5 de junho de 2026

O PT abraça um projeto verdadeiramente social-democrata?

Por ArthurTaguti

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Comentário ao post “As razões da esquerda, por Marcelo Miterhof”

Bem, o texto é interessante porque, ao passo que é constantemente repetido que “o PT roubou a bandeira social-democrata do PSDB”, o articulista traça um roteiro bem simplório para se chegar a um Welfare State à la Suécia.

Primeiro ponto interessante: Bolsa Família não é um início de Estado de Bem-Estar Social, mas um sintoma de sua negação. Segundo ponto: aproximação dos salários entre profissão especializadas e não especializadas. Esqueceu o último e terceiro ponto (aumento da carga tributária, tributação focalizada no patrimônio, renda e herança, principalmente dos mais ricos), talvez por trabalhar onde trabalha, mas tudo bem.

A questão é: o PT hoje, no governo federal, abraça um projeto verdadeiramente social-democrata? Me parece, a toda evidência, que não.

O “lulismo”, de fato, já foi caracterizado como um modelo político que visa a distibuição da renda, mas sem confrontar o grande capital. Ou seja, abandonou-se o “crescer o bolo, depois distribuir”, o que é um grande avanço, mas por outro lado inviabiliza o caminho a um Estado de Bem-Estar Social. 

Isto porque, não só na Europa, mas em tudo quanto é canto onde houve algum tipo de conquista social, não se prescindiu de sindicatos e movimentos sociais fortes. Houve também o dado essencial, do medo do “fantasma do comunismo”, o que levou certas elites a entregarem aneis para não perderem dedos.

Já no lulismo, com o sindicalismo e os movimentos sociais abrigados sob o guarda-chuva dos cargos estatais, o único espaço de negociação que restou, ao governo, para implementar políticas progressistas, foi um Congresso majoritariamente controlado pelos grandes gupos econômicos. Conforme o Frei Betto bem disse, se em seu início o governo dispunha da base parlamentar e dos movimentos sociais como ponto de apoio, o cenário atual aponta para uma dependência excessiva de alianças com setores que jamais preteririam o capital no confronto com o trabalho.

Assim, creio que, menos por ideologia, e mais pelas circunstâncias políticas, o PT se inclina muito mais para um projeto de caráter liberal. Liberal mesmo, nos moldes dos EEUU: não há um Welfare State, isto é óbvio, mas há um PIB per Capita muito alto o que, mesmo com uma distribuição de renda fraca (comparada com os países europeus), as migalhas que caem da mesa dos ricos dão para a população um padrão de vida relativamente razoável.

Isto para mim parece um tanto óbvio pois, se a política de valorização do salário mínimo, atrelado ao crescimento do PIB, é uma das principais bandeiras do PT, QUANDO e SE o país tiver um desenvolvimento econômico estupendo, a renda do brasileiro pobre poderá chegar a um patamar em que um salário mínimo será o suficiente para bancar um bom plano de saúde, um colégio privado para os filhos, uma viagem de vez em quando..

O problema de seguir a risca este modelo é que os EEUU conservam um desenvolvimento econômico desta magnitude por ser um campeão mundial de criatividade/inovação, com instituições voltadas a este fim, com um capitalismo muito mais avançado que nosso semi-feudalisdo de Estado e, principalmente, faz parte do clube de “lá”, qual seja, nações altamente industrializadas que exploram e arrancam o couro de países como o Brasil, eterno exportador de matéria prima.

Para dar certo o Brasil como Estado liberal à la EEUU, o que parece ser o objetivo do atual governo, seria preciso romper este ciclo vicioso para nosso país adentrar também no clube das nações que produzem e exportam bens de alto valor agregado, o que é muito difícil de ocorrer quando tanto a melhoria do ensino básico quanto um projeto de nação soberana não estão no topo das prioridades de nossos governantes e congressistas.

Seja pretendendo a implantação de um Estado de Bem-Estar Social, seja pretendendo que a política de valorização do Salário Mínimo se torne a solução mágica de todos os nossos problemas, o caminho é árduo e demanda políticas públicas e reformas que não conseguem espaço no horizonte próximo.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados