7 de junho de 2026

A internacionalização da direita nos trópicos, por Suhayla Khalil

A internacionalização da direita nos trópicos, por Suhayla Khalil

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A ida da comitiva de senadores brasileiros encabeçada por Aécio Neves, do PSDB, à Venezuela me fez lembrar da viagem de Richard Nixon ao país, em 1958, quando este ainda era vice-presidente dos Estados Unidos. Os episódios guardam alguma semelhança. Então como hoje, as delegações foram recebidas com fortes doses de hostilidade nas ruas de Caracas. Nos dois casos, o repúdio à visita veio de manifestações populares e não do governo instituído. Ambos também demonstraram uma sucessão de erros e provas de desconhecimento em relação à Venezuela e, em última análise,  aos países da região, mas que procuraram ser canalizados de forma positiva pelos integrantes das delegações nos seus países de origem.

Primeiramente, a visita não tinha caráter diplomático e é preciso lembrar que o sistema internacional tal qual é concebido desde a Paz de Westfália até os dias de hoje é um sistema de Estados alicerçado no princípio da soberania. Dessa forma, os esforços de mediação de qualquer crise política interna devem ser realizados com a anuência do governo e/ou com a utilização dos recursos de estruturas de cooperação internacional. No caso da Venezuela, isso já vem ocorrendo no âmbito da Unasul. O secretário da Unasul, o colombiano Ernesto Samper, nomeou uma delegação integrada pelos ministros de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, da Colômbia, María Ángela Holguín, e do Equador, Ricardo Patiño, para promover a aproximação entre a ala governista e a oposição na Venezuela.

A visita dos senadores, da forma que foi realizada, mostrou certa arrogância e desconhecimento da lógica de funcionamento das relações internacionais. Falas de parlamentares, como Aloysio Nunes, que comentam que o pleito de excluir Venezuela do Mercosul deve ser levado à Organização dos Estados Americanos, demonstram o profundo desconhecimento dos legisladores brasileiros em relação aos processos internacionais.

Nesse sentido, a visita pirotécnica mais atrapalha do que ajuda. Manobras equivocadas como essa polarizam ainda mais a crise interna venezuelana e ameaçam as relações entre Brasil e Venezuela, além de colocarem em risco a própria integração regional. Não à toa, nos rememora o caso do diplomata Eduardo Saboia, que, contrariando ordens superiores e normas internacionais, trouxe clandestino para o Brasil o senador boliviano Roger Molina. Digo não à toa, porque Saboia também embarcou nessa nova aventura juntamente com os senadores brasileiros, já que foi descoberto que ele compunha a comitiva a Caracas. Ambos os casos puseram o governo brasileiro em uma saia justa nas suas relações externas.

Vale lembrar que o processo de institucionalização da cooperação regional é recente na América Latina e deve ser cuidado. Além disso, tal tipo de atuação reforça o discurso nada desejável de que o Brasil é um país imperialista em seu entorno regional. Assim sendo, a oposição brasileira agiu de forma muito mais auto-interessada, de forma a capitalizar o ensejo para lograr visibilidade interna e internacional, e ignorou os interesses nacionais defendidos por nossa política externa. Vale lembrar que a Venezuela é um dos nossos principais parceiros comerciais. Também é um dos principais vendedores de petróleo para os Estados Unidos, que, até hoje, nem de longe interromperam os fluxos comerciais com o país. Ademais, o processo de integração regional tem sido uma prioridade do governo brasileiro desde a redemocratização e tratada como política de Estado.

Por fim, quanto à expulsão da Venezuela das instituições regionais, é preciso ter em mente algumas ponderações. Um primeiro problema a ser enfrentado é o de que a cláusula democrática do Mercosul é bastante abrangente e não há critérios claros para a definição de regime democrático. Ou seja, temos uma questão de ordem processual a ser enfrentada. Em segundo lugar, a História já provou que a expulsão de membros não é a melhor decisão política. Na verdade, a exclusão demonstra uma inaptidão e a falta de legitimidade das instituições regionais para cuidar de suas crises internas.

Suhayla Khalil é Doutora em Relações Internacionais e professora da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo)

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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8 Comentários
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  1. Rpepino

    22 de junho de 2015 2:35 pm

    “No caso da Venezuela, isso

    “No caso da Venezuela, isso já vem ocorrendo no âmbito da Unasul”. Unasul? Você quer dizer Foro de São Paulo? Quem vocês acham que ainda enganam??

    1. H.R.S.Pinto

      22 de junho de 2015 5:36 pm

      Ai meus sais, este pessoal se preocupa com “Foro SP…”

      Como diz o ancora: vai procurar um pepino, vai!

    2. Luciana Modafer

      22 de junho de 2015 6:34 pm

      Zumbis à solta!!!

      Zumbis à solta!!!

