Da Carta Capital
Em 2 de dezembro, uma romaria de colombianos visitou, em razão do 20º aniversário de sua morte, o túmulo de Pablo Emilio Escobar Gaviria no cemitério dos Jardines Monte Sacro. Nascido em 1949, Escobar era carinhosamente chamado pelos colombianos pobres de “El Patrón”, e isso por ter, com o tráfico de cocaína operado pelo seu Cartel de Medellín, aberto 3 milhões de postos de trabalho, diretos e indiretos.
Fora isso, Escobar, considerado o maior traficante de cocaína andina de todos os tempos, realizou intensa e interesseira atividade assistencial aos carentes. Inspirado na lógica dopanem et circenses, ganhou fama de mecenas ao comprar passes de jogadores de futebol, como bem sabem os torcedores do Independiente de Medellín e do Atlético Nacional. Assim, provocava os traficantes rivais, Rodríguez Gacha, padrinho do Millonarios de Bogotá, e os irmãos Rodríguez Orejuela, donos do América de Cali. A propósito, todos eles inflacionavam o mercado da bola e dele se aproveitavam para lavar seus narcodólares.
Além de construir um presídio de luxo para uso próprio e fingir que cumpria pena reclusiva, quando sua meta era evitar a extradição para os EUA, o megatraficante Pablo Escobar montou um gigantesco e moderno centro de refino da pasta-base de coca peruana: refinava 5 mil quilos semanais da droga, como diz Luis Cañón na clássica obra: El Patrón, Vida y Muerte de Pablo Escobar.
Para os colombianos, a refinaria ficava em um lugar apelidado de Tranquilândia, pois a corrupta polícia não incomodava El Patrón. Quanto ao presídio luxuoso e de onde entrava e saía sem problemas, ganhou o significativo designativo de La Catedral, ou seja, o templo de Escobar. Com as atividades ilegais de Escobar, a Colômbia, que até então pouco contava no tráfico internacional, tomou em importância o lugar do Peru.
A marcante “jogada” de Escobar consistiu em comprar uma empresa de aviação civil, a ‘Servicios Aeroejecutivo de Aviación’, logo apelidada de “El Expreso de la Cocaína”. Sem nenhum helicóptero e com cerca de duas dezenas de pequenos aviões tipos Cessna e Turbo Commander, a empresa não só fazia o transporte da pasta-base do Peru, mas era eficaz, com reabastecimento nas Bahamas, no envio da cocaína em pó para os EUA, com desembarque da droga na Flórida.
Com os desmontes dos megacartéis de Medellín e Cali, a morte de Escobar, as prisões dos irmãos Orejuela e as delações premiadas nos EUA dos irmãos Ochoa, a indústria da cocaína andina sofreu mudanças. No mundo da droga, nenhum grande traficante internacional possui mais uma empresa aérea. Eles preferem terceirizar o transporte e fretar helicópteros, a exemplo do que fazem com as “mulas” humanas. No fundo, mudanças geoestratégicas, com uso maior do sistema bancário e financeiro internacional e a transformar Estados nacionais em narcodependentes, ou melhor, com o PIB a depender também do mercado das drogas proibidas.
Na Colômbia, os traficantes de cocaína andina trocaram os megacartéis pelos “cartelitos”, com estruturas enxutas, ágeis e atuação em rede planetária. Com a terceirização do transporte, as polícias encontram dificuldades na identificação dos mandantes e na prova de se ter agido com dolo no fretamento. Os donos dos helicópteros e aviões, por exemplo, repetem não saber de nada. Como regra, o piloto flagrado no transporte é poupado pelos patrões e, dessa maneira, abre-se espaço para declarar desconhecimento da mercadoria do fretamento.
O helicóptero da empresa familiar dos Perrella, pai senador e ex-presidente do Cruzeiro, e o rebento deputado estadual em Minas Gerais, transportava quase meia tonelada de cocaína. Pelo noticiado, até verba pública já serviu para abastecer esse helicóptero. A carga ilegal de cocaína restou apreendida em 24 de novembro passado, após aterrissagem do helicóptero no Espírito Santo, proveniente do Paraguai. Nesta semana, vazou a informação de as investigações policiais, em inquérito, terem concluído pela não responsabilização criminal dos dois Perrella parlamentares. A propósito, ainda não se sabe qual será a reação do representante do Ministério Público sobre essa apuração a envolver Zezé e Gustavo Perrella.
