Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Onda Vermelha
26 de dezembro de 2013 2:28 am“ESPERO QUE O JUDICIÁRIO NÃO SEJA INVASIVO EM 2014”
Do Brasil247
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/125054/%E2%80%9CEspero-que-o-Judici%C3%A1rio-n%C3%A3o-seja-invasivo-em-2014%E2%80%9D.htm?acid=957101
Em balanço do ano e projeções para 2014, presidente da Câmara afirma que “não irá aceitar nenhuma posição invasiva do Judiciário” durante reforma política prevista para ser votada até abril; logo em fevereiro, marco civil da internet e código de mineração prometem agitar lobistas prós e contras; refletindo sobre movimentos do STF comandado por Joaquim Barbosa, Henrique Alves teme “uma grave discordância entre os Poderes”; um ponto que pega forte é a iminência de o Supremo acatar da Adin da OAB sobre proibição do financiamento privado a campanhas eleitorais, o que os deputados parecem querer muito que continue existindo
25 DE DEZEMBRO DE 2013 ÀS 15:23
247 – O presidente da Câmara dos Deputados fecha 2013 e abre 2014 preocupado com o risco de posições “invasivas” do Supremo Tribunal Federal sobre a autonomia do Poder Legislativo. Especialmente em relação à reforma política, a ser votada até abril do próximo ano.
– Espero que o Judiciário contenha-se nos seus limites constitucionais, para não termos o constrangimento de partir para, não digo um enfrentamento, mas uma grave discordância entre os Poderes, disse Henrique Alves em entrevista à TV Câmara.
Ele insistiu no tema:
“Esse projeto de reforma política ampla vai ao Plenário da Câmara dos Deputados”, lembrou, para advertir que o Legislativo “não irá aceitar nenhuma posição invasiva do Judiciário nesta questão”.
Sobre a reforma política, Henrique Eduardo Alves lembrou que o grupo de trabalho sobre o tema já elaborou uma proposta (PEC 352/13), que será votada em comissão especial. Para, trata-se prerrogativa exclusiva do Congresso.
Atualmente, o Supremo Tribunal Federal julga a constitucionalidade das doações de empresas para campanhas eleitorais. “Espero que o Judiciário contenha-se nos seus limites constitucionais, para não termos o constrangimento de partir para, não digo um enfrentamento, mas uma grave discordância entre os Poderes”, disse.
CALENDÁRIO APERTADO – Alves reconheceu que o calendário do próximo ano será apertado, devido às eleições no segundo semestre e à realização da Copa do Mundo em junho. Além disso, a pauta permanece trancada pelo marco civil da internet (PL 2126/11) e por outros projetos que têm urgência constitucional.
Ainda assim, o presidente mantém o otimismo com as votações. Ele afirmou que, além do marco civil e do novo Código de Mineração (PL 37/11), será votada a regulamentação do trabalho doméstico (Projeto de Lei Complementar 302/13), já aprovada no Senado.
Quanto ao marco civil, Alves reconheceu tratar-se de tema complexo, o que dificultou um acordo para votar a matéria neste ano. “Em fevereiro, vamos ter de votar de qualquer maneira: ou se aprova, ou há derrota, ou se ganha aqui, ou se perde acolá, mas vamos votar”, assegurou.
Avanços
Entre as propostas importantes votadas pela Casa neste ano, Henrique Eduardo Alves ressaltou a MP dos Portos (Medida Provisória 595/12, convertida na 12.815/13), aprovada em 16 de maio. De acordo com ele, a medida vai permitir a modernização dos portos brasileiros, ao atrair capital privado.
– O instrumento está se provando ágil para a privatização, dando competitividade aos portos brasileiros, que vinham perdendo nas concorrências internacionais, declarou.
Outra proposta aprovada na Câmara, comemorada pelo presidente, foi a que prevê a destinação dosroyalties do petróleo (PL 323/07). Transformado na Lei 12.858/13, o texto destina 75% da arrecadação com petróleo à educação, e 25% à saúde.
Alves destacou ainda a promulgação da PEC das Domésticas, transformada na Emenda Constitucional 72; e a aprovação na Câmara da PEC que torna o transporte um direito social (90/11) – o texto está em análise no Senado. “Acho que esses foram avanços importantes nos direitos das pessoas e do cidadão brasileiro”, afirmou.
Equilíbrio entre os Poderes
Henrique Eduardo Alves ainda comentou a mudança, na votação pelo Congresso, dos vetos presidenciais. Ele lembrou que, por mais de dez anos, nenhum veto foi apreciado, devido à interpretação segundo a qual o prazo de 30 dias para a análise dos vetos, previsto na Constituição, começaria a contar a partir da leitura do texto vetado em sessão conjunta do Congresso.
Como nenhum veto havia sido lido, tampouco foi votado. Com isso, disse Alves, prevalecia, “cômoda e equivocadamente”, a última palavra do Executivo. A iniciativa da Câmara de devolver ao Legislativo a decisão final na elaboração de leis, para Alves, reestabeleceu “a relação de altivez e de respeito” entre os dois poderes. “Isso foi um avanço histórico que esta Casa devia ao País há muitos anos”, acrescentou.
(Com Agência Câmara)
Assis Ribeiro
26 de dezembro de 2013 8:23 amDilma larga melhor que FHC e Lula
A largada de Dilma
BRASÍLIA – Políticos argumentam que a disputa pelo Palácio do Planalto ainda não está na cabeça das pessoas. No Brasil, o Natal do ano anterior ao da eleição não é um momento em que a maioria dos eleitores esteja pensando em quem vai votar lá na frente. Por essa razão, muitos consideram quase inútil analisar o cenário atual.
Essa avaliação é correta só em parte. Há um processo em curso. Os pré-candidatos atuam a cada segundo. Querem estar na melhor posição possível quando a lei permitir uma campanha aberta.
Além disso, a democracia brasileira já começa a ter alguns parâmetros para comparação. Desde o fim da ditadura militar (1964-1985), dois presidentes disputaram a reeleição. Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1998, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2006. Não é muita coisa, mas ajuda a entender como o eleitor tem se comportado nessas horas.
A petista Dilma Rousseff deve ser a terceira a disputar a reeleição. FHC e Lula tiveram sucesso nas suas empreitadas, mas, quando estavam engatando nas campanhas, as coisas não pareciam tão boas para eles.
No Natal de 1997, FHC estava com 37% de “bom” e “ótimo” no Datafolha. Lula, ainda sofrendo os efeitos do mensalão, registrava meros 28% de aprovação. Ou seja, ambos estavam pior do que Dilma Rousseff hoje, cuja pontuação é de 41%.
Tanto FHC como Lula se reelegeram até com alguma facilidade. Pesou a favor do tucano o controle da inflação (1,65% em 1998) e o medo ainda presente entre os brasileiros daquela época de que os preços voltassem a subir. O petista Lula se segurou com o crescimento robusto da economia (4% em 2006) e a inclusão social de milhões de pessoas pobres.
