Ele explica: “Nosso modelo de desenvolvimento é ruim, mas a gente tende a ter um ‘swing’ (oscilação) de discreta melhora. Estou me posicionando para isso”, afirma em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, na sede da corretora Credit Suisse Hedging-Griffo, da qual é diretor.
Esse reposicionamento, que significa ajustar ativos superiores a R$ 20 bilhões, vem depois de um ano em que o fundo Verde, sob sua gestão, apostou em acentuada piora das condições brasileiras.
O resultado – que ele faz questão de dizer que o deixou feliz por ter feito as previsões corretas, que é o seu principal papel como gestor, mas “triste com o País” – foi uma valorização acumulada de 16,14% no ano até novembro, contra um CDI (juros) de 7,22% e uma bolsa que perdeu quase 15% nesse período.
Dois aspectos o haviam levado, ainda em setembro de 2012, a prever essa deterioração: a política fiscal e as contas externas. Mais recentemente, no entanto, ele começou a ver sinais mais positivos vindos tanto de Brasília quanto do cenário externo. O governo Dilma Rousseff, diz ele, tomou algumas medidas na direção certa, como o leilão de Libra, as concessões de infraestrutura à iniciativa privada, além do combate à inflação – inflação que ele credita como um dos principais catalisadores para as manifestações de junho.
O reflexo da mudança na visão de Stuhlberger nas carteiras de investimentos dos fundos administrados por ele se deu principalmente pela compra de ações brasileiras – cuja participação havia caída para 8%, mas voltou recentemente para 13%. Os fundos mantiveram, no entanto, a posição comprada em dólar (apostando na alta da moeda americana) – que ele entende estar “represado” pela atuação do Banco Central, que vem ofertando semanalmente US$ 2 bilhões em swaps cambiais.
Durante a conversa, na última quarta-feira, Stuhlberger interrompeu uma das respostas, às 17h01, para se informar sobre a reunião do Federal Reserve que terminara pouco antes e da qual saiu a decisão de reduzir, a partir de janeiro, as compras mensais de ativos em US$ 10 bilhões (processo chamado no mercado de tapering). “Terminou o Fed?”, pergunta, ao telefone. “Saiu o taper! Humm… Em janeiro já? Uau. Uh-huh… pouca coisa. E aqui? Os juros? Janeiro 17… Só? Ah. E o dólar? Ah, não andou. Não mexeu nada, então. Índice? Nossa, quase que sem… sem… Pouco impacto, hein? Tá bom. Ok”, finaliza a ligação. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Menos pessimista
“Já estive expressando nos meus fundos uma visão mais negativa do que hoje. Isso não quer dizer que estou otimista. Acho apenas que a gente vai ganhar um tempo. O Brasil ainda melhora um pouco antes de piorar. Nosso modelo de desenvolvimento é ruim, mas a gente tende a ter um ‘swing’ (oscilação) de discreta melhora. Estou me posicionando para isso. A piora na percepção do Brasil aumenta o prêmio, aumenta a angústia, mas pelo menos já serviu para alguma coisa. Pelo menos, o governo acordou para algumas questões. Estávamos assim há quatro, cinco anos e de repente destravou Libra, destravou Galeão, destravou Confins, estradas. O governo acordou para dar um certo ‘push’ nessa agenda. Você não conserta o modelo totalmente, mas joga o muro onde você vai bater para mais longe.”
Inflação e manifestações
“Minha percepção é que o País continua com uma certa agonia lenta nesse modelo de inflação resiliente, sem sair muito da meta, e pouco crescimento por mais algum tempo. Mas o governo aprendeu que a inflação tira a popularidade com uma rapidez enorme. Muito mais do que a Selic (taxa básica de juros). Ninguém se incomoda com a Selic. A inflação, principalmente de alimentos, corrói a renda. Esse movimento de junho (manifestações) foi desencadeado mesmo pela alta de alimentos de abril e maio. E acho que em saúde, educação e mobilidade urbana se ganhou muito pouco. Essa noção do equívoco ela também veio muito rápido.”
Moto-contínuo tropical não deu certo
“Só gerar consumo não deu certo. Esse movimento todo voltado somente em transferência de renda, aumento do salário mínimo e crédito, investindo 5% menos do PIB do que o mínimo necessário, uma hora pagaria o seu preço. O governo tem de planejar o desenvolvimento. Tem de planejar os vetores do desenvolvimento e, na verdade, o governo ficou feliz com a inclusão social e a distribuição de renda e achou que o resto viria naturalmente, a reboque. É o ‘moto-contínuo tropical’, movido por princípios como a ‘oferta cria sua própria demanda’, ‘a previdência é um ativo, não um passivo’ e ‘quanto mais se aumenta o salário mínimo melhor, porque a renda se espalha e todos ganham’. É como se dissessem: ‘deixe as commodities fazerem o trabalho delas e a gente vai crescendo’. Agora a gente viu que isso não existe. Quando eu vejo que o governo já tem o diagnóstico, eu fico feliz. Eu não negligencio esse fator. Não acho que isso seja pouca coisa.”
