O fundamentalismo religioso tem muitas faces, explica Lucia Helena Issa

Fundamentalistas são de vários matizes, não podemos simplificar ao ponto da ignorância. Veja o vídeo em que a jornalista Lucia Helena Issa explica e exemplifica a questão

Jornal GGN – O massacre de muçulmanos em duas mesquitas perpetrado por um supremacista branco, na Nova Zelândia, ganhou um novo capítulo. Um senador de extrema-direita culpa muçulmanos por ataque a mesquitas que deixou 50 mortos e 50 feridos.

E ele pode perder o cargo por isso. O senador, no caso, é Fraser Anning, que afirmou que a verdadeira causa do massacre foi o programa de imigração, que permitiu a entrada de ‘fanáticos muçulmanos’ no país. Diz que o medo, dentro da comunidade, é crescente, tanto na Austrália quanto na Nova Zelândia, por conta da presença muçulmana.

Culpar a vítima é a nova saída da estupidez extrema que se apossou do mundo. Se há um atentado e o algoz é branco, o tipo de discussão que suscita vem na linha do ‘coitado, vai saber o que o levou a tal ato extremo’. Se o algoz é negro ou muçulmano ou gay, tudo muda de figura.

A primeira-ministra neozelandesa não gostou. No dia anterior garantiu que as leis de armas seriam revistas, e a compra e posse dificultadas no país. Mas é preciso conseguir um culpado fora da zona de conforto, e um muçulmano é mais fácil e foi o que o senador de ultra-direita fez.

Mas o que entra na pauta, contra os muçulmanos, é o tal do fundamentalismo religioso. Toda e qualquer referência ao tema vem coalhado de exemplos muçulmanos. Mas se existem fundamentalistas muçulmanos, existem também os cristãos, os hindus. Como explica a jornalista e pesquisadora Lucia Helena Issa, em vídeo de 2017, um hindu matou Gandhi porque ele lutava pela paz e pelo diálogo com os muçulmanos indianos; um fundamentalista cristão, o pastor Jim Jones, foi responsável pela morte de mais de 900 pessoas. Na Noruega, um extremista católico cometeu um atentado em que morreram mais de 90 pessoas.

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Fundamentalistas são de vários matizes, não podemos simplificar ao ponto da ignorância. Veja o vídeo em que a jornalista Lucia Helena Issa explica e exemplifica a questão.

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