Tudo considerado, Dilma está bem na largada. Vai se apresentar como a única habilitada para manter os programas sociais lulistas. É um argumento forte e poderoso. Será suficiente? Saberemos só em 2014.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/145164-a-largada-de-dilma.shtml
Assis Ribeiro
26 de dezembro de 2013 8:28 amTocar fogo em SP: meta do conservadorismo em 2014
Haddad lidera reformas indispensáveis para tirar a cidade do caos. A velocidade dos ônibus já deu um salto de 45%. Mas o dinheiro grosso barra novos avanços.
A velocidade dos ônibus em São Paulo registou um salto de 45% em 2013 (de 14,2 kms/h para 20,6 kms /h).
Três milhões de pessoas ganharam 38 minutos por dia fora das latas de sardinha, que agora pelo menos andam.
Embora a maioria ainda desperdice mais de duas horas diárias em deslocamentos pela cidade, é quase uma revolução quando se verifica a curva antecedente.
Ninguém pagou mais por isso: as tarifas estão congeladas desde junho sob a pressão de protestos legítimos liderados pelo Movimento Passe Livre.
Financiar a tarifa e modernizar o sistema com 150 kms de corredores exclusivos (as faixas já passam de 290 kms) , seria a tarefa do aumento progressivo do IPTU previsto pelo prefeito Fernando Haddad.
A coerência entre os meios e os fins é irretocável.
1/3 dos moradores mais pobres de SP não pagariam nada de IPTU em 2014; os demais, em média, contribuiriam com um adicional de R$ 15,00 ao mês. Os boletos dos mais ricos, naturalmente, transitariam acima da média.
O matrimônio de interesses expresso na aliança entre Fiesp, PSDB e a toga colérica implodiu esse reajuste.
Como Nero, eles querem ver São Paulo pegar fogo para culpar os adversários (os cristãos, no caso do imperador).
Em meio às labaredas emergiria o palanque conservador como a escada Magirus que os reconduziria com segurança ao Bandeirantes e, quem sabe, ao Planalto.
O dinheiro grosso fornece a gasolina; o tucanato fino de Higienópolis entra com o maçarico.
‘Bum!’, diz a mídia obsequiosa que estampa a foto de Haddad com a legenda: o culpado é o oxigênio.
Depois de subtrair R$ 40 bi por ano do sistema público de saúde, ao extinguir a CPMF, eles não hesitam agora em usar o sofrimento da população como recheio do seu pastel de vento eleitoral.
É o de sempre, ataca Haddad: a coalizão da casa-grande contra a senzala.
Eles retrucam estalando o chicote da mídia.
A rede de ônibus da capital (linha e fretados) transporta 68% das população e ocupa somente 8% das vias urbanas.
A frota de automóveis transporta 28% e ocupa cerca de 80% do espaço das vias.
A informação é da urbanista Raquel Rolnik, em artigo reproduzido no Viomundo.
A rigor, portanto, a mobilidade melhorou para a maioria dos habitantes da cidade, com uma redistribuição pontual do uso do espaço viário.
Mas a emissão conservadora atiça o fim de ano da classe média com bordão do caos no trânsito –por culpa do privilégio concedido aos ônibus.
Na edição de sábado (21/12), o jornal Folha de SP estampa a manchete capciosa em seis colunas, no caderno Cotidiano: ‘Trânsito piora, e ônibus anda mais rápido’.
No manual de redação dos Frias , trânsito é sinônimo de transporte individual.
Há um traço comum entre esse entendimento do que seja interesse coletivo e individual e o belicismo conservador contra o programa ‘Mais Médicos’.
O programa subverteu a lógica protelatória e alocou médicos estrangeiros, cubanos em sua maioria, ali onde os profissionais locais não querem trabalhar: periferias conflagradas e socavões distantes.
Produz-se assim uma mudança instantânea na vida de 23 milhões de brasileiros até então desassistidos.
Quantos não morreriam à espera do longo amanhecer incremental preconizado pelo conservadorismo?
A dimensão estrutural desse antagonismo perpassa a luta pelo desenvolvimento brasileiro desde Getúlio.
Reformas de base ou a delegação do futuro da economia e do destino da sociedade aos mercados?
Em 1964 o pelourinho midiático, a Fiesp e o tucanismo, na versão udenista, resolveram a pendência da forma sabida.
Meio século depois, São Paulo reproduz em ponto pequeno a mesma confluência de interesses que se reivindica o direito consuetudinário de tocar fogo no canavial e estalar o açoite para fazer a moenda girar.
Primeiro, a garapa; resto a gente conversa depois.
Com a tigrada guardada nas senzalas.
Ou imobilizada em ônibus-jaula.
A gestão Haddad precisa modular o timming de suas ações para discuti-las antes com a população.
Tem agora um inédito conselho de participação popular para isso.
Mas é indiscutível que o prefeito lidera hoje um conjunto de reformas imperativas, as reformas de base da São Paulo do século XXI.
Sem elas a cidade afundará no destino que lhe reservou a elite brasileira branca e plutocrática: ser um exemplo de viabilidade de uma das mais iníquas versões do capitalismo no planeta.
Esse é o embate dos dias que correm na metrópole.
Diante dele, o silêncio de quem liderou os protestos de junho chega a ser desconcertante.
Mas não é inédito.
Há inúmeros antecedentes gravados na história com os predicados de cada época .
E nenhum deles é inocência.
http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Tocar-fogo-em-SP-meta-do-conservadorismo-em-2014/29865
Assis Ribeiro
26 de dezembro de 2013 8:31 amIPTU, CPMF e uma democracia incompleta
Assim como na época da extinção da CPMF, a imprensa brasileira, de modo geral, dispensa aos debates sobre o IPTU uma discussão que passa ao largo de questões importantes
Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa
A polêmica sobre o aumento do IPTU na capital paulista tem produzido nos jornais um noticiário manco, para usar a expressão infeliz do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a respeito dos fundamentos da economia brasileira.
Desde que a questão foi parar no Judiciário, por iniciativa do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a imprensa dedicou muitas páginas exclusivamente a noticiar e discutir a tramitação da ação, que acabou por anular uma decisão da Câmara Municipal de São Paulo.
O episódio segue o roteiro que levou à extinção da CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – ocorrida em dezembro de 2007, por iniciativa do próprio Skaf. Na ocasião, a mobilização do presidente da Fiesp provocou grandes contratempos para o então presidente da República, Lula da Silva, mas o desempenho da economia acabou anulando o efeito da queda do tributo. Um dos resultados da campanha foi a inserção de Skaf entre potenciais candidatos a cargos públicos: em 2014, ele deverá disputar o governo paulista.