No caso, está claro ter a polícia trabalhado com mais velocidade na apuração de eventual participação criminosa dos Perrella do que na identificação do traficante, ainda um desconhecido. Pelo que se imagina, a cocaína apreendida seria vendida no Brasil. Num pano rápido, pelo menos a “culpa in vigilando” prevalece. Além do odor de cocaína nos Perrella.
Marco Santo
24 de dezembro de 2013 1:48 pmPerfeito a colocação do Dr.
Perfeito a colocação do Dr. Walter Maierovitch. Ele certamente sabe sobre o C.B.A (Código Brasileiro de Aeronautica) e o RBAH que trata das responsabilidades do PROPRIETARIO e do Operador da Aeronave no caso de asas rotativas. A responsabilidade civil e criminal é flagrantemente explicita. Só não quer ver o ato ilicito cometido, seja as autoridades encarregadas de fazer cumprir a Lei. A operação aérea é uma constante nesse negócio. A logistica é importante. Saber a trilha do narcotrafico basta seguir a rota das aeronaves. Penso ser um risco de altissimo grau o envolvimento dos agentes da Lei. Será que eles pensam que somos bobos?
Tenente Aldo Raine
24 de dezembro de 2013 2:16 pmEm conversa com Joel
Em conversa com Joel Silveira,seu amigo,Graciliano Ramos,o velho Graça colocou.Seu Joel,o Brasil nunca será um País sério e respeitado por que não tem um Golfo seu Joel.Como Graça,que tem a ver Golfo com isto,não entendi?Ora seu Joel,todo País sério e de respeito tem um Golfo,olhe a Geografia seu Joel.Toda vez que leio alguma coisa sobre essa historia do “Helicoptero do Pó”,vem a minha mente esse impagável dialógo do velho Graça e seu grande amigo Joel Silveira.
Robson Lopes
24 de dezembro de 2013 2:25 pmQuem enviou, quem iria receber?
Ou é muita inocência da polícia federal ou não sei qual foi a estratégia utilizada nesse caso, afinal, se eu fosse da inteligência policial e estivesse investigando um caso de tráfico de drogas, interessaria-me duas coisas principalmente, a primeira, quem está enviando as drogas? A segunda, quem irá receber? Da forma que conduziram as investigações, ficaram sem nenhuma das respostas. Porque não aguardaram até a entrega final, e como os donos, o piloto e co-piloto já eram conhecidos, porque não continuar investigando-os, enquando se perseguia a droga até os receptores?
Uma investigação furada, simplesmente isso.
AlvaroTadeu
24 de dezembro de 2013 3:28 pminquéritos “inocentantes”
Sutilezas da lei. Um sujeito bêbado, dirige um carro e mata 3 pessoas na calçada. O delegade abre o inquérito e indicia o motorista por crime doloso.O acidente foi às 2,30 da manhã de um dia qualquer. Alguém preenche o inquerito com o horário “12,30h”., um errinho de um número. Já está tudo combinado, escrivão, delegado, etc. O sujeito vai responder ao inquérito em liberdade. Mãos molhadas, a polícia trata de dar um “trato” nas testemunhas. Essas se reatraem e dizem que não viram nada. No julgamento, o advogado de defesa “descobre” o horário errado ou a falta de um carimbo. Pronto, o réu é inocentado por falta de provas. Mas nunca vi inocentar suspeitos antes de achar o suspeito verdadeiro. Nesse trabalho exala um mau cheiro da PF. Mas como o chefe é o Zé Cardozo, nesse caso, todo mundo é inocente. O culpado é o fumador de crack da Estação da Luz.
Lionel Rupaud
24 de dezembro de 2013 3:51 pmMais o tempo passa, mais o silência total da midia
sobre o caso fica ensurdecedor, e mais me deixa a impressão que o estado de MG é de fato dominado politicamente pelo narcotráfico.
Mas será somente o estado de MG? O helipóptero passou por Avaré (SP), e chegou numa fazendo do interior do estado de ES. E quem conhece os antecedentes daquele estado, dá para imaginar muita coisa!
