Do Deutsche Welle
Vaias se mesclam aos votos de feliz aniversário: críticos atacam hábito do Fed de se intrometer em questões políticas, com repercussão sobre a economia mundial. Com nova presidente, perfil não deve mudar.
A sede em Washington do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, irradia poder. As janelas altas e escuras obstruem a visão ao interior desse palácio do dinheiro, a pouca distância da Casa Branca e do Ministério da Fazenda. E, fora o pessoal de segurança, ninguém se aventura a subir as escadarias brancas diante da entrada.
Quem trabalha aqui é levado pelo motorista direto para a garagem subterrânea. Quem trabalha aqui, zela pelo dólar. Há 100 anos se pratica política monetária no “Fed”, como ele é apelidado. No entanto, numerosas vaias se misturam aos votos de parabéns no centenário da instituição que atualmente tem Ben Bernanke como presidente.
O Federal Reserve System foi criado numa ação sigilosa. Após uma das piores crises financeiras dos EUA, o “Grande Pânico” de 1907, um grupo de banqueiros poderosos reuniu-se na tranquila Jekyll Island, no estado da Geórgia, para desenvolver uma lei visando evitar futuras situações análogas.
Somente 23 de dezembro de 1913, cercado pelos protestos dos opositores, o Federal Reserve Act foi colocado em vigor pelo presidente Woodrow Wilson. Consta que o democrata fizera um pacto com os banqueiros JP Morgan e John D. Rockefeller, que lhe proporcionaram a vitória eleitoral, em troca do sinal verde para o primeiro banco central.
Mais tarde, Wilson lamentaria em seu diário: “Eu arruinei o meu país, sem querer. Uma grande nação é controlada por seu sistema de crédito […] todas as nossas atividades estão nas mãos de uns poucos homens.”
Fed mexe os pauzinhos
A lei colocara, de fato, nas mãos dos banqueiros particulares o controle sobre o dólar americano. Eles manipulavam os fios na instituição central em Washington, representada no país por 12 filiais. A função do Fed seria a de interferir em favor do sistema bancário, no pior dos casos, como última instância concessora de crédito, totalmente independente da política.
“A meta original desse grande experimento, a fundação do Fed, era garantir a estabilidade do dólar”, explica Ben Bernanke, chefe da instituição até 31 de janeiro de 2014. Tendo seu valor definido por uma quantidade fixa de ouro, o dólar americano se transformou em moeda de reserva global, papel que mantém até hoje.
Após a fundação do banco, outros desafios se apresentaram nas décadas seguintes, sempre antecedidas pelo adjetivo “grande”, observou Bernanke durante um evento de centenário na capital dos EUA. “A Grande Depressão da década de 1930, a Grande Inflação de 1970, a Grande Moderação – quando a inflação foi sustada através de juros altos e o crescimento estabilizado, em escala mundial. E a Grande Recessão, em decorrência da crise financeira de 2008.”
No entanto, críticos do banco o acusam de ser justamente quem contribuiu para essas crises, com sua decisões equivocadas. Entre outros motivos, por a instituição centenária ter se misturado em coisas que, a rigor, não lhe dizem respeito – como a política.
Duplo mandato controverso
O ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan é acusado de não apenas ter falhado em registrar a mais recente bolha imobiliária, mas até mesmo de haver contribuído para ela com sua política monetária. Em 2007, essa bolha acarretou a mais grave crise financeira desde a Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, prosseguem os críticos, Bernanke, o sucessor de Greenspan, haveria reagido à crise de forma exagerada.
“Através do poder do Fed, o pânico de 2007 e a consequente crise financeira levaram a uma política do dinheiro barato”, afirma James Dorn, do think tank Cato Institute, sediado em Washington. Há muito o banco central já extrapolou a âmbito de ação que lhe foi outorgado. Esse âmbito foi originalmente fixado com o padrão-ouro. “No entanto, o padrão-ouro clássico terminou com a Primeira Guerra Mundial. Depois disso, temos uma construção híbrida.”
Ou seja: um banco central com duplo mandato. O Fed não está apenas encarregado de assegurar a estabilidade de preços, mas também o nível máximo de emprego nos EUA. Além disso, sob a presidência de Bernanke, ele estabeleceu valores-alvo bem definidos: a médio prazo, ele pretende situar a inflação abaixo dos 2%.
A instituição pretende manter sua atual política de juros baixos, a praticamente 0%, pelo menos até a quota de desemprego nos EUA recuar drasticamente. Um ponto central de crítica, contudo, é a política adotada pelo Fed, desde o início da crise, de mensalmente comprar títulos imobiliários e de dívida pública de longo prazo.
A partir de janeiro, o volume dessas aquisições deverá se reduzir, de 85 a 75 bilhões de dólares. Mas na opinião dos críticos, isso não muda quanto ao fato de o banco central americano se perder repetidamente em ações de política fiscal que não lhe dizem o menor respeito.
Grande vilão da economia mundial ?
Segundo John Allison, diretor do Cato Institute, com essa avalanche de capital o Federal Reserve estaria atiçando os mercados internacionais de ações e impulsionando a economia em direção a mais uma “bolha”.
“Acho que as oscilações econômicas são principalmente ocasionadas pelo Fed. Quando manipula as reservas de dinheiro e faz tudo isso que temos visto, ele dificulta o cálculo econômico”, afirma o economista, que durante quase 30 anos esteve à frente do maior instituto financeiro americano, a BB&T Corporation. “Toda ‘bolha’ em minha carreira ficou maior pela atuação do Fed”, acrescenta Allison, e propõe uma solução radical: “Eu acabaria com o Federal Reserve.”
Numerosos políticos – em especial os de direita – esbarram há anos nessa mesma dificuldade: eles gostariam de eliminar o banco central o mais breve possível. Ou, no mínimo, atenuar o seu poder. Alguns exigem que ele dirija suas medidas a novos alvos. Outros acham que deveria se ater exclusivamente ao combate à inflação, mantendo-se de fora da política de mercado de trabalho.
Alguns deputados republicanos pretendem em 2014 colocar o Fed na berlinda, no Congresso. Esta será uma tarefa para a presidente designada, Janet Yellen, que rende Bernanke no final de janeiro, como primeira mulher à frente da instituição.
A euforia do centenário terá passado mas, também com Yellen, a política do banco central americano pouco se alterará, estimam os especialistas.
http://www.dw.de/banco-central-americano-completa-100-anos-de-controv%C3%A9rsia/a-17322892




Alexandre Weber - Santos -SP
27 de dezembro de 2013 3:07 amFed e o Diabo
Ambos comandam exércitos de zumbis.
s4ndro
27 de dezembro de 2013 12:17 pmJá tentou
Reza a lenda que o presidente Kennedy fez isso. Tirou do FED o poder de emitir dinheiro.
Resultado: 1 (ou duas?) balas na cabeça. E o seu assassino assassinado… Crime perfeito…
http://www.resistir.info/eua/fed_jun06_p.html
A dívida não era tão onerosa há 40 anos, mas o presidente Kennedy percebeu que constituía um perigo para o país e um fardo para o público. Assim, no dia 4 de Junho de 1963, ele emitiu a ordem presidencial EO 11110 que conferia ao presidente a autoridade de emitir o dinheiro. Seguidamente ordenou à Tesouraria dos EUA que imprimisse mais de 4 mil milhões de “Notas dos Estados Unidos” para substituir as Notas da Reserva Federal. Ele queria substituir as notas todas assim que houvesse em circulação uma quantidade suficiente da nova moeda, para depois poder acabar com o Sistema da Reserva Federal e o controlo que ela cedia aos banqueiros internacionais sobre o governo dos EUA e o seu povo. Escassos meses depois do plano do presidente Kennedy entrar em vigor, ele foi assassinado em Dallas no que foi seguramente um golpe de estado dissimulado, e que pode bem ter sido levado a cabo em parte para salvar o Sistema da Reserva Federal e a consequente concentração de poder que estabelecia e que era tão lucrativa aos banqueiros mais poderosos do país. Aqueles que daí colhiam benefícios tinham boas razões para se envolverem numa trama que lhes salvasse os seus privilégios especiais, de que não estavam dispostos a abrir mão sem ripostar. É uma explicação plausível que pode bem esclarecer quem teria estado por detrás do assassinato e por que razão. Onde quer que esteja a verdade, a coligação bancária só esteve em apuros por um escasso período. Assim que Lyndon Johnson assumiu a presidência, revogou a ordem presidencial de Kennedy e restabeleceu o anterior poderio da coligação. Desde então tem sido mantido, estando hoje em dia mais forte que nunca. Nem mesmo os presidentes conseguem travá-los, e aqueles tentassem têm a lição da História recente para os dissuadirem.