Calma lá! Nosso povo nada tem de passivo, por Gilberto Maringoni

A tarefa de todos os que almejam a mudança agora é olhar para as carências concretas das pessoas e buscar tocar-lhes a alma, diante da motoniveladora da extrema-direita ensandecida.

Calma lá! Nosso povo nada tem de passivo

por Gilberto Maringoni

Pululam pelas redes afirmações de que enquanto os povos do Equador, Haiti, Chile e Argentina, entre outros, se levantam contra a devastação neoliberal, o povo brasileiro seguiria passivo.

Esse tipo de avaliação embute grossa picaretagem. Culpa-se o povo por aceitar a brutalidade bolsonariana-guedística. A tosca formulação é aparentada da ideia de que os brasileiros escolheram Bolsonaro por serem idiotizados. Os brancos, arianos e educados que escolheram Hitler seriam o quê? E os estadunidenses que preferiram Trump?

OS RACIOCÍNIOS não levam em conta que nossa população escolheu quem se apresentava como portador da mudança por quatro vezes consecutivas, entre 2002 e 2014. Buscou a esquerda e votou na melhoria de vida.

Pois a dada altura, essa mesma coalizão cometeu um brutal estelionato eleitoral. Prometeu “coração valente”, desenvolvimento e emprego e entregou um ajuste fiscal que resultou em redução de 8% do PIB, 12 milhões de desempregados e a adoção do programa econômico de seu adversário. Por que? Até hoje ninguém explica.

O POVO BRASILEIRO se mobilizou buscando vida melhor em 2013. Foi às ruas quando se viu enganado em 2015-16. Da primeira vez, houve uma disputa nas ruas e a direita levou. Da segunda, diante do rompimento de uma força originada da esquerda com sua base social, construída arduamente ao longo de quatro décadas, provocou um curto circuito social. Mais uma vez, a direita se aproveitou e veio para o golpe.

Não é à toa que parte expressiva da esquerda até hoje não queira realizar uma avaliação honesta do que se passou em 2014-15. É muito mais fácil e cômodo culpar o povo.

VALE LEMBRAR que a população brasileira jamais esteva passiva. As rebeliões de escravos, a cabanagem, Canudos, a as greves de 1917, 1953, 1978-80, as marchas pela entrada do Brasil na II Guerra, as Ligas Camponesas, as Diretas Já e muitas outras jornadas de lutas são poderosos exemplos da força plebeia que vem de baixo.

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A tarefa de todos os que almejam a mudança agora é olhar para as carências concretas das pessoas e buscar tocar-lhes a alma, diante da motoniveladora da extrema-direita ensandecida.

Olhemos um pouco para cima. Olhemos para as direções que construíram o desastre e abriram caminho para a reação. Elas não têm essa moral toda, não. Muito menos para culpar os de baixo por defeitos que são seus.

Termino citando o título do melhor romance de João Ubaldo Ribeiro: Viva o povo brasileiro!

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12 comentários

  1. Fim de 9 décadas de Golpe Civil Militar Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista e Elites Lacaias que ascendem junto à Ditadura Fascista de 1930, produzida por Quartelada QuintoMundista de baixa patente. A face deste era abjeta é a parceria Getúlio Vargas / Carlos Prestes. E Familiares do pária como João Goulart, Tancredo neves, Aécio Neves, Leonel Brizola,….Seria apenas coincidência a volta de um Presidente Paulista depois de 9 décadas? Enfim a Liberdade chegou. “…Liberdade, Liberdade…Abra as Asas sobre Nós…” Voto Livre, Soberano e Facultativo é o próximo passo no fim de período tão medíocre.

  2. Tenho lido muita abobrinha. Mas esse texto do Maringoni é um absurdo. Quanta asneira. 40 anos de Globo, meu amigo, criou a geração coxinha. Brasileiro das revoluções, já era. A passividade do povo brasileiro, manipulado pelo JN, por 40 anos, e agora pela equipe do Steve Bannon, é o próprio povo passivo, massa de manobras, que aceita sair de um governo voltado para o povo, para um regime de malucos, protetor das elites, sem contestar. A miséria se espalhando, e os Maringoni da vida ainda conseguem jogar a culpa…. na esquerda.

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  3. Mas essa analise não contempla nossa realidade. O povo buscou melhorias etc. Sim, o povo escolheu o PT em determinado momento e foi envenenado aos poucos pela midia, amplificando com as redes sociais e acredita em absurdos, reclama muito, mas não ha luta. Na historia brasileira houve muitas lutas, porém quase sempre são lutas isoladas, que não envolvem a maioria da população brasileira. Talvez entre nessa equação o fato de, ao contrario da maioria dos paises latinos, o Brasil ser um grande territorio. Mas fato é que somos passivos-agressivos. Eh sobretudo isso que tenho visto na historia brasileira: herois de poucos soldados, traidos pelo proprio povo.