Assim como na época da extinção da CPMF, a imprensa brasileira, de modo geral, dispensa aos debates sobre o IPTU uma discussão manquitola, que passa ao largo de questões importantes. No caso do tributo sobre movimentações financeiras, os jornais omitiram enquanto puderam que a CPMF financiava o sistema público de saúde, a previdência social e os programas de erradicação da pobreza. Trata-se de um recurso de gestão pública usado em vários países do mundo para desestimular a especulação e garantir ao Estado receita para necessidades essenciais durante períodos de crise.
Visto como parte de um arcabouço tributário que discrimina e taxa os contribuintes de renda mais elevada, esse tipo de cobrança sempre provocou arrepios nos setores mais conservadores da sociedade, avessos a políticas oficiais de intervenção na questão das desigualdades.
Fiel a suas tradições conservadoras, a imprensa brasileira não poderia ter outro comportamento que não o de contribuir para a extinção desse tipo de recurso.
Ambições desenfreadas
No caso das mudanças propostas no IPTU da capital paulista, os jornais adotaram o mesmo comportamento: fecharam um olho para os aspectos de reorganização do peso do imposto na sociedade e se concentraram em martelar os índices mais elevados de aumento.
Como o cidadão paulistano já tem que conviver com um custo de vida muito alto, falar em porcentagens de aumento é provocar descontentamentos, e foi o que aconteceu.
Certamente se pode observar que faltou destreza política ao prefeito de São Paulo, que imaginou poder implantar tranquilamente seu projeto de redistribuição de custos, de maneira a aliviar aqueles que moram em lugares desprovidos da melhor infraestrutura urbana. A tramitação do projeto, apressada e quase na clandestinidade, ajudou a criar opiniões negativas sobre a medida. Mas ainda não é essa a questão central nesse episódio.
O prefeito poderia ter encaminhado melhor os debates sobre um projeto que tenta corrigir distorções na cobrança do tributo sobre a propriedade, e para isso deveria contar com a pouca disposição da imprensa para discutir o tema da desigualdade social.
A pressa em suprir as perdas provocadas pelo congelamento de tarifas de ônibus, somadas ao prejuízo que vem se acumulando nas contas do município pelo conluio entre grandes incorporadoras e fiscais corruptos, foi má conselheira. De qualquer modo, o sistema de comunicações da Prefeitura não produziu a estratégia adequada para facilitar a digestão da reorganização do IPTU, nem esclareceu a sociedade sobre as urgências observadas nas contas públicas.
No entanto, a questão central está bem distante do contexto municipal: o problema se aproxima do tema que foi abordado pela Folha de S. Paulo no domingo (22/12). Trata-se do apetite descontrolado do sistema judiciário sobre atribuições dos outros poderes. Na Folha, a manchete de domingo, baseada em entrevista do ministro Luís Roberto Barroso, o mais recente integrante do Supremo Tribunal Federal, afirma que a apatia do Congresso Nacional obriga o Poder Judiciário a fazer a História andar.
A imprensa precisa discutir essa visão, e não aceitar simplesmente que um poder substitua outro, mesmo porque, se há inércia no Legislativo, pode-se afirmar que o Judiciário peca pela ambição desenfreada e personalista.
Isso é que faz do Brasil uma democracia manca.
http://revistaforum.com.br/blog/2013/12/iptu-cpmf-e-uma-democracia-incompleta/
Assis Ribeiro
26 de dezembro de 2013 8:32 amPolítica e ideologia na China contemporânea (por Vinicius Wu)
A politica chinesa é um dos maiores enigmas do mundo contemporâneo. A vitalidade e a estabilidade do regime comunista, duas décadas após a falência de seus congêneres do Leste Europeu, segue intrigando analistas e observadores de diferentes países e vertentes ideológicas. As questões levantadas a seguir pretendem refletir sobre a estrutura política que, afinal, dará suporte àquela que será, em breve, a maior economia do planeta.
Especular sobre o presente e o futuro da nação de 1,3 bilhões de seres humanos é algo tão tentador quanto necessário – ao menos para aqueles que se preocupam com a compreensão do mundo no qual vivemos.
Mas de antemão é preciso reconhecer que se trata de um terreno arriscado, afinal, a desinformação a respeito da realidade chinesa segue contribuindo para a reprodução de uma série de estereótipos em torno de diagnósticos pouco precisos no Ocidente. Além disso, a experiência nos ensina que análises a respeito da estabilidade de um determinado regime político devem ser cautelosas e pacientes. A história costuma ser bastante irônica com avaliações marcadas por assertivas definitivas e certezas irrevogáveis.
Consideradas essas premissas, é possível iniciar nosso raciocínio a partir da constatação de que o discurso de legitimação do regime transitou, nos últimos anos, do comunismo ao nacionalismo, perfazendo um caminho, aparentemente, sem volta. O partido comunista da China esforça-se, cada vez mais, em ser o partido “da” China.
E a mobilização do orgulho chinês está diretamente relacionada à outra fonte fundamental de legitimação do regime que é a euforia diante do êxito econômico da China nas últimas décadas.
De tudo aquilo que se pode observar na China contemporânea, talvez nada parecerá tão óbvio quanto o fato do crescimento e da prosperidade terem se tornado dois dos pilares fundamentais da manutenção da hegemonia do Partido Comunista. Os dirigentes do partido sabem o quanto a satisfação das necessidades materiais dos chineses está diretamente relacionada à estabilidade política do país e, sob esse aspecto, o sistema tem sido extremamente eficiente.
Crescer, enriquecer e ir além do que já conquistaram – enquanto nação ou indivíduos – parece ter se tornado uma verdadeira obsessão nacional. Por toda parte observa-se uma frenética corrida em direção ao crescimento, apoiado, principalmente, em pesados investimentos em infraestrutura, na expansão da indústria automobilística e na construção civil. Gruas e guindastes representam mais a China de hoje do que a foice e o martelo. São esses os grandes símbolos nacionais na atualidade.
Porém, os constrangimentos à manutenção do atual modelo são visíveis aos olhos do mais distraído observador que caminhe pelas imensas ruas e avenidas da nova China.
A saturação das grandes cidades chinesas e o crescimento sustentado por uma matriz energética altamente dependente de carvão e petróleo fez com que alguns dos grandes conglomerados urbanos se transformassem num perturbador pesadelo ambiental.
A sensação que temos ao caminhar pelas ruas de cidades como Beijing, Wuhan ou Xangai nos remete a cenários de filmes de ficção cientifica da década de oitenta. Quase não se enxerga o céu e o sol nos dias de maior intensidade da poluição atmosférica. E isso pode durar semanas ou até meses. Obviamente, no entanto, que a situação encontra correspondência em diversas outras cidades do mundo, como a Cidade do México, São Paulo, dentre tantas outras. Não se trata de nenhuma exclusividade dos chineses.
