O poder de Karina Milei e a foto que Stuckert não tirou de Lula
por Maíra Vasconcelos
Os fotógrafos oficiais de todos os chefes de Estado foram proibidos de registrar imagens. Todos foram barrados na entrada do Palácio San Martín, localizado na sede do Ministério de Relações Exteriores. As fotos que puderam ser vistas, foram apenas aquelas autorizadas pela Casa Rosada. Ricardo Stuckert, que trabalha fotografando o presidente Lula da Silva, desde 2003, foi barrado. Os fotógrafos presidenciais foram proibidos de ingressarem ao recinto, no momento em que os presidentes se reuniam para a 66ª Cúpula do Mercosul, acontecida em Buenos Aires, no último dia 3 de julho. Segundo o que foi ventilado na imprensa argentina, a decisão ficou por conta da irmã Karina Milei, ou “o chefe”, como é chamada pelo irmão e presidente Milei.
Por causa de um protocolo unusual, digamos, ditado por Karina Milei, Lula ficou sem as fotos que seu companheiro fotógrafo, de longa data, foi impedido de registrar. Karina é secretária-geral da Presidência, mas seu poder de atuação e decisão vai muito além de administrar a agenda presidencial. Mas, também, por isso, está intimamente ligada ao escândalo da criptomoeda, que explodiu em fevereiro deste ano. Por ser quem administra a agenda de Milei, ela sabia dos encontros na Casa Rosada, quando envolvidos na mega estafa da moeda $LIBRA pagaram em dólares para ter acesso a Milei. Além do mais, esse pagamento teria passado direta ou indiretamente por Karina Milei.
Karina também esteve à frente de duas exitosas campanhas do irmão, quando ganhou para deputado federal, em 2021, e conduziu de perto toda a campanha eleitoral de 2023, do conteúdo de imprensa até a gestão do espaço físico dos atos de campanha, que levou Milei ao cargo atual de presidente.
“Karina Milei é a outra presidente”. Como quem diz, Milei foi eleito nas urnas, e a “outra presidente”, hoje, é também Karina. A frase é da jornalista argentina Victoria de Masi que escreveu o livro “Karina – A irmã. O chefe. A soberana.”. Seu poder é tamanho, que chega a decidir no lugar de Milei questões presidenciais, e ele apenas atuaria. É o que replicam diversos meios locais.
Foi Karina quem armou a lista de políticos para que o partido “A Liberdade Avança” (LLA, sigla em espanhol) começasse a ganhar forma, já que primeiro assumiram a presidência e apenas agora estão se constituindo e se estruturando como partido, ao menos, como força política nacional. Isso que ainda não é uma realidade.
Mas a forma como “A Liberdade Avança” reuniu senadores e deputados é bastante polêmica, já que tem a prática de cobrar para que políticos entrem em suas listas partidárias. E quem está por trás deste armado político é Karina Milei, a única irmã do presidente. É ela também quem tem percorrido o país para consolidação territorial do LLA, de olho nas eleições legislativas (senadores e deputados) de outubro deste ano.
Karina é conhecida também por seu silêncio, pois não dá declarações públicas e entrevistas. Ela foi secretária quase durante toda a sua vida, também quando cursava a carreira de Relações Públicas, na Universidade Argentina da Empresa (UADE). Secretária em consultório odontológico e em diferentes tipos de escritórios. Também estudou confeitaria por cinco anos, e teve um pequeno negócio. Isso é algo repetido frequentemente na mídia local. A questão é que foi com essa experiência que Karina fez de seu irmão, primeiro deputado, logo, presidente da Argentina.
Já como secretária Presidencial, seu desempenho pode ser também considerado bastante exitoso, ao menos do ponto de vista político, mas essa resposta efetivamente poderá ser vista após os resultados das eleições legislativas de outubro.
Outro dado importante para medir o possível avanço do partido LLA, é que a força política que mais se assemelharia aos “libertários”, guardadas as devidas diferenças, o PRO (Proposta Republicana), partido de direita fundado pelo ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019), tem sido cada vez mais diminuído pelas jogadas dos irmãos Milei. Que utilizaram o apoio de Macri para chegar ao poder, quando o PRO declarou apoio no segundo turno das eleições presidenciais que levou Milei à Casa Rosada. E que lá chegou, em boa parte, devido aos votos macristas. Novamente, a secretária presidencial teria grande participação nessas jogadas políticas. Dizem que um de seus grandes interesses é fazer o “A Liberdade Avança” chegar ao governo da cidade de Buenos Aires, que há quase 18 anos é governado pelo partido de Macri.
Considerada verticalista, e como dito em um meio local, aquela que usa a guilhotina ao invés da chibata para compor e recompor os espaços político-partidários junto com o irmão, faz-se necessário perguntar sobre as ambições pessoais da irmã do presidente. E se Milei se postular novamente à presidência, em 2027, qual lugar Karina ocuparia?
Então, após a decisão de comunicação da secretária presidencial, na última Cúpula do Mercosul, Lula da Silva voltou ao Brasil sem ser fotografado por Stucker, seu fiel fotógrafo. Foi assim que o presidente deixou a reunião e se direcionou para a rua San José, número 1111, no bairro de Constitución, também em Buenos Aires.
Nesse endereço, Lula esteve durante uma hora com a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, que se encontra em prisão domiciliária, desde 17 de junho, quando a Justiça decretou sua condenação por seis anos, por administração fraudulenta, envolvendo obras públicas na província de Santa Cruz. Poucos dias antes da prisão ser anunciada, o jornal La Nación, linha editorial de direita, publicou várias fotos do apartamento vazio, que ocupa um andar inteiro, na Rua San José, esquina com a Avenida San Juan.
Maíra Vasconcelos é jornalista e escritora, de Belo Horizonte, e mora em Buenos Aires. Escreve sobre política e economia, principalmente sobre a Argentina, no Jornal GGN, desde 2014. Cobriu algumas eleições presidenciais na América Latina (Paraguai, Chile, Venezuela, Uruguai). Escreve crônicas para o GGN, desde 2014. Tem publicado um livro de poemas, “Um quarto que fala” (Urutau, 2018) e também a plaquete, “O livro dos outros – poemas dedicados à leitura” (Oficios Terrestres, 2021).
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conrado francisco paulino
21 de julho de 2025 5:44 pmKarina é o Rasputin do Milei. Só espero que ambos caiam em desgraça como o bruxo russo, ou melhor, como o psicopata italiano , o Duce.