Entre o correismo e o neoliberalismo, a população do Equador, em votação apertada, preferiu o segundo grupo político colocando um fim neste domingo (15) a uma das eleições mais conturbadas do país, que teve a sua convocação antecipada pelo atual presidente, Guilherme Lasso (CREO), e durante a campanha o assassinato de um candidato.
O empresário Daniel Noboa, de apenas 35 anos, herdeiro dos negócios do pai, também ligado à política, se tornou o mais jovem presidente eleito do Equador ao vencer o segundo turno com 52% dos votos válidos, superando a candidata de esquerda Luisa González (Revolução Cidadã), que deteve 48% do eleitorado.
Nascido em Guayaquil, ele é filho da médica Anabella Azin e de Álvaro Noboa, dono de mais de 100 empresas. Conhecido como “magnata da banana”, por controlar 50% de um conglomerado de exportação da fruta, ele tem um patrimônio de mais de R$ 1 bilhão.
Depois de completar os estudos nos Estados Unidos, Noboa regressou ao Equador e em 2021 entrou para a política se elegendo deputado para a Assembleia Nacional. Desde então, integra o partido Ação Democrática Nacional (ADN), considerado de centro-direita.
A campanha eleitoral de Noboa esteve centrada em propostas de segurança pública, combate à corrupção, na qual ele mesmo está implicado (leia abaixo), e medidas neoliberais para a economia. Um dos consensos no Equador, a necessidade de reformas, é defendida por Noboa.
González reconhece derrota
A adversária de Noboa no segundo turno, Luisa González, que surpreendeu ao ir ao segundo turno e contou com o apoio do ex-presidente Rafael Correa, do mesmo partido, o Revolução Cidadã, reconheceu a derrota, parabenizou Noboa e se mostrou disposta a dar apoio às reformas necessárias ao Equador.
Noboa sucederá o banqueiro Guilherme Lasso, alvo de dois processos de impeachment em uma gestão marcada por dificuldades políticas na Assembleia Nacional, por não ter conseguido compor com as forças de esquerda, e na economia, cujas medidas de caráter liberal não surtiram o efeito almejado.
Em maio, a frágil posição política de Lasso contou com uma medida desesperada para evitar o sucesso da segunda tentativa de impeachment. Ele decretou a chamada “Morte Cruzada”, dissolvendo a Assembleia Nacional e convocando as eleições de forma antecipada, às pressas.
Desafios de Noboa
Noboa assume a Presidência em meio a uma onda de violência no Equador. As eleições ficaram marcada pelo assassinato do candidato Fernando Villavicencio (Construye), em agosto, durante um encontro político a 11 dias do primeiro turno. Candidatos e candidatas passaram a fazer campanhas com coletes à prova de balas.
Por outro lado, Noboa chega à Presidência envolto por denúncias. Uma delas diz respeito a duas empresas que herdou do pai e que estão localizadas em paraísos fiscais, o que é proibido pela lei equatoriana, o que não serviu de embargo à sua candidatura e, agora, vitória eleitoral e futura posse.
LEIA MAIS:
Deixe um comentário