5 de junho de 2026

Preocupações com dados da China fazem bolsa cair 1,99%

Jornal GGN – Em um dia de agenda movimentada no Brasil e no exterior, a bolsa encerrou a quinta-feira com sua menor pontuação desde agosto de 2013, em meio ao aumento à aversão ao risco gerada pela divulgação de dados econômicos abaixo das expectativas na China, principalmente aqueles ligados à atividade industrial. As perdas vistas nos Estados Unidos também tiveram sua parcela de influência.

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O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou as operações em queda de 1,99%, aos 48.320 pontos e um volume negociado de R$ 6,884 bilhões. No mês de janeiro e no ano, a queda acumulada chega a 6,19%. As maiores altas foram as ações da Brookfield (BISA3), Rossi Residencial (RSID3) e Prumo Logística Global (LLXL3). Já as maiores baixas ficaram por conta dos papéis das empresas JBS (JBSS3), Gol Linhas Aéreas (GOLL4) e Tim Participações (TIMP3).

“O Ibovespa terminou a quinta-feira em baixa, seguindo as principais bolsas norte-americanas, que caem no momento, em dia de agenda econômica carregada no exterior e com os investidores atentos à temporada de resultados nos EUA”, diz o analista Nataniel Cezimbra, do BB Investimentos. “O dado preliminar da atividade industrial da China de janeiro caiu para a mínima em 6 meses, aumentando os temores com uma possível desaceleração da segunda maior economia mundial”.

O analista Gabriel Ribeiro, da Um Investimentos, explica que a questão da China tem afetado bastante as negociações, com os últimos dados do país apontando retração no ritmo de crescimento. “O mercado, principalmente as ações de empresas de materiais básicos, reagiu negativamente, em especial a Vale. E os indicadores dos Estados Unidos também não foram muito fortes – o índice de desemprego até veio melhor que o projetado, mas igualmente fraco”.

O pessimismo com o Brasil também não tem ajudado o mercado. Segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado, um exemplo é o gestora Pimco, que tem o maior fundo de bônus do mundo e vem reduzindo sua exposição a papéis brasileiros. Nesta quinta-feira, a gestora enviou um artigo aos investidores dizendo que o conjunto equivocado de políticas econômicas usadas pelo Brasil para estimular a economia precisa passar por mudanças dramáticas. A empresa também ressaltou que “o ambiente no País para estrangeiros vem sendo caracterizado por tudo, menos por ordem e progresso”.

A bolsa brasileira chegou a sinalizar um pouco de recuperação, por conta da percepção de que a prévia da inflação oficial do País (IPCA-15) abaixo do piso das estimativas em janeiro abriu espaço para um ritmo menos agressivo de alta dos juros básicos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,67% em janeiro, após subir 0,75% em dezembro de 2013. “Os dados daqui influenciaram um pouco. Apesar dos dados de inflação, o grande ponto foi a ata do Copom, que sinalizou a tentativa de mais um aumento dos juros para tentar segurar a inflação, sendo assim mais conservadora”, diz Ribeiro.

Mas os dados de atividade industrial da China e dos Estados Unidos levaram os agentes a ficarem mais pessimistas. Números do HSBC mostram que o índice de atividade industrial dos gerentes de compras da China caiu para 49,6 na leitura preliminar de janeiro, de 50,5 em dezembro. Já o PMI preliminar de janeiro do setor industrial dos EUA, medido pela Markit, recuou para 53,7, de 55 pontos registrados em dezembro.

Quanto à cotação do dólar, a moeda norte-americana subiu 1,31%, a R$ 2,4000, o maior fechamento desde o dia 22 de agosto. Embora a moeda tenha operado em alta desde o começo do dia, as negociações tiveram seus ganhos ampliados na segunda parte das operações, em meio ao nervosismo que atingiu outras moedas ligadas ao mercado de commodities.

A agenda macroeconômica de sexta-feira tem como destaque os dados de confiança do consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e os números de saldo em conta corrente e investimentos estrangeiros de 2013.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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