PT e Dilma estão aprendendo
“Eu acho, honestamente, que o PT sempre aprende. Acho a Dilma uma mulher inteligente e preparada. Se você me dissesse que conseguiriam ressuscitar a Margaret Thatcher, ainda assim ela teria dificuldades para consertar isso aqui. Por que onde você vai achar os R$ 4 trilhões que deixaram de ser investidos nos últimos 20 anos? Isso aqui não é um problema de pessoas. O aparente ‘way of life’ dos mercados emergentes, enfiando US$ 1 trilhão por ano, melhora muito. Mas quanto tempo é necessário para melhorar a qualidade das instituições? Demora muito, uma centena de anos. Estamos vivendo as dores de ter melhorado algumas coisas e não melhorado em outras.”
Câmbio represado pelos US$ 80 bi em swaps
“O BC tem de agir. Não estou dizendo que o Banco Central está equivocado (com o programa de oferta diária de swap cambial – venda de dólares). Eu acho que ele está, talvez, exagerando na dose. Vendendo seguro em dia de sol. Em momentos de pânico, como quando começou a história, em maio, do tapering, todas as moedas se depreciaram. Hoje o Brasil ficou sozinho nessa política de intervenção. Isso não é de se achar que é normal. Há dois fatores para levar a uma desvalorização no câmbio: conta corrente (contas externas) ou fiscal. E os dois vão na mesma direção (de piora). Acho que o BC vai administrar uma alta. Não vai querer congelar o câmbio.”
Fiscal precisa de Pelés para marcar gol todo ano
“As despesas do governo – e não é um ano eleitoral – vão acabar o ano subindo quase 8%. E as receitas, algo como 3,5%, mesmo com Libra e Refis. A receita federal sem as excepcionalidades estaria crescendo na proporção do PIB, 2,5%. O superávit primário sem as receitas extraordinárias é quase zero. Está em 0,3%, 0,4% (no conceito estrutural – sem receitas extraordinárias). Mostrar que o País tem sustentabilidade fiscal sem precisar de receitas extraordinárias é justamente o maior desafio brasileiro. Isso me lembra dos anos 60, quando falavam que o Santos só ganhava porque tinha o Pelé. O Pelé estava sempre lá para fazer os gols salvadores. Este ano, o Brasil teve seus ‘Pelés’. Teve Libra, o Refis da crise e dos lucros no exterior. Quais serão os Pelés dos próximos anos?”
Dá para ter alguma melhora na margem
“Em suma, eu, por incrível que pareça, estou menos pessimista do que já estive. Um país que gasta tanto dinheiro, que consome 41% do PIB, se ele puser um pouco de ordem na casa, ainda que no longo prazo esse modelo seja insustentável sem reformas, dá para melhorar. Alguma melhoria na margem dá para ter e acho que o mundo indo bem nos ajuda.”
Exagero com o tapering
“Saiu o tapering. Se você me perguntasse às 16h50 (dez minutos antes do anúncio), eu diria que iriam esperar mais um mês. Mas é questão de mais um mês, apenas. Não tem muita diferença. Agora, dado que havia uma expectativa de 70% de não ocorrer agora o tapering, eu esperava que a reação dos mercados, que a valorização do dólar, fosse maior do que foi. O tapering, francamente, não é tightening (aperto). É simplesmente imprimir menos dinheiro. Não é que estão subindo os juros. Há um certo exagero nisso. Deu um certo ‘shake’ em maio, junho, mas no segundo semestre ele foi típico: cada um na sua. Honestamente, não culpe os americanos, os gregos, os espanhóis, os russos e os chineses pelos problemas dos brasileiros. Nossos problemas são nossos. De todos nós. É muito fácil sempre colocar a culpa no Fed pelos nossos problemas. Vamos ignorar o Fed.”
Economia internacional não joga contra
“A China andou bem. A Europa andou médio, mas melhorando. E os Estados Unidos andaram muito. Isso naturalmente é benéfico. Pelo menos para a indústria brasileira e para as commodities. Não necessariamente é bom para o consumo, mas ajuda a economia brasileira. Em 2014, o cenário se repetirá, com crescimento moderado no mundo e com juros sob controle lá fora.”