DURVALDISKO
24 de dezembro de 2013 4:12 pmA mesma história que se
A mesma história que se repete: o consumidor que vira traficante…
Frederico69
24 de dezembro de 2013 4:19 pmna minha humilde visão
a velocidade com que a polícia negou as informações só me leva a crer que tem coelho neste mato.
se fosse um ‘simples’ traficante, já teriamos um nome para as notícias!!
José Nogueira
24 de dezembro de 2013 5:24 pmentre tapiocas e cocaína
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Quase não repercutiu na imprensa a apreensão de meia tonelada de cocaína no helicóptero dos aliados de Aécio Neves, ao passo que houve uma enorme repercussão no episódio em que o ministro dos esportes Orlando Silva gastou R$ 8,00 com tapiocas usando o cartão corporativo.
É interessante comparar os critérios jornalísticos aqui do Brasil. Nas poucas vezes que a notícia do helicóptero da cocaína foi publicada, os grandes veículos de comunicação brasileiros contentaram-se com a versão dos acusados sem questioná-los. Neste caso agiram como moleques de recado. Para fazer o tipo de cobertura que fizeram, poderiam mandar uma criança de oito anos de idade com as perguntas anotadas em um caderno e um gravador. Mas quando José Dirceu arruma um emprego, todo mundo se mexe para descobrir quem é o empregador e toda a biografia dele (o que é o certo, agiram como jornalistas).
Por todas essas razões é imprescindível que lutemos pela liberdade de imprensa e contra a censura. Jamais teremos uma imprensa livre enquanto os jornalistas tiverem de se submeter à censura hedionda de seus patrões.
Francisco Ernesto Guerra
24 de dezembro de 2013 10:00 pmOperação mãos limpas
O Walter Maireovicht deveria ser indicado para as comissões “mãos limpas” a serem instaladas em SP e MG, após as derrotas de geraldinho da opus dei e andréa neves.
Fabio (o outro)
24 de dezembro de 2013 10:33 pmSem dúvida .
E com menos
Sem dúvida .
E com menos dúvida ainda , por estarmos no Brasil , teria o mesmo fim do promotor italiano Falconi .
Se até meia dúzia de policiais vagabundos conseguiram assassinar os juizes Alexandre Martins e Patricia Accioli , imagine o que fariam os medalhões da República .
Fabio (o outro)
24 de dezembro de 2013 10:41 pmRealmente, é o que todos
Realmente, é o que todos estão comentando : a rapidez em isentar de culpa os Perrela , e a falta de vontade da grande imprensa em cobrir o caso.
A GLOBO e a VEJA quando querem – e lhes interessa – conseguem o que querem do Ministério Público e da Policia Federal . Têm acesso a tudo.
Se fosse algo que envolvesse o PT , conseguiriam entrevista com o piloto do heicóptero , colocariam repórteres a campo para investigar toda a história , o trajeto do helicoptero naquele dia , entrevistariam o senador , tracariam um perfil pejorativo de seu filho deputado , e ainda que não conseguissem provas conclusivas , lancariam sombras sobre a reputacão dos envolvidos .
A história é cheia de contradicões. Num primeiro momento , o deputado disse que não sabia de nada. Ante essa negativa , o piloto mostrou a mensagem de celular onde o deputado lhe dava autorizacão para o vôo. Mas a autorizacão era para transportar insumos agrícolas ……. E no dia anterior o helicoptero esteve no Paraguai ! Mas a famíia PERRELLA nada sabia. Tão inverossímel quanto as explicacões da família Sarney sobre a origem do dinheiro apreendido na empresa LUNUS .
josé lima
25 de dezembro de 2013 12:12 amE alguns cretinos que se dizem jornalistas…
E alguns cretinos, que se dizem jornalistas, ficam escrecvendo cretinices sobre um pretenso emprego a ser concedido a José Dirceu, para cuidar dos livros do escritório do Dr. Gerardo Grossi, e, ainda, repercutindo a opinião idiota de uns tais componentes de um tal conselho de biblioteconomia, isto é, coisa nenhuma, que afirmam irão intervir para processar o Grossi, enfim…
Bando de desocupados!
Mas, sobre o tal helicóptero carregado de cocaína e a bandidagem tucana do trensalão e da máfia do ISS esses cretinos, não escrevem, sequer, uma linha.
Já pensou se o tal helicóptero fosse de um amigo do Dirceu, Genoíno, João Paulo ou Delúbio?