Com uma população que ultrapassa 600 mil moradores, o distrito de Campo Limpo, na Zona Sul de SP, poderia ser uma das maiores cidades do Brasil, caso fosse um município. Marcado por desigualdades sociais, como na maioria das periferias da cidade, é nesse bairro que surge, em 2011, uma escola de comunicação comunitária fundada por seus próprios moradores.
Idealizado em 2006, o projeto tomou forma quando um jovem jornalista do bairro, Tony Marlon, entendeu que poderia utilizar as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como uma ferramenta para a mobilização juvenil e transformação social do Campo Limpo.
Em 2011, a escola deu seu primeiro passo, prestando serviços nas áreas de assessoria de imprensa, educomunicação e mobilização comunitária, no intuito de angariar fundos para a criação de uma escola comunitária de notícias. Em 2012, com a crescente demanda pelos serviços, o grupo conseguiu se estabelecer como uma produtora sociocultural e fortalecer uma rede de colaboradores e parceiros. Com o sucesso das ações foi possível dar início às aulas de comunicação a jovens de escolas públicas e privadas da região.
Dividido em oficinas que envolvem práticas jornalísticas em jornal, rádio, vídeo e fotografia, o projeto instiga os estudantes a investigar e pesquisar seus territórios utilizando as ferramentas de comunicação durante todo o percurso do curso, que tem duração de um ano. O intuito da vivência educomunicativa é mostrar aos envolvidos que não basta apenas dominar as novas tecnologias da informação, mas utilizá-las em prol de um objetivo em comum e que este envolva a toda a comunidade.
Baseados na chamada investigação apreciativa, que tem como intuito buscar os pontos positivos de determinada localidade, os participantes são estimulados a realizar um diagnóstico de suas próprias histórias e vivências, assim como as histórias do Campo Limpo, contadas de geração a geração. Em seguida, realizam também atividades em espaços públicos do bairro e depois voltam seus olhares para o espaço escolar.Após o período formativo, os estudantes podem também passar por uma vivência profissional na própria escola. Além da comunicação, a organização realiza oficinas com outros movimentos sociais do bairro, que vão desde um café da tarde no sarau local a aulas de pinturas em garrafas. Abaixo, algumas iniciativas desenvolvidas pelo projeto:
Jornal Fazer Escola
A partir de uma parceria com o jornal local do bairro, o Escola de Notícias produz mensalmente o caderno “Fazer Escola”, que traz diversas histórias de moradores ou de práticas pedagógicas de escolas da região. A publicação é um serviço público à comunidade, já que, além de trazer informações sobre as escolas locais, dá dicas de cursos e editais de financiamento para projetos socioculturais. Os 5 mil exemplares da publicação são distribuídos gratuitamente dentro das escolas.
TVer! – Uma História Puxa a Outra
Uma vez por semana o projeto entrevista algum morador do Campo Limpo que vem fazendo a diferença no bairro. O diferencial do programa é que o próprio entrevistado indica a entrevista que quer ver no canal na próxima semana, fazendo do próprio programa uma rede de contatos na região. Além do canal no Youtube, a Escola de Notícias possui um projeto utilizando ferramentas radiofônicas, no qual são publicados os trabalhos feitos pelos estudantes. Acesse o projeto PodeCast!
Leia mais sobre a experiência no Centro de Referências em Educação Integral
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