Mas, de fato, a qualidade de vida nestes centros urbanos tem se deteriorado, ampliando a incidência de doenças respiratórias e outras patologias. O estresse e os transtornos de um trânsito dominado pelo automóvel individual são visíveis a qualquer hora do dia e a qualquer dia da semana, inclusive aos domingos.
Além dos problemas ambientais e urbanos, a nova China também expõe, de forma dramática, as profundas contradições originárias de seus novos padrões de acumulação. A desigualdade social e a concentração de renda são reforçadas – e amplificadas – por uma nova elite exibicionista e hedonista, que começa a constranger o próprio regime com suas extravagâncias.
E, apesar de toda a expansão econômica dos últimos anos, o regime chinês não tem sido capaz de impedir nem mesmo que a miséria chegue às portas da grande praça Tiannamen, no coração de Beinjing. Moradores de rua abrigam-se, durante a noite, nos mesmos corredores que nos levam aos portões da Cidade Proibida, onde o imponente retrato de Mao Zedong parece ser a única herança de um passado marcado pelo culto à personalidade do grande arquiteto da Revolução Chinesa. Há de se reconhecer, porém, que a miséria em Beijing é bem menor do que em outras grandes cidades do mundo ocidental.
Os desafios da China parecem tão grandiosos quanto sua história, sua cultura e seu povo. E ao contrário do que se poderia supor em uma avaliação mais superficial, a elite política do regime parece bem consciente da complexidade de seus problemas e da necessidade de agir de forma contundente.
E aqui reside uma das maiores fragilidades de boa parte das análises ocidentais sobre a China que, além de transportarem mecanicamente conceitos completamente estranhos a uma civilização milenar, costumam ser carregadas de pré-conceitos e conclusões precipitadas sobre a elite política que governa o país.
E assim, cumpre ocuparmos algumas linhas para assinalar nossa impressão de que a China possui um regime autoritário e não uma ditadura e que, além disso, os dirigentes do Partido Comunista têm demonstrado uma enorme capacidade em absorver as aspirações de sua complexa sociedade, o que, em grande medida, explica a permanência do regime.
Os quadros políticos do PC Chinês debatem e falam abertamente sobre os problemas do país. Isso não ocorre numa ditadura, o que a china, de fato, não é. Esse é um dos elementos a explicar a manutenção do regime de partido único comunista da China.
O regime de Beijing certamente não é uma democracia de tipo ocidental, mas também não estamos tratando de uma ditadura hermética, baseada exclusivamente na força e na coerção de sua população.
Este é um elemento fundamental à compreensão da China contemporânea. Afinal, mesmo um regime autoritário está sujeito a pressões que emergem da sociedade e se vê obrigado a formar alguns consensos em torno dos quais pode organizar sua dominação. E o Partido Comunista Chinês tem demonstrado uma enorme capacidade em se adaptar a mudanças, em absorver demandas que emergem de fora do establishment, em incorporar a seu discurso novos elementos e até mesmo novas visões de mundo. Essa característica – que é uma das grandes virtudes do regime – é sistematicamente desconsiderada por parte expressiva das análises ocidentais, que buscam apenas enquadrar a China em seus esquemas de interpretação da realidade.
Os comunistas chineses, portanto, estão debatendo e agindo sobre os mesmos temas que os ocidentais vêem como ameaças potenciais ao predomínio do PCCh.
Impressiona, por exemplo, a atenção que o regime dispensa atualmente à juventude. Percebe-se não apenas novos quadros ocupando posições-chave na economia e na estrutura política do país, como também uma preocupação explícita em manter os jovens, de todos segmentos sociais, ocupados em diversas funções. Sem muito esforço o estrangeiro poderá perceber uma grande quantidade de jovens empregados em atividades aparentemente desnecessárias em hotéis, empresas e outras atividades. Trata-se de uma estratégia política deliberada e com forte impacto social.
A imagem da burocracia estatal chinesa em nada se parece com a daquelas gerontocracias características de regimes como o da Coréia do Norte. Jovens estão presentes em posições chave na economia e na administração pública, tornando explícita a enorme capacidade do sistema político chinês em renovar-se e formar novas elites.
Outro desafio que os comunistas chineses buscam enfrentar é o de seu imenso passivo ambiental. A China já é o país que mais investe em energias renováveis no mundo e há esforços, visíveis por toda parte, que buscam mitigar os danos ambientais de indústrias e veículos automotores.
O combate à corrupção se tornou um tema debatido abertamente pela sociedade chinesa. Xi Jinping tem sido, ele próprio, o líder de uma cruzada do Partido Comunista contra a corrupção de seus dirigentes, em especial, nas províncias mais afastadas.
E, por fim, o regime age explicitamente para manter a coesão do país com base num processo de inclusão social que pode, perfeitamente, ser considerado o maior da história da humanidade. Estima-se que 500 milhões de chineses adentraram a sociedade de consumo nas últimas décadas e o regime pretende incluir, ainda, algo em torno de duzentos milhões de chineses. A preocupação em manter níveis de crescimento que assegurem a sequência desse processo é o grande desafio do PC Chinês nas próximas décadas.
Portanto, crescimento, orgulho nacional e prosperidade compõem o tripé da nova ideologia chinesa, através do qual o Partido Comunista busca assegurar sua legitimidade. Talvez a grande aposta dos comunistas seja a manutenção de um sistema “eficiente” do ponto de vista da satisfação das necessidades de seu povo, como forma de assegurar sua legitimidade e hegemonia.
Para promover sua grande reforma, Deng Xiaoping precisou declarar que “socialismo não é miséria” e que enriquecer era glorioso. O pragmatismo de Deng não apenas salvou a China como também a alçou à condição de potência economia mundial. Os atuais dirigentes chineses foram formados na mesma escola pragmática. E os resultados obtidos trinta anos após a ascensão de Deng nos levam imaginar o lugar que o Império do Meio ocupará nos próximos trinta. A única certeza é a de que nem o mundo, nem a China serão mais os mesmos.
http://www.sul21.com.br/jornal/politica-e-ideologia-na-china-contemporanea-por-vinicius-wu/
Assis Ribeiro
26 de dezembro de 2013 9:01 amA imprensa alternativa no Brasil como resistência cultural
As publicações culturais fora dos circuitos oficiais, a chamada imprensa alternativa, é, no Brasil, uma prática bastante antiga. Desde a época do Império, circulavam dezenas de pequenas folhas tipográficas, os chamados “pasquins”, que invariavelmente retratavam as paixões políticas da época, deflagrando polêmicas, intensificando-se na luta pela independência e após a sua proclamação, em franca postura oposicionista, especialmente no período de 1822 a 1830. Esses pasquins, conforme Victor Viana, citado por Nelson Werneck Sodré “eram panfletários e atrevidos. Nos períodos de tolerância ou de liberdade, atingiu a grandes violências de linguagem e as polêmicas, refletindo o ardor apaixonado das facções em divergência, chegavam a excessos, a ataques pessoais e insinuações maldosas”.
