A mídia e o atual recuo de Bolsonaro, por Rogério Mattos

O acordo de Bolsonaro com a Globo promete mais curto circuitos nessa sua base de apoio mais sólida, entre 5 e 10 % do eleitorado, base esta que o mantém, ainda...

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A mídia e o atual recuo de Bolsonaro, por Rogério Mattos

No mesmo dia em que Bolsonaro tenta fazer um “acordão” com a Globo sai essa notícia: De Globo a Record: Frustradas com Bolsonaro, redes adiam novos programas.

A frustração da Globo e da Record convergem em um único sentido: é inviável manter apoio a um governo tão inepto e impopular.

Alegam-se motivos econômicos, ou seja, a recessão estaria inviabilizando as empresas de mídia. Pode ser lido também que a Record e SBT se voltam contra Bolsonaro porque ele acenou positivamente para a Globo. Esta mostra que é bolsonarista de fio a pavio na pauta econômica. Diverge apenas na pauta de costumes. Se acena com críticas às vezes um pouco mais duras é por mera demagogia, i. e., para ecoar a impopularidade de um presidente que foi eleito com cerca de 30% dos votos totais e através de eleições fraudadas do início ao fim.

Em resumo, existem três variantes decisivos para o apoio de Record e SBT a Bolsonaro: 1) o ideológico, que cai por terra com sua recente ligação com a Globo; 2) o econômico, onde numa conjuntura de recessão permanente não existe Napoleão III capaz de angariar apoio permanente; 3) A popularidade de Bolsonaro, em queda livre. Se sua base social talvez seja nem tão pequena, mas com certeza difusa, o chamado “núcleo duro” do bolsonarismo, por si, não pode salvá-lo nesse aspecto.

O acordo de Bolsonaro com a Globo promete mais curto circuitos nessa sua base de apoio mais sólida, entre 5 e 10 % do eleitorado, base esta que o mantém, ainda…

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O mais importante, porém, é que Bolsonaro recuou para salvar seu filho. O que se diz é que ele pediu uma trégua de dois meses para a Globo… No pacote, recuou em relação às manifestações do dia 26. A vitória recente no Congresso com a votação favorável à MP 870 (ainda que tenha perdido o caso Coaf e a questão dos fiscais da receita), é devido ao mesmo recuo. Bolsonaro, de tantos recuos, agora talvez tenha ensaiado seu recuo mais radical. Não se trata de política, entretanto. Trata-se do salvamento de sua prole.

Foi uma vitória apertada, porque perdeu em pontos importantes. No mais, a readequação de ministérios é coisa tão comum em mudanças de governo que o mero fato de se colocar o executivo na parede por uma causa desse tipo indica sua extrema fragilidade.

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