  2. Lauri Guerra

    22 de junho de 2015 3:08 pm

    Este bando que “invadiu” a

    Este bando que “invadiu” a Venezuela, custeados por recursos públicos do erário brasileiro, não representa o Brasil, por que não é esta a forma como se dão as relações internacionais, como bem notado no texto.

    Representam apenas os interesses do imperialismo que quer impedir a união dos países latino-americanos, e que desenvolve uma conspiração de larga escala em toda a América Latina para desdtruir os avanços conquistados por governos progressistas e nacionalistas, valendo-se de seus agentes e colaboradores espalhados pelos distintos países.

    Resumindo, só foram para a Venezuela por que recceberam ordens da CIA para ajudar a turbinar a conspiração lá e rescaldar a conspiração no Brasil.

  3. Vini

    22 de junho de 2015 3:21 pm

    Visita à República “Bolivariana” Austríaca

    Pois é, essa comitiva de nobres e ilibados senadores deveria visitar a República “Bolivariana” Austríaca. Lá, eles cometem o displante de oferecer diversas medidas comunistas. Para se ter uma idéia do tamanho do absurdo, eles pagam quase 1000 Euros para um austríaco colocar no mundo uma crianca! Imagina só se a moda pega…

    Outra coisa, é que lá, o transporte público é todo estatal. Ônibus, metrô, trem e bondes! Que absurdo! Tudo subsidiado, de modo que, para você andar dentro da cidade de Viena, vc paga um euro por dia(!!!) com o cartão anual. Cadê o von Mises para botar um pouco de juizo nesse pessoal?

  4. SILOÉ-RJ

    22 de junho de 2015 4:14 pm

    Ô DÓ!!!

    Qualquer motivo seria motivo pra voltar, pois a real intenção era um pulinho em MEDELLIN, e por enquanto não dá pra fazer isso com o avão da FAB.

    NÃO É NÃO PF???

    Ou alguém acha que o parasita do AÉCIO e sua GANG, que não vai nem nas passeatas da DIREITA  em seu país, está preocupado com os seus comparsas CUCARACHOS??

    Bem que eles tentaram ir de jatinho, mas não colou.

    Ô PÓ!!!!  (ops) Ô DÓ!!!!

  5. Luciana Modafer

    22 de junho de 2015 6:41 pm

    A Venezuela só desperta todo

    A Venezuela só desperta todo esse interesse da direita ENTREGUISTA brasileira e seus patrões no hemisfério norte por causa de uma única palavra – PETRÓLEO…

    E nós não fugimos à regra. Estão tentando quebrar o Brasil, desestabilizar nossa economia, nossa política, nossa soberania, simplesmente por conta do petróleo…

    Basta ver o desespero de José Serra em tentar privatizar nossas reservas… afinal, os seus patrões da Chevron estão cansados de tanto esperar para botarem a mão em nosso maior orgulho…

    Se conseguirem vender a Petrobras, alguém ainda duvida que todo esse circo de Lava Jato e cia deixa de existir? Isso tudo é para forçar a desestabilização da empresa e, posteriormente, vendê-la a preço de banana, como fizeram com a Vale do Rio Doce (aliás, alguém sabe onde foi parar o dinheiro da Vale?)

  6. junior50

    22 de junho de 2015 10:30 pm

    CREDN

      O Senador Aloysio Ferreira sabe que falou besteira, ou algo para contentar a midia, pois um Senador da Republica que atualmente está na Presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Congresso, tem plena e total consciência que de nada adianta instar a OEA , a retirar a Venezuela do Mercosul ou da UNasul, afinal até ele sabe que são instancias independentes.

       O maior problema é que, em virtude das “barbeiragens politicas congressuais”, dos “jenios” que assessoram a PR, a Presidência desta importante comissão foi perdida para o PSDB, e outros ainda mais piores, supra sumos de uma direitice “anos 60” como o Sen. Ferraço, portanto a palhaçada caraquenha, assim como a negação (1a na história) referente a nomeação de um embaixador, foi só o começo, a maioria dos brasileiros não sabem: todos nossos acordos internacionais passam por esta comissão, incluindo UNASUL e Mercosul, antes de serem votados no Congresso, assim como todos nossos acordos e aquisições para as FFAA.

         Exemplo: Tipo assim – Os prometidos US$ 50 Bilhões de investimentos chineses, caso o Sen. Aloysio, ou algum de seus pares na CREDN – com anuência da maioria, já Aloysio é sozinho – resolver “embarreirar” para “consultas” da Comissão, ele estará em seu direito regimental.

         Perder o controle de determinadas comissões, tipo CCJ, CREDN, CDHC etc.., é um tremendo de um problema para o Executivo governar.

          P.S.: Como presidente da CREDN, Sen. Aloysio , pode requisitar voo FAB.

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