Walter o primeiro
22 de dezembro de 2013 2:00 pmSempre com segundas intenções
O pacato cidadão esta alavancado em dolar
Quer enganar a quem
Alexandre Weber - Santos -SP
22 de dezembro de 2013 2:25 pmPrimeira impressão
Que o fundo dele está comprado em Dólar.
Alexandre Weber - Santos -SP
22 de dezembro de 2013 2:19 pmFundos de mercado
O pessoal dos fundos financeiros brasileiros olham para um Brasil muito pequeno.
Têm como única preocupação a Petrobrás.
Mas o mundo é muito mais complexo e dependente de hidrocarbonetos do que muitos imaginam, o óleo do pré-sal está lá, alguma empresa vai se apoderar dele.
Nosso futuro, como nação é certo.
Agora, crescer trás dificuldades estruturais, com uma taxa de arrecadação de impostos sobre o País em nível confiscatório, não existe mágico que dê geito nas contas públicas, bem como, a harmonização necessária nas diversas pontas do desenvolvimento fica impossível.
Pau que nasce torto, morre torto.
Dilma, começa com a reforma do Estado, com um ministério de 14 pastas e 72 secretarias.
Acorda, Dilma!
Lionel Rupaud
22 de dezembro de 2013 3:08 pmConheço muito bem esses “gestores de recursos”
tem o mesmo problema de ego fora do lugar dos jogadores de futebol: acham que valem o que ganham.
Ninguém iria colocar um estrela do futebol para gerenciar um pais. Então não escutam as estrelas do “wealth management” para definir o futuro de um pais.
Obelix
22 de dezembro de 2013 3:11 pmAs profissões mais antigas do mundo.
Prezados, é assustadora a incrível semelhança no mundo dos negócios e finanças.
Se eu não tivesse lido a identificação e profissão do personagem, diria que se tratava de um cafetão.
Engraçado mesmo é o “ar de ciência” imprimido pela jornalista.
Fica a dúvida, como acreditar ou melhor, que sentido tem, ouvir um sujeito destes que faz apostas e depois influencia (junto com os seus pares e o “sistema de rating e avaliações”) o resultado para que ele se autorrealize?
Perguntem ao cafetão sobre o serviço da menina contratada. Ele vai te garantir que ela será o que você deseja. Temos certeza que sim.
O toque sobre inflação e manifestação de julho foi o ápice.
Ninguém sério deveria dar atenção a um troço destes.
Se colocarmos um orangotango no lugar deste rapaz o resultado será o mesmo, ou talvez melhor. É só ensinar ao pobre símio uma sequência de identificações de botões e símbolos coloridos em planilhas.
Alexandre Weber - Santos -SP
22 de dezembro de 2013 6:55 pmVendilhões do Templo
Caro Obelix, os vendilhões do Templo foram os únicos personagens bíblicos agredidos fisicamente por Jesus, que lhes tascou o cajado.
Estes gestores de fundo não servem para nada que preste ou seje bom para o povo e a nação, vigiam interesses inconfessáveis com a faca nos dentes e produzem resultados, como você bem disse, se não forém manipulados, aleatórios.
Existem vários estudos que provam a ineficiência de apostar no mercado financeiro, com os seus ganhos refletindo exatamente a sorte de uns poucos e a burrice da maioria que perde para os que sugam comissões e provocam fraudes em benefícios próprios.
A única razão de uma entrevista como esta é provocar uma previsão auto-realizável, sem mais e sem menos.
O sujeito que gere um fundo destes é antes de tudo um super cara de pau mentiroso, que quer comandar a manada pelo caminho errado onde só ele, na posição contrária, ganha.
Têm de se investigar todos os lucros que obteve, se foram conseguidos com estratégias lícitas e éticas, caso não se comprove a lisura, pois a fraude é presunção face a dinâmica lucrativa dos operadores, sempre levando danos à maioria, cabem indenizações por danos morais e pecuniários.
Compará-los com proxenetas é mácular uma profissão que tenta trazer algum conforto e diversão para os homens de bens. Estes daí são os instrumentos do demônio na terra.
Obelix
22 de dezembro de 2013 7:35 pmIguais mas diferentes.
Prezado Senhor,
De modo algum rebaixei os cafetões e cafetinas a mesma categoria moral destes gerentes.
Só tracei uma analogia sobre modo de operação, aí sim, bem parecidos: ameaçar e espancar a realidade (prostituta) até moldá-la a seus caprichos e intenções negociais.
Quanto mais a dócil a realidade (prostituta), mais lucros, e mais ela vai se parecer (amoldar) com o gosto do cliente.
Cordiais saudações.
Osvaldo Ferreira
23 de dezembro de 2013 12:54 amAffff….
Affff….