  4. Demagogía pura meu caro,nem vc acredita nas suas sandices.Oportunista aproveita para criticar o dono do CENTRO POLÍTICO do Brasil,o PT.
    Ainda o chama de esquerda ,provavelmente porque considera seu partido ,de esquerda também .Mas não esquecemos a “esquerda cirandeira” que apoiou a fraude da Lava-jato,só e tão só porque atingiu os pts.
    Desconhece vc,que sim pratica uma –grossa picaretagem—,que faz parte do inconsciente coletivo da América hispana a sua luta contra a injustiça,é ensinada as crianças na escola que assim se conseguiu a Independência.
    Compare essa informação com a que as crianças brasileiras são educadas “independência o morte !” balela.
    Compare os movimentos revolucionários nos 60/70 ,com os que se deram na Argentina,Colombia,Chile,Uruguai,Perú com o nosso Brasil.
    Não pratique a demagogia,não faz parte do cardápio de um político de ESQUERDA.

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    • disse tudo…
      lutar contra uma injustiça que a todos atinge, do jovem ao idoso(a), não tem nada a ver com as manifestações que tivemos por aqui, e principalmente com as de 2013, que por ser contra a esquerda, as polícias do estado foram chamadas pela Globo para, pasme, proteger os coxinhas

  5. Tá bom, e diante desse discurso estranho para todos que vimos o rolo compressor golpista sacaneando o governo Dilma, nossa passividade acaba se demonstrando até mesmo aqui….onde ninguém ousou comentar contestando tal discurso. Será que estamos dando crédito ao discurso? Será que teremos que ajoelhar no milho pra pagar pecados? Ah! pode tirar o disfarce de cima da camiseta amarela, vai…afinal, o povo não se mobilizou em 2013, foi mobilizado por lavagem cerebral da midia cafajeste e os devidamente idiotizados-sim brigaram pelo preço do ônibus que nem era competência federal…..discurso cirista hein! Mas que somos um povo de merdas, somos sim…pois algumas cabeças já deviam ter rolado faz tempo, começando lá por curitiba……

  6. Óbvio que sempre os classe média que estudaram e participam do sistema a esquerda ou direita vao culpar o povão. Fazem parte da estrutura viciada que querendo ou não levam o capitalismo adiante. Barriga cheia, estante com livros, filhos na escola particular. Lembram o final da Revolução dos bichos daquele escritor gringo. Povo? Sabe se lá o que é isso? Como o Brasil são culpados só por existirem.Distópicos como a África!

  7. Como se não bastassem as leviandades do articulista, que ciricamente tenta culpar o PT com um objetivo oportunista por detrás de sua fala, como se não bastasse ele fingir não perceber que somos sim um povo de merda, onde infelizmente existem cafajestes de todo tipo (até mesmo de pobre e preto escolher o lado errado na luta de classes e acabar votando num bando de cafajestes corruptos,a começar pelo pai e pelos filhos) povo este para o qual fascismo virou moda a aderir, escravocrata, preconceituoso, como se não bastasse tanta imbecilidade dos boçalnaristas, infelizmente ESTE BLOG DO NASSIF CONTINUA DANDO ESPAÇO PARA COMENTÁRIOS DE UM PERFEITO TONTO (/ZÉ SERGIO) QUE NÃO ESCREVE COISA COM COISA, INCAPAZ ATÉ DE SABER O SIGNIFICADO DE ESQUERDOPATA……QUE SÓ PODE SER O PRÓPRIO VERME CAGADO PELA MÃE DELE……isso é desanimador…..ver darem espaço para dois imbecís atacarem a esquerda levianamente, sem argumentos convincentes: o articulista e o tal zé sergio……afffffff

  8. Absurdo colocar na conta da Presidenta Dilma o ajuste fiscal que resultou em desemprego. Esqueceu-se dos Cunhas, dos Serras e dos Aécios Never da vida? Esqueceu-se das “pautas bombas” (o tal programa econômico do adversário) votadas pela câmara? Esqueceu-se que o judiciário destruiu e paralisou o crescimento com a criminalização das grandes empreiteiras e não das pessoas que nelas trabalhavam ou que as dirigiam? E foi tal criminalização das empreiteiras que atuou na cadeia produtiva ocasionando o desemprego? Foi isso e mais a própria