A Jamil Chade, chanceler venezuelano liga Bolsonaro a invasores da embaixada

'O país receptor, no caso o Brasil, tem a obrigação de proteger, o que foi a primeira coisa que não ocorreu. As pessoas entraram, apesar da segurança da polícia brasileira no entorno da embaixada', alertou.

Foto CDHM

Jornal GGN – Segundo o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, houve uma ‘linha de comando’ entre Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, e os líderes da invasão da embaixada da Venezuela em Brasília. Arreaza, chefe da diplomacia de Caracas, conversou com Jamil Chade sobre o ocorrido.

De acordo com Arreaza, houve uma ‘instrução direta’ do presidente do Brasil. Primeiro postaram nas redes um comunicado com o nome de Juan Guaidó, opositor de Maduro. Depois o nome de Guaidó foi retirado no segundo comunicado.

Para o chanceler isso é tudo muito grave, mas felizmente a solução veio de modo pacífico. ‘Mas é muito grave e deveria abrir uma investigação não apenas sobre as pessoas, mas sobre os contatos e sobre as relações que essas pessoas têm com o governo do Brasil, especificamente no Itamaraty’, disse ele.

‘O país receptor, no caso o Brasil, tem a obrigação de proteger, o que foi a primeira coisa que não ocorreu. As pessoas entraram, apesar da segurança da polícia brasileira no entorno da embaixada’, alertou.

O Itamaraty não respondeu às indagações de Jamil Chade no tocante às declarações do ministro venezuelano. Chade apurou que as ligações do governo brasileiro com o líder da invasão na embaixada existem, e não são fracos. O líder, Tomás Silva, se encontrou com Mourão, o vice-presidente, por duas vezes no Palácio do Planalto e o autoproclamado ministro-conselheiro esteve por 16 vezes no Itamaraty, neste ano.

Tais informações estão no Requerimento de Informação solicitado por Ivan Valente (PSOL-SP) e os encontros tiveram como pauta assuntos relacionados à cooperação entre os dois países, isso nas agendas oficiais. Muitos dos encontros tiveram a presença de Maria Teresa Belandria Exposito, reconhecida pelo governo brasileiro como embaixadora de Guaidó no Brasil.

Silva teve uma agenda variada com expoentes do governo brasileiro. Em abril esteve com o secretário de Política Externa Comercial e Econômica, Norberto Moretti, para uma “visita de cortesia”. No dia 21 de agosto, o encontro foi repetido, desta vez, para apresentar o “Plano País”, formulado por Juan Guaidó.

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‘Silva também teve encontros com o chefe da Divisão Controle Imigratório, Erwin Baptista Bicalho Epiphanio, para tratar da emissão de visto oficial, e com o assessor da Secretaria de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania, Francisco Jeremias Martins Neto, para discutir a extensão da validade de passaportes venezuelanos’, aponta Chade.

‘Com a chefe da Divisão de Cooperação Jurídica Internacional, Fabiana Arazini Garcia Kanadoglu, Silva discutiu temas relacionados à cooperação jurídica internacional. Já a pauta com o segundo-secretário da Carreira de Diplomata Marcelo Adrião Borges foram “atualizações sobre temas de política interna da Venezuela”’, lista o jornalista.

O chanceler brasileiro Ernesto Araújo avisou Ivan Valente que o invasor Silva e Maria, a outra representante de Guaidó, estão credenciados junto ao governo como ‘representantes do governo legítimo do presidente Juan Guaidó’. E disse também não saber de onde vem os recursos que os mantém no Brasil. Só sabe que o governo brasileiro não custeou.

O chanceler venezuelano diz a Chade que o diplomata enviado à embaixada pelo Itamaraty não ajudou em nada. ‘O que ele fazia era defender o fato de que essas pessoas estivessem ali’, disse o chanceler, isso porque o governo brasileiro supostamente não reconhece o governo legítimo da Venezuela.

Arreaza informou, também, que durante a crise foram feitos contatos entre militares brasileiros e militares venezuelanos buscando uma solução.

Mesmo com todos estes elementos listados, Arreaza diz que Venezuela prefere manter uma relação respeitosa com o governo brasileiro, mas que isso não descarta opções legais que poderão ser tomadas diante da invasão contra os autores dos atos.

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“Se ocorresse outra vez, evidentemente teríamos de aplicar medidas diplomáticas proporcionais, através da convenção de relações diplomáticas”, explicou. “E teríamos que decidir expulsar, declarar persona non grata os diplomatas brasileiros na Venezuela, coisa que não queremos, pois deixaria desprotegidos os brasileiros na Venezuela. E esse não é o espírito da diplomacia ente países vizinhos”, disse Arreaza.

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