25 de junho de 2026

Breve história da Hyundai: a “Gurgel” da Coréia do Sul, por Paulo Gala e Felipe Augusto Machado

Demorou e foi custoso, mas o Estado e a empresa seguiram comprometidos com uma estratégia nacional de desenvolvimento baseada em aprendizado produtivo e tecnológico.

Breve história da Hyundai: a “Gurgel” da Coréia do Sul

por Paulo Gala e Felipe Augusto Machado

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A Ásia de sucesso (do leste) conseguiu criar e desenvolver indústrias que são hoje campeãs internacionais. Está aí o segredo de Coreia, Japão e China. Empresas complexas e inovadoras que foram aos poucos conquistando os mercados mundiais. O tecido produtivo desses países foi se sofisticando e o avanço tecnológico ocorreu nas atividades chave. Desenvolver capacidades produtivas e tecnológicas para conquistar o mundo não é difícil.

A Hyundai, por exemplo, lançou o 1º carro “coreano” em 1974, ainda com motor japonês e design italiano. Partes de plástico trincavam, maçanetas se rompiam, freios falhavam e a pintura enfraquecia em semanas. Apenas em 1991 um motor nativo foi desenvolvido e, mesmo assim, conforme suas próprias estimativas, sua produtividade não atingia metade dos da Honda e da Toyota. A reputação da marca foi péssima por anos, mas hoje a Hyundai é a terceira maior produtora de carros no mundo. Foram anos de prejuízo, sustentados por generosos subsídios do Estado, protecionismo e controles de capital, pelas demais empresas do grupo (como o segmento de construção naval) e pelas restrições à entrada de concorrentes (apenas Hyundai e Daewoo podiam vender carros leves).

Diante do limitado mercado coreano, regulações restringiam o número de modelos que podiam ser fabricados, buscando gerar economias de escala. A partir de 1985 a Guerra Comercial EUA-Japão facilitou o acesso coreano ao mercado norte-americano e mudou a empresa de patamar. A Hyundai também tinha um grande programa de integração tecnológica com os Japoneses. A Samsung tentou fabricar carros leves, mas sem muita relevância e a Ásia Motors também; concorrência interna e as metas de melhoria dos produtos foi algo exigido pela Ditadura coreana, os primeiros motores foram desenvolvidos por empresas menores compradas pelo grupo Hyundai.

Demorou e foi custoso, mas o Estado e a empresa seguiram comprometidos com uma estratégia nacional de desenvolvimento baseada em aprendizado produtivo e tecnológico. É preciso visão, ambição, pragmatismo, paciência e sorte, mas não parece ter caminho fácil para atingir alta renda. Algo parecido aconteceu com a indústria automotiva na Índia. Recentemente a Tata Motors comprou a Jaguar Land Rover.

Referências:

KIM, Byung-Kook; VOGEL, Ezra (ed.). The Park Chung Hee Era: the transformation of South Korea. Harvard University Press, 2011

LEE, Nae-Young. The automobile industry, (2011)

NOBLE, Gregory. Industrial Policy in Key Development Sectors: South Korea versus Japan and Taiwan (2011)

J. STUDWELL, How Asia Works, (2013).

Ainda NOBLE (2011):

divisões da área de P&D da Hyundai Heavy Industries.

Corporate Research Center

  • Energy System Research Institute

• · Offshore System

• · Process & Safety System

• · Cryogenic System

• · Thermal System

  • Advanced Technology Research Institute

• · Welding & Joining

• · Material Engineering

• · Coatings & Corrosion Engineering

• · Dynamics

  • Convergence Technology Research Department

• · Automation

• · Intelligent Control System

• · Process Management

• · Design

  • Technology Administration Department

Business Division Research Institutes

  • Maritime
  • Engine & Machinery

https://www.hyundai-ce.com/English/Index.aspx#self

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3 Comentários
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  1. Zé Sérgio

    22 de fevereiro de 2020 11:07 am

    Capitalismo e Nacionalismo? Sodomita !!! Não traga seus pecados entre os puros….

  2. Martin

    22 de fevereiro de 2020 11:46 am

    Há tempos existe no Brasil o debate sobre quem são os culpados por nosso atraso industrial e tecnológico. E este debate está quase sempre centrado em duas hipóteses: 1) somos atrasados porque o imperialismo global dos EUA nos pressiona e interfere há décadas para não crescermos e não nos tornarmos independentes, potenciais concorrentes comercais e influentes na AL ou 2) nossas elites sempre foram extrativistas/entreguistas e preferem o lucro e fortuna imediatos, deixando para as futuras gerações de suas próprias famílias, o ônus de dar continuidade ao seu enriquecimento ao invés de trabalharem para um projeto de país de longo prazo que vai gerar cada vez mais riqueza, porém para futuras gerações.
    No Brasil foi feito recentemente um projeto similar das Campeãs Nacionais com empresas de média e baixa tecnologias que durou pouco e ainda foi criminalizado, não que a corrupção não tenha que ser combatida, mas a sensação de complexo de vira-latas não sai da cabeça. Não sei se a Samsung também fez parte deste projeto de campeões na Coreia do Sul, mas o fato é que depois que descobriram corrupção na empresa ela não foi desmanchada e vendida, continua firme e forte e ganhando mercados pelo mundo.
    A Coreia do Sul não tem poderio militar para impedir ataques imperialistas, como não tem o Brasil. E, pelo que diz o artigo, empresas norte americanas até fizeram parcerias com as coreanas para desenvolver produtos, mesmo significando concorrência futura.
    Então, por que as coisas funcionam lá e não funcionam aqui? Quem realmente está impedindo o desenvolvimento do nosso país? Por que a Gurgel, por exemplo, foi “deixada para morrer”?

  3. Ulisses

    22 de fevereiro de 2020 8:49 pm

    Os militares na ditadura nunca se interessaram no desenvolvimento de uma industria automotiva como se interessaram no desenvolvimento de uma industria armamentista ou aeronáutica. Por que? Acho que os militares nunca se interessaram pelo povo, pela fabricação de um carro popular nacional. Milico prefere cavalo ao povo, já dizia Figueiredo!

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