Know how do Bolsa Família servirá de apoio à política agrária

Em entrevista exclusiva, ministro do Desenvolvimento Agrário fala das estratégias de sustentação para a agricultura familiar
 
 
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) conseguiu, de 2002 a 2013, aumentar em mais de 717% o volume de crédito contratado pela agricultura familiar por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando um volume de R$ 21 bilhões. A título de comparação, no mesmo período, o crédito contratado pelo agronegócio aumentou em 342%. Agora, o novo ministro da pasta, Patrus Ananias, pretende aumentar ainda mais o número de propriedades familiares com acesso ao crédito rural, levando a experiência que ganhou do Bolsa Família, quando esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento Social. 
 
As propriedades de pequeno porte, geridas por famílias, representam hoje 84% dos estabelecimentos rurais do país. Esse dado revela o quanto é importante a existência de políticas de incentivo à agricultura familiar. Durante sua participação no programa Brasilianas.org (TV Brasil), o ministro Patrus Ananias, que acaba de assumir a pasta do MDA, apontou que um dos desafios das políticas públicas para o setor é ampliar o número de propriedades familiares capacitadas para obter crédito pelo Pronaf. Isso porque, o programa atende hoje cerca de 2 milhões de propriedades em um universo de 4,3 milhões de unidades agrícolas familiares.
 
Para o ministro, um passo importante que precisa ser dado para melhorar a sustentabilidade econômica dos pequenos produtores é incentivar o cooperativismo. Tradicionalmente as regiões brasileiras do Sul e Sudeste tem o cooperativismo mais consolidado, deferentemente do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para tanto, o MDA buscará melhorar os acordos com as universidades agrícolas, reforçar o trabalho da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), criada por decreto em 2014, além da Embrapa.
 
Foto: Tamires Kopp/MDA
“Estou cada dia mais convencido que a agricultura familiar, para se viabilizar no mercado, de forma rentável, além de outros objetivos, precisa gerar excedentes e isso passa pelo cooperativismo associativo, fundamental para agregar valor é criar sinergias”, completou Patrus Ananias em entrevista ao apresentador do programa Luis Nassif.
 
Segundo o ministro, metade das propriedades de agricultura familiar no Brasil está situada no Nordeste. Já o Sul e Sudeste respondem por 19% e 16%, respectivamente, do total de propriedades familiares. Nessas duas últimas localidades os produtores pequenos são, em sua maioria, autossuficientes, produzem alimentos para o comércio, muitas vezes vinculados à agroindústria. Em outras palavras, possuem capacidade para agregar valor à produção.
 
“No Nordeste temos uma situação mais desafiadora, especialmente nas regiões do semiárido. onde existem os problemas da seca. Precisamos também [nessa região] de investimentos tecnológicos para melhorar a qualidade do solo”, completou o ministro.
 
Levar know how do Bolsa Família
 
Patrus Ananias foi Ministro do Desenvolvimento Social (MDS) quando o programa Bolsa Família foi ampliado e desenvolvido de forma capilar chegando à todos os municípios com renda paga diretamente às mulheres, chefes de família, por meio da Caixa. Ele espera, agora, usar a experiência desse programa para ampliar o Pronaf.
 
No caso do Bolsa Família, já existia uma rede de assistência social em todo o país que foi aproveitada e ampliada para melhorar a coleta de dados de famílias necessitadas.  O MDS, passando pela gestão de Tereza Campello, melhorou o recolhimento de informações consolidadas hoje no Cadastro Único, com dados de famílias que recebem até três salários mínimos.  Agora, a frente do MDA, Patrus pretende pegar emprestado esses dados.  
 
“Pretendemos trabalhar muito com esse cadastro, inclusive para fazer um levantamento das famílias acampadas, com perspectivas de ter acesso à terra através da reforma agrária”, completou.
 
Existe latifúndio no Brasil?
 
Em relação à reforma agrária e a atuação junto com o Ministério da Agricultura, Patrus admitiu que existem diferentes objetivos entre as duas pastas. Por outro lado, arrematou que as diferenças são “normais e saudáveis”, e acredita que quando houver necessidade de trabalho conjunto entre os dois ministérios será possível encontrarem pontos de consenso.
 
Patrus levantou esse tema devido a uma fala da Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Kátia Abreu, dada em uma coletiva, em que afirmava não existir no Brasil latifúndio. O ministro do Desenvolvimento Agrário preferiu não criticar o posicionamento de Kátia Abreu, respondendo que o Brasil é um “país muito grande, com extraordinárias possibilidades e potencialidades”.
 
“Fazemos parte do mesmo governo. Considero como latifúndio no Brasil toda a grande propriedade que não esteja produzindo dentro de suas potencialidades, de suas possibilidades. Agora, o que define se uma propriedade é produtiva, ou não, são os índices de produtividade que é uma matéria que tem que ser definida pela sociedade brasileira, inclusive pelo Congresso Nacional”, afirmou, reforçando, em seguida, que seu objetivo à frente do MDA será buscar ação integrada com todos os atores envolvidos nos temas da política agrária para de pequenos agricultores.
 
Acompanhe a seguir a entrevista completa, dada ao jornalista Luis Nassif, onde o ministro fala das propostas para fixar o jovem no campo, do desafio de se estabelecer uma agricultura ecológica e do papel do Partido dos Trabalhadores na nova sociedade. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=eYeefDXa6CM width:700
 

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1 comentário

  1. Assistência Técnica e Extensão Rural

     

    Boa noite.

    Excelente a entrevista do atual ministro Patrus Ananias.

    Esperemos que as entidades de ATER sejam fortalecidas pois elas são responsáveis pela transferência de conhecimentos, sem desmerecer as universidades agrícolas, que têm um papel a cumprir quanto ao desenvolvimento de tecnologias de baixo custo.

    Desde 2014 o número de editais e chamamentos públicos disponibilizados pelo MDA para projetos de ATER tem sido baixo.

    Grato

     

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