As múltiplas realidades na ficção científica, por Rogério Faria

No cinema, na literatura, nos quadrinhos, além de entreter, ela permite à humanidade refletir sobre sua própria existência, seja nesta realidade ou em qualquer parte do multiverso.

 As múltiplas realidades na ficção científica, por Rogério Faria

Ficção científica sempre foi um gênero muito popular para as consumidores de histórias, nos diversos meios. No cinema, na literatura, nos quadrinhos, além de entreter, ela permite à humanidade refletir sobre sua própria existência, seja nesta realidade ou em qualquer parte do multiverso.

Quando se fala que o gênero surge há muito, muito tempo atrás, nesta galáxia, não se trata de uma viagem nas estrelas. Muitos reconhecem História Verdadeira, escrito por Luciano de Samósata na Roma do século II d.C, como o precursor da ficção científica. O livro é uma sátira a histórias comuns da época que tratavam acontecimentos fantásticos e míticos como se fossem verdadeiros. Luciano, nessa obra, vai tratar de viagem ao espaço, vida alienígenas e até guerra interplanetária. Mas o gênero como o conhecemos hoje se desenvolveu a partir do olhar dos autores do século XIX sobre os avanços tecnológicos da época, como a eletricidade, o telégrafo, e descobertas em várias áreas do conhecimento humano. É Mary Shelley, com seus clássicos como Frankenstein (1818), que fixa as bases da ficção científica moderna.

O GGN prepara uma série de vídeos sobre a interferência dos EUA na Lava Jato e a indústria do compliance. Quer se aliar a nós? Acesse: www.catarse.me/LavaJatoLadoB

 

No cinema, em 1902, lá no seus primórdios, o homem já sonhava com o curta Viagem à Lua. Ele é considerado o primeiro filme de ficção científica, que vai tratar de viagem ao espaço e até alienígenas. Daí para clássicos de Steven Spielberg, Star Wars, Blade Runner, 2001, Alien, Matrix, e tantos outros bastou um pequeno salto no tempo, de poucas décadas.

 

Nos quadrinhos, o mercado norte-americano sempre apresentou grandes histórias, em que se pode destacar aquela que mudou tudo, Action Comics nº 1 (1938), onde fomos apresentados a um ser alienígena enviado por um planeta à beira da destruição: Super-Homem. Mas a Europa também é terra profícua para clássicos. São de lá o distópico e violento Juiz Dredd, das páginas da revista inglesa 2000 AD, já encarnado por Sylvester Stallone (1995) e Karl Urban (2008) nos cinemas. Temos também Valerian, que ganhou filme próprio recentemente, mas, desde 1967, vem influenciando obras como Star Wars. Vale citar ainda Incal, uma parceria do cineasta Alejandro Jodorowsky e o lendário Moebius. Dos mangás temos, entre muitos outros, obras como Akira e o Fantasma do Futuro.

 

 

Já aqui em terras brasileiras, o roteirista Tiago P. Zanetic está trazendo pela editora Draco Opticus – Intervenções, uma graphic novel com desenhos de Mauricio Leone e cores de Rodrigo Fernandes. A capa do álbum traz uma belíssima arte de Mauricio Leone e Raphael Salimena. Na história, por causa de uma intervenção cirúrgica, utilizando-se de nanobots, Dr. Théo torna-se capaz de enxergar diferentes versões da realidade.

 

 

Para Zanetic, escrever sobre ficção científica nos permite refletir como o avanço tecnológico, mesmo pequenas invenções, pode transformar o mundo e as pessoas. Para ele, Opticus é sobre o quanto somos pequenos ante o universo e o quanto podemos ser grandiosos em nosso universo. “É a história perfeita para que todos possam olhar para si mesmos e enxergar o quanto podem transformar o universo ao seu redor, mesmo que com pequenos atos”, diz. E, o mais interessante, é que a história é ambientada em São Paulo, o que, nas palavras do roteirista, nos permite ver nossa realidade ser distorcida e moldada em lugares que passamos diariamente. Para essa história, ele conta que realizou um extenso trabalho de pesquisa, contando com auxílio de profissionais de áreas como física e oftalmologia.


O álbum está na reta final numa campanha de financiamento no Catarse e precisa de seu apoio para se tornar realidade. Faltam 3 dias apenas. Caso atinja a meta estendida, o livro trará ainda um artigo exclusivo do escritor de ficção científica Alexey Dodsworth. Ele é doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo e pela Università Ca’ Foscari de Veneza, pesquisador do transumanismo e das questões éticas relacionadas à expansão cósmica humana. Ganhou o Prêmio Argos na categoria “melhor romance” em 2015 e em 2017 por seus livros Dezoito de Escorpião e O Esplendor.

 

 

Alexey adianta que seu artigo será sobre “a seríssima possibilidade de um multiverso, onde incontáveis versões alternativas de você leem incontáveis versões alternativas de meu texto.” Ele ainda conclui, “o que muita gente não sabe é que o multiverso é tomado a sério tanto por físicos (Hugh Everett III, David Deutsch, para citar alguns) quanto por filósofos (David Lewis)”. O autor aborda a possibilidade de um multiverso em sua tese de doutorado, e vai para a Sicília em breve falar sobre isso em um congresso de filosofia.

 

Para quem quiser apoiar a campanha na pré-venda e ajudar a tornar essa obra realidade no nosso universo, e ainda ler esse instigante texto de Alexey Dodsworth basta acessar a campanha no Catarse.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora