro de 2014 3:45 pm

          “”plantaram”, a

          “”plantaram”, a responsabilidade é da sociedade inteira” sim, no fim é a sociedade que deixou chegar a este ponto.

           

Recomendados para você

Recomendados