Esse tipo de imprensa reaparece sempre que há mudanças no regime onde impere o autoritarismo.
É, no entanto, somente no início dos anos 60 que essa imprensa reaparece, agora como “imprensa alternativa”, devendo-se essa denominação a certas características como ausência de compromissos comerciais, liberdade de temário e crítica, uma alternativa, portanto, à imprensa tradicional bem como ao padrão da indústria cultural que justamente nos anos 60 implantava a “integração nacional”, ou seja, a massificação da cultura através dos meios de comunicação, especialmente a televisão.
Desejamos ressaltar que esse fenômeno não é exclusivamente brasileiro, mas eclodiu simultâneamente em vários países, invariavelmente, pelas mesmas razões de resistência ao poder representado pelos modernos meios de comunicação de massa, aliado a outros problemas mais específicos, como no caso brasileiro.
Com o golpe militar de 64, de alguma maneira, esse tipo de publicação sofre uma interrupção, ressurgindo a seguir com muita força, para consolidar-se durante todos os anos 70, como verdadeiro fenômeno de comunicação e já com características de movimento, chegando a representar uma forma de oposição e resistência ao regime militar.
Perseguidas na mesma medida do seu crescimento e importância, as publicações alternativas escapavam quase sempre ao controle da censura justamente por serem editadas, na sua maioria, de forma artesanal e sua distribuição ser feita principalmente por via postal e outros meios, como venda de mão em mão, em portas de teatros, bares noturnos e outros locais não convencionais.
O mesmo não ocorria com os jornais Em Tempo, Opinião, Movimento e Pasquim, que possuíam características de alternativos mas, contudo, eram distribuídos da forma convencional adotada pela grande imprensa. Esses jornais, chamados de nanicos por seu formato tablóide, marcaram época pelo seu conteúdo marcadamente político e de oposição ao regime militar, além de adotarem uma linguagem irreverente que, inclusive, chegou a contribuir na mudança de costumes. O Pasquim, seguramente o mais bem-sucedido deles, chegou a tiragens de 200 mil exemplares e foi objeto de uma tese de mestrado de José Luis Braga.
Mesmo com todo o sucesso alcançado, nenhum sobreviveu como empresa, como aconteceu, por exemplo, com o francês Libération.
Parelelamente ao surgimento desses jornais, aparece, no início da década de 70, em quase todos os estados brasileiros, grande quantidade de pequenas publicações, numa verdadeira explosão que poderia ser admitida como uma forma de resistência alternativa.
Editadas geralmente por jovens poetas desprovidos de recursos financeiros, sem nenhum cunho comercial, possuiam, com isso, um caráter efêmero. Muitas não conseguiram sair do número zero, algumas chegaram ao número três e, aquelas que tinham um suporte financeiro maior, geralmente ligadas aos grupos de poesia que foram também outro fenômeno da época, resistiram por maior tempo através do sistema de cooperativa de seus membros-editores. Em contrapartida, para cada publicação que desaparecia surgiam outras duas.
O teor dessas pequenas publicações, também conhecidas pelos rótulos de imprensa marginal, independente, nanica e de mimeógrafo, era dos mais abrangentes, indo do humorismo à poesia, passando por temas como ecologia, homossexualismo, negritude, feminismo, política, quadrinhos, teatro, cinema e tantos outros, mas a esmagadora maioria era poética.
Assim como os pasquins da época do Império, caracterizavam-se por uma linguagem agressiva e panfletária que, além da resistência à sociedade industrial avançada, procurava denunciar também as medidas governamentais arbitrárias da época. Passa a ser uma “voz” da literatura do “sufoco”, marginal por estar à margem do sistema oficial vigente e, por outro lado, como já dissemos, poética, pois, na verdade, ficou marcada pela veiculação de poesia, que por sua vez também era caracterizada por uma linguagem discursiva, coloquial, de caráter pouco literário e referencial, de postura ideológica, chegando a ser chamada de poesia AI-5, uma poesia que negava os temas tidos como “poéticos”. “Depois do golpe de 64, ficou patente que não se podia mais separar emoções subjetivas do contexto histórico”, conforme justifica a poeta Leila Micccolis, uma das estudiosas do movimento.
Além do aspecto da palavra, que fugia à tradição de informar através da imprensa, havia também o do grafismo, onde recursos como uso dos espaços brancos, de colagens e desenhos eram tão valorizados quanto o próprio texto. Não se poderia afirmar, entretanto, que visualmente fossem caracterizadas por uma unidade. Esse aspecto era o mais anárquico possível, incluindo aí também aquelas que não se utilizavam de nenhum outro recurso que não fosse o da palavra.
Ao lado desses folhetos e pequenos jornais, surgiam publicações mais elaboradas, estritamente ligadas à literatura como Escrita, a que alcançou vida mais longa, com cerca de 30 números, Ficção, Versus, Pedra Mágica, Inéditos, algumas delas chegando à uma verdadeira sofisticação gráfica, como José (com apenas dois números) e Anima (que chegou ao número 19) ambas de 1976 e 1977.
Essas publicações, em forma de revista, desempenharam um papel da maior importância, fazendo circular a produção literária mais inquietante e que sistematicamente era rejeitada pelas editoras que, por sua vez, diante do quadro geral, acovardavam-se diante das regras culturais impostas pelo regime vigente.
O poeta Paulo Leminski chegou a declarar que “os maiores poetas dos anos 70 não são gente, são revistas”. Muitas das obras que circularam nessas publicações estão hoje editadas por grandes editoras e à venda nas livrarias dentro do sistema convencional.
Edelcio Mostaço no artigo “Alternativa: Independência Ou Morte, notas sobre o circuito da ideologia” publicado em Arte em Revista N°.8, 1984, faz uma distinção entre ” alternativo” e “marginal”. Diz ele: “É freqüente a auto-definição empregada por certos artistas (ou por seus críticos) de que são independentes, alternativos, marginais, experimentais. Quando não tudo ao mesmo tempo, combinações de duas ou mais destas nomeações. São eles, porém, conceitos que, não se excluindo, não são sinônimos” (…) “os independentes e alternativos teriam suas ações mais ligadas à percepção da estrutura de mercado e estruturação capitalista da produção cultural e, seus trabalhos e organizações, visariam entrar na disputa destes poderes constituídos. Enquanto que os experimentais e marginais estariam trabalhando mais ao nível de desestabilizar por dentro estes poderes, evidenciando na crítica da ideologia e/ou dos circuitos instituídos (inclusive pelos primeiros) a ênfase de suas atuações”.
Pela complexidade e natureza desse fenômeno, seria empreitada arriscada uma conceituação mais rígida a respeito desse rico e polêmico universo de editoração alternativa.
