O documentário Operação Genocídio, da HispanTV Brasil, estreou em 11 de junho, no YouTube, com uma investigação sobre a colaboração de Israel com as ditaduras militares da Guatemala no início da década de 1980.
Dirigido pelo cineasta argentino Andrés Sal.lari, o filme tem 86 minutos e reúne documentos históricos, registros jornalísticos e depoimentos contemporâneos para tratar da participação israelense nas políticas de repressão e terra arrasada adotadas pelo regime guatemalteco durante um dos períodos mais violentos da história recente da América Latina.
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Segundo a narrativa apresentada pela produção, Israel teve papel ativo na concepção, construção e operacionalização de estratégias militares utilizadas contra populações indígenas e comunidades camponesas durante a guerra civil da Guatemala. O documentário aponta que essa cooperação envolveu treinamento militar, transferência de tecnologia de segurança, fornecimento de armamentos e apoio logístico às forças estatais guatemaltecas.
A guerra civil da Guatemala, ocorrida entre 1960 e 1996, deixou mais de 200 mil mortos e desaparecidos, segundo dados citados no release e amplamente reconhecidos por organizações internacionais. Grande parte das vítimas pertencia aos povos indígenas maias, atingidos de forma sistemática pelas campanhas militares conduzidas principalmente no início dos anos 1980.
O centro da narrativa de Operação Genocídio está nas chamadas operações de terra arrasada, estratégia baseada na destruição de aldeias, plantações, fontes de alimento e estruturas comunitárias em regiões consideradas simpatizantes de movimentos insurgentes. Essas ações provocaram massacres, deslocamentos forçados e o colapso de comunidades inteiras.
Além de examinar a atuação das forças militares da Guatemala, o documentário discute o papel de alianças internacionais na sustentação de regimes autoritários durante a Guerra Fria. A obra argumenta que a cooperação entre Israel e Guatemala foi fortalecida em um contexto geopolítico marcado pelo combate a movimentos revolucionários na América Latina e pelo alinhamento entre governos militares e potências estrangeiras.
A produção também destaca o silêncio midiático e diplomático que, segundo os realizadores, cercou o tema por décadas. Embora o genocídio guatemalteco tenha sido reconhecido por pesquisadores, historiadores e sociólogos, o documentário sustenta que a dimensão da participação israelense permaneceu pouco explorada fora de círculos acadêmicos e investigações independentes.
Com a estreia, os produtores esperam ampliar o debate público sobre memória histórica, colonialismo, violência de Estado e responsabilidade internacional em conflitos armados.
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