Bernie Sanders está nos ensinando como derrotar Bolsonaro, por Gustavo Conde

Sanders ri, desfila, aponta o dedo, grita, produz silêncios retóricos extasiantes, elogia Cuba, fala em socialismo, mobiliza jovens e incendeia as prévias eleitorais americanas.

Bernie Sanders está nos ensinando como derrotar Bolsonaro

por Gustavo Conde

A máquina do Partido Democrata nos Estados Unidos começa a entrar em pânico com o favoritismo de Bernie Sanders.

Eles estão pensando em ‘barrar’ a candidatura do senador de Vermont com uma ‘canetada’, tal é a fragilidade de John Biden e Elizabeth Warren a essa altura do campeonato.

Sanders é quase um comunista para essa gente.

E o fato eleitoral concreto é exatamente o contrário da tese da cúpula do partido: Sanders é o único que pode vencer Trump.

Essa dicção pegajosa de conciliação e equilíbrio institucional é a mais esplendorosa candidata a fracassos eleitorais nas próximas eleições, sejam elas aonde for.

Já foi eficiente (quem não lembra do Lulinha paz e amor, do PT cor-de-rosa?), mas o prazo de validade venceu.

É a loucura que acontece no Brasil – de ficar querendo se contrapor a Bolsonaro falando em “respeito às instituições” e “diálogo com a sociedade”.

Ninguém mais quer saber disso. É puro fracasso – até porque todas as instituições foram solenemente desrespeitadas nos últimos 5 anos no Brasil.

As pessoas querem respostas, não teses – e não convalidações protocolares da carta de Direitos Humanos da ONU.

O eleitor quer vibração, provocação, tumulto.

Sanders é isso. Ele ri, desfila, aponta o dedo, grita, produz silêncios retóricos extasiantes, elogia Cuba, fala em socialismo, mobiliza jovens e incendeia as prévias eleitorais americanas.

É por isso que o establishment do Partido Democrata não sabe mais o que fazer e quer barrar de uma vez a indicação de Sanders.

John Biden é um morto-vivo. Perdeu sua razão de ser com o naufrágio do impeachment a Trump. Elizabeth Warren perdeu o timing e se intimidou com o crescimento de Sanders. Bloomberg é um Trump com surdina: diz as mesmas atrocidades, mas quer se passar por civilizado.

Em suma: se o Partido Democrata der um golpe para cima de Sanders, ele entrega mais 4 anos para Trump de mão beijada.

Biden e Warren seriam ‘desossados’ por Trump.

Sanders está num momento tão espetacular, que essa tentativa de golpe interno que espreita sua indicação lhe será até favorável: eleitores verão com claridade solar que ele não é um político como todos os outros e que assusta até seus correligionários.

Sanders é o político do momento. Representa um freio à estupidez global. É o resultado conjuntural da fascistização da política americana – e à respectiva falta de imaginação das esquerdas mundiais.

Ele é assumidamente populista. Não gosta do bom comportamento dos autoproclamados civilizados de plantão, que amargam derrotas seguidas no Brasil, no Reino Unido e em debates sistêmicos sobre o futuro da governança global.

Se Sanders é ideal é uma outra conversa. O mundo mergulhou em fosso político tão profundo que é preciso atualizar as definições de ‘ideal’.

Lula sempre foi o político mais completo da cena democrática. Ousado, popular, emocional, inteligente, paciente e aglutinador.

Talvez, Sanders represente essa possibilidade de ‘retomada de raciocínio’. Sua ascensão trará Lula de volta ao protagonismo global – e será uma pá de cal aos governos bestializados de Bolsonaro e Trump.

Pensem nisso, antes de demonizar Sanders e de dizerem que americanos são imperialistas e ponto. O senador de Vermont está nos ensinando como derrotar Bolsonaro. Lições grátis sobre política não costumam ser dispensáveis – ainda mais em crises conceituais e institucionais como a brasileira.

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