A importância desse movimento editorial na década de 70, pode ser medida, examinando-se um artigo assinado pelo jornalista Evandro Paranaguá, publicado no jornal O Estado de S.Paulo em abril de 1979, sob o título “Um plano contra a imprensa alternativa”, onde é estampado o documento elaborado no ano anterior pelo Centro de Informação do Exército, que além de fazer um estudo sobre o assunto, analisando as causas da proliferação desse tipo de imprensa, sugere medidas a serem aplicadas para coibir a sua proliferação.
Apesar do aspecto político marcante dessa fase, verifica-se que o movimento alternativo não ficou restrito a ele, e a prova disso é que esse tipo de imprensa frutificou também nos anos 80, chegando a cerca de 800 títulos em 1982, perdurando até os dias de hoje, se não de forma tão numerosa mas de circulação tão intensa quanto naquela época, inda que com características diversas.
Grande parte dessa história e desse acervo faz parte hoje de entidades como o Centro de Cultura Alternativa da Rio Arte (Rio de Janeiro) e o Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de S.Paulo. Vêm sendo objeto de teses e ensaios como “Do Poder ao Poder” de Leila Miccolis; o “Retrato de Época” de Carlos Alberto Messeder Pereira, Pasquim-Anos 70, de José Luis Braga, Os Anos 60, de Luis Carlos Maciel, além de registrado em catálogos e artigos veiculados pela grande imprensa.
No livro “Do Poder ao Poder”, Leila Miccolis traça um amplo painel da história dos alternativos no Brasil e aponta, citando outras fontes, como uma fase expansionista pós-79 do jornalismo alternativo, o surgimento dos jornais de comunidade de bairro. Leila cita Maurício Azevedo, que define imprensa alternativa como “a manifestação dos setores da sociedade sem acesso à imprensa tradicional” e demonstra ser essa prática um reflexo de uma maior participação sócio-político-cultural da população.
Esta também não deixa de ser uma forma de reação à grande imprensa que, ao dar um cunho por demais universal aos fatos, acaba por relegar o noticiário da comunidade mais próxima. Pela própria configuração do habitat urbano, surgem “pequenas comunidades” ou micro sociedades, que vão de bairros a empresas, criando necessidades de comunicação entre seus habitantes pela simples razão de seus problemas e aspirações serem comuns.
Em meados dos anos 80, esses jornais de bairro já formavam um número bastante significativo a ponto de serem criadas no Rio de Janeiro e em S.Paulo, Associações de Jornais e Revistas de Bairro, com a finalidade de obter o reconhecimento do seu caráter profissional.
Essas mesmas necessidades e contingências sociais determinaram o crescimento e a solidificação da imprensa sindical, existente no país desde o final do século passado, mas que só se apresenta com características próprias a partir de 1978, justamente quando eclodiam as grandes greves no setor metalúrgico na região industrializada do ABC paulista e o movimento operário passa a despertar também a atenção da grande imprensa.
Apesar de não termos condições de estudar a imprensa sindical dentro do movimento da imprensa alternativa, é curioso notar que as publicações dos sindicatos também fazem uso de amplos recursos visuais, valendo-se da colaboração de grandes artistas gráficos ligados às áreas do cartum e da charge, para ilustrar suas páginas, na busca de novas linguagens.
O grande crescimento dessa imprensa ensejou a criação, em São Paulo, de uma editora especializada nessas publicações, que chega a publicar, mais de 20 importantes jornais do setor.
Com o objetivo de equacionar os seus problemas específicos, em especial aqueles concernentes à distribuição, foram feitas algumas tentativas na criação de associações reunindo os editores de pequenas publicações, mas desconhecemos que exista atualmente qualquer associação desse gênero, talvez pelas dificuldades que representam em termos de estrutura necessária a uma distribuição num país de dimensões continentais como Brasil.
No presente momento, cogita-se, mais uma vez, a criação de uma Federação dos Editores Alternativos, sendo esse assunto motivo de diversas discussões e encontros.
Sabemos, entretanto, que nos Estados Unidos, onde já existe um Conselho de Coordenação de Revistas Literárias (CCLM) ligado à Fundação Nacional para as Artes que distribui verba do governo federal para apoio a publicações alternativas e os editores independentes já estão organizados em uma Comissão de Editores e Publicadores de Pequenas Revistas (COSMEP), fundada em 1968, reunindo cerca de 700 editoras das cerca de 2.000 existentes, essas dificuldades também não foram sanadas, mas constituem uma atividades tão ou mais intensa do que a brasileira.
De acordo com Bill Henderson, essa explosão da imprensa alternativa também surgida naquele país na década de 60, foi a “derradeira e desesperada afirmação do indivíduo contra a máquina gigantesca social, militar, acadêmica, cultural e espiritual”, e, acrescenta ele, “a atividade editorial foi e continua sendo uma de nossas mais democráticas instituições”.
Presentemente, apesar de a situação política brasileira ter passado por mudanças, através de um processo que antecede mesmo a 1985, quando foi empossado um presidente civil na presidência da República, a normalização formal só veio ocorrer em 1988, com a promulgação da atual Constituição, as publicações alternativas continuam circulando no Brasil, permanecendo, porém, com as mesmas dificuldades anteriores. Neste começo dos anos 90 há quem tenha listado cerca de 300 títulos
A temática passou a refletir outras preocupações como a ecologia, a reflexão e discussão acerca da qualidade de vida e, curiosamente, um aumento espantoso de fanzines de estórias em quadrinhos. A poesia, contudo, continua ocupando grande parte de suas páginas, fato justificado talvez pelo tamanho dos poemas, de versos cada vez mais curtos, adequando-se, dessa forma, ao reduzido espaço dessas publicações ou, ainda, como uma prova de que os editores continuam não investindo em livros do gênero.
É importante ressaltar que à medida em que o número desse tipo de publicação crescia, acontecia exatamente o inverso com os suplementos culturais encartados nos jornais de grande circulação, especialmente os de cunho literário.
A grande imprensa, com raras exceções, mantém suplementos literários e culturais. O espaço cultural nos meios de comunicação de massa é, via de regra, ocupado por interesses ligados ao mercado, à chamada indústria cultural. O suplemento “Cultura” do Estado de S.Paulo, talvez o mais tradicional continua sendo publicado semanalmente, ao lado de outros poucos como os Idéias/Livros e Idéias/Ensaio, do Jornal do Brasil, do RJ. Os jornais Folha de S.Paulo e Jornal da Tarde, ambos de S.Paulo, publicam respectivamente o Caderno Letras e Caderno de Sábado. No mais, com raras exceções, são publicadas páginas de resenhas de livros dentro do critério mercadológico, onde é comentado aquilo que já está sendo vendido, em geral o chamado best seller.
Jornais exclusivamente culturais, distribuídos pelo sistema convencional, ou seja, venda nas bancas de jornais e através de assinaturas, são raros. Pode-se registrar os casos do Jornal de Letras, no Rio de Janeiro, que resiste bravamente há mais de 40 anos, graças à teimosia de seu editor, Elysio Condé, que enfrenta sérias dificuldades atualmente, prejudicando a sua periodicidade; o jornal VERVE, também do Rio de Janeiro, que circula há cerca de 4 anos e o jornal LEIA, de S.Paulo, agora transformado em revista mensal.
Por outro lado, as publicações editadas por órgãos públicos, como imprensa oficial, foram incrementadas, a partir do lento desaparecimento e perda de importância de publicações do tipo Movimento, Pasquim, Em Tempo.
Nessa área, continuam a circular bons suplementos como o Minas Gerais, dos que há mais tempo circulam (cerca de 24 anos) encartado no jornal Minas Gerais; O D.O. Leitura, da Imprensa Oficial do Estado de S.Paulo, que circula há cerca de 8 anos, entre outros. Destacam-se desse contexto, os mais recentemente fundados, Nicolau, do Estado do Paraná e O Galo do Estado do Rio Grande do Norte, suplementos que fogem à regra pela modernidade de suas propostas, a partir do seu aspecto gráfico, que explora recursos modernos de programação visual, até seu conteúdo, com matérias polêmicas e debates que discutem a atual produção cultural brasileira, inserindo-se muito mais no espírito das publicações alternativas, pelo seu aspecto estilístico e temático, do que no da imprensa tradicional.
Como se vê, o importante meio de comunicação representado pela imprensa alternativa, ainda desdenhado por alguns setores mais acadêmicos e desconhecido por outros, não poderá deixar de constar de qualquer estudo sério sobre a história da cultura e da imprensa brasileira, como um significativo papel de resistência cultural.
http://www.dalila.telesveras.nom.br/palestrasdalilatelesveras9.htm
Assis Ribeiro
26 de dezembro de 2013 10:11 amTerrorismo para opositores e manifestantes
Governo egípcio declara Irmandade Muçulmana grupo terrorista
Da Agência Lusa
Cairo – O Conselho de Ministros do Egito declarou hoje (25) a Irmandade Muçulmana como “grupo e organização terrorista”, anunciou o vice-primeiro-ministro e titular da pasta do Ensino Superior, Hosam Isa, citado pela agência estatal Mena. O governo acusou o grupo, do qual faz parte o presidente destituído, Mohamed Mursi, de ser responsável pelo ataque suicida de terça-feira (24) a uma esquadra da polícia. No ataque, 15 pessoas morreram e 134 ficaram feridas na cidade de Mansura, no delta do rio Nilo.
O atentado, também condenado pela Irmandade Muçulmana, foi reivindicado por um grupo fundamentalista com sede no Monte Sinai e que se diz inspirado pela organização Al Qaeda.
Nesta quarta-feira, um dos líderes da Irmandade Muçulmana no Egito, Ibrahim Munir, disse que o movimento continuará com os protestos, mesmo após o grupo ter sido considerado “terrorista” pelo governo. Segundo Munir, que está exilado em Londres, a Irmandade Muçulmana considera ilegal a decisão do governo.
Primeiro presidente civil eleito no Egito, Mohamed Mursi ficou pouco menos de um ano no poder e foi destituído pelo Exército no dia 3 de julho passado.
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-12-25/governo-egipcio-declara-irmandade-muculmana-grupo-terrorista
ArthurTaguti
26 de dezembro de 2013 12:39 pmÉ por isso que é tão difícil
É por isso que é tão difícil discutir tributação no Brasil: enquanto Haddad vê inúmeras dificuldades em aprovar o seu IPTU progressivo, o governo federal novamente reajusta a tabela do IR abaixo da inflação, permitindo que o imposto alcance faixas cada vez menores de salário e aumentando a regressividade fiscal. Cadê a Fiesp para protestar?
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,nova-tabela-do-ir-aumenta-cobranca-de-impostos-sobre-salarios,173893,0.htm
Fiódor Andrade
26 de dezembro de 2013 6:04 pmDefesa pedirá para Genoino cumprir prisão domiciliar provisória
Defesa pedirá para Genoino cumprir prisão domiciliar provisória em SP
globo.com
Pedido deve ser feito ao Supremo ainda nesta quinta (26), disse advogado.STF decidirá se ele poderá cumprir pena em casa ou se voltará ao presídio.
A defesa do ex-deputado federal José Genoino (PT-SP) informou nesta quinta-feira (26) que pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para que ele cumpra a prisão domiciliar provisória em São Paulo. O pedido deve ser encaminhado ainda nesta quinta, segundo o advogado Luiz Fernando Pacheco.
Genoino, prisão, mensalão, pf (Foto: Renato Ribeiro Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo)O ex-deputado José Genoino (Foto: Renato
Ribeiro Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Genoino teve prisão decretada e ficou detido por alguns dias no presídio da Papuda, nos arredores de Brasília, mas passou mal e foi internado no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (IC-DF). Depois de ter alta, foi para a casa da filha em Brasília e aguarda decisão sobre se poderá continuar a cumprir pena em casa definitivamente ou se voltará para o presídio.
O presidente do Supremo e relator do mensalão, Joaquim Barbosa, concedeu prisão domiciliar temporária até analisar o resultado de avaliação médica. Laudo feito por junta médica da Universidade de Brasília (UnB), nomeada por ordem do próprio ministro, afirmou que a cardiopatia de Genoino “não se caracteriza como grave” e que não há necessidade de tratamento domiciliar permanente.
A defesa quer que, antes mesmo de dar uma decisão final sobre a prisão domiciliar, Barbosa autorize a ida para São Paulo. “Ele [Genoino] está na casa de parente há vários dias e quer ir cumprir a pena na casa dele”, explicou o advogado.
O ministro pediu que a Procuradoria Geral da República e a defesa se manifestassem sobre o laudo antes de tomar uma decisão. O procurador-geral Rodrigo Janot opinou pela concessão da prisão domiciliar por mais noventa dias e sugeriu que, depois disso, o condenado passe por uma nova avaliação.
saiba mais
Parecer da PGR defende mais 90 dias de prisão domiciliar para Genoino
Laudo médico diz que Genoino não precisa ficar em casa para se tratar
Já a defesa de Genoino rebateu o laudo da UnB e afirmou que a avaliação médica foi feita três dias depois da internação de Genoino quando ele “já se encontrava com a saúde um pouco mais controlada e estabilizada”. O advogado criticou ainda o fato de que os peritos não foram ao presídio conhecer as instalações carcerárias.
Depois que a Procuradoria e a defesa opinaram sobre o pedido, Barbosa pediu informações para o sistema prisional do Distrito Federal e de São Paulo para saber se tinham condições de receber Genoino. A resposta não foi divulgada pelo STF.
Genoino fez cirurgia em julho para tratar um caso de dissecção da aorta, uma grande artéria que sai do coração, de onde partem os ramos que levam o sangue para os tecidos do corpo. A estrutura da parede da aorta tem três camadas, para aguentar a pressão do bombeamento do sangue. A dissecção da aorta ocorre quando o sangue se desvia do interior da artéria para o interior da parede e passa a correr entre as camadas dessa estrutura.
O ex-deputado foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa (4 anos e 8 meses) e formação de quadrilha (2 anos e 3 meses). Ele começou a cumprir a pena por somente corrupção ativa. Com relação à condenação por formação de quadrilha, entrou com recurso que será julgado no que vem.
Source: http://g1.globo.com/politica/mensalao/noticia/2013/12/defesa-pedira-para-genoino-cumprir-prisao-domiciliar-provisoria-em-sp.html
Gão
26 de dezembro de 2013 6:05 pmErupção vulcânica faz surgir nova ilha no Japão (vídeo)
Erupção vulcânica faz surgir nova ilha no Japão (vídeo)
Publicado a 21 NOV 13 às 08:21
A pequena ilha, com 200 metros de diâmetro, foi descoberta na quarta-feira no oceano Pacífico, a cerca de mil quilómetros a sul de Tóquio, no Japão.
Situada a sul-sudeste da ilha vulcânica inabitada de Nishinoshima, do pequeno arquipélago Ogasawara, a ilha vulcânica foi avistada pela primeira vez na quarta-feira por um avião da guarda-costeira japonesa.
A ilha, a primeira a ser descoberta na região nos últimos 40 anos, tem 200 metros de diâmetro e 20 metros de altura acima do nível do mar.
O secretário-geral do gabinete de ministros, Yoshihide Suga, já veio dizer que o governo do Japão espera aproveitar o “nascimento” da pequena ilha vulcânica para expandir as águas territoriais do país.
DR/Guarda Costeira do Japão
Em setembro, outro fenómeno da Natureza fez surgir também uma nova ilha no Paquistão. Um sismo de 7.7 de magnitude criou a nova ilha no mar Arábico, a 600 metros da costa paquistanesa. com cerca de 9 metros de altura e 100 metros de comprimento.
[video:http://www.youtube.com/watch?v=EviUfoGRp9c%5D
Cláudia Arsénio
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=3544694
Nova ilha ao sul do Japão cresce sem parar e se une a outra
Ilha formada por erupções vulcânicas subterrâneas continua aumentando
http://noticias.terra.com.br/ciencia/nova-ilha-ao-sul-do-japao-cresce-sem-parar-e-se-une-a-outra,a7acea9f84523410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
Luiz Eduardo Brandão
26 de dezembro de 2013 7:42 pmSalário mínimo: goleada na inflação
Renda
Salário mínimo tem ganho real de 72,3% desde 2002
Brasil Econômico ([email protected])
26/12/13 16:25
O salário mínimo terá um poder de compra equivalente a 2,23 cestas básicas
Novo valor de R$ 724, que começa a vigorar a partir de janeiro, vai adicionar R$ 28,4 bilhões na economia
O reajuste do salário mínimo para R$ 724, que entra em vigor a partir de janeiro, representa alta de 6,78% sobre os R$ 678,00 legítimos no ano passado e corresponde à variação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, de 1,03%. Com a alta, o salário mínimo acumula ganho real de 72,3% desde 2002, quando foi estabelecido em R$ 200.
A nova cifra no bolso de 48,2 milhões de brasileiros deve adicionar R$ 28,4 bilhões de renda na economia e R$ 13,9 bilhões na arrecadação tributária, de acordo com estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O novo valor terá um poder de compra equivalente a 2,23 cestas básicas, que hoje custam R$ 325,26.
Previdência
O acréscimo de cada R$ 1,00 no salário mínimo tem um impacto estimado de R$ 278,54 milhões ao ano sobre a folha de benefícios da Previdência Social. A variação de R$ 46 em relação ao ano passado vai significar um custo adicional de R$ 12,8 bilhões à previdência.
http://brasileconomico.ig.com.br/noticias/salario-minimo-tem-ganho-real-de-723-desde-2002_137933.html
Luiz Eduardo Brandão
26 de dezembro de 2013 7:49 pmA recuperação da OGP (ex-OGX)
Eike terá apenas 5% da OGX após acordo; ações disparam
Anunciada na véspera do Natal, renegociação da dívida internacional da petroleira com credores poderá tirar a empresa da recuperação judicial e mercado responde bem
Taís Laporta – iG São Paulo |
O mercado de ações reagiu bem ao anúncio do acordo entre a OGP (ex-OGX), do ex-bilionário Eike Batista, com seus credores internacionais, que renegociaram a dívida com a empresa e podem tirar a petroleira da recuperação judicial ainda em março. O anúncio foi feito na noite da véspera de Natal (24).
Elisa Rodrigues / Futura PressEike Batista: acordo foi presente de Natal para o ex-bilionário
As ações da companhia disparavam 26,32% às 12p4 desta quinta-feira (26), cotadas a R$ 0,24 na Bolsa. No melhor momento do dia, as ações chegaram a R$ 0,25.
Também os papeis da OSX, braço de construção naval do grupo EBX e principal fornecedora da OGX, subiam 17,39% no mesmo horário, com valor de R$ 0,54.
LEIA MAIS: OGX renegocia dívida com credores internacionais
Na noite de ontem (25), OGP e OSX firmaram um acordo de US$ 1,5 bilhão, reconhecendo os valores pleiteados pela OSX por rescisão de contratos com a petroleira.
O crédito reconhecido no acordo será convertido em ações de emissão da OGX, informou a empresa em fato revelante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Entenda o acordo
O acordo da ex-OGX com seus credores reduzirá a participação de Eike na companhia de 50% para apenas 5%. Somando os outros 4% que o ex-bilionário terá na OSX, ele deterá 9% do capital social das empresas. Dessa forma, o controle da petroleira passa para as mãos de seus credores.
A companhia receberá um financiamento entre US$ 200 milhões e US$ 215 milhões para custear suas operações e permitir fluxo de caixa. Já sua dívida de US$ 5,8 bilhões será convertida em ações.
Os credores farão o aporte de capital em duas parcelas: a primeira em janeiro e a segunda em março. Dessa forma, informou a empresa em fato relevante na terça-feira, a OGP “sairá da recuperação judicial sem dívidas financeiras e com capacidade revigorada de conduzir suas atividades”.
A empresa entrou com pedido de recuperação judicial no dia 30 de outubro, após dar calote no pagamento de uma dívida no valor de US$ 45 milhões. No dia 9 de dezembro, a OGX passou a se chamar Óleo e Gás Participações (OGP).
http://economia.ig.com.br/mercados/2013-12-26/eike-tera-apenas-5-da-ogx-apos-acordo-acoes-disparam.html
Gão
27 de dezembro de 2013 12:15 amÉ golpe, já falei antes
Empresas nas mãos dos extrangeiros, já tava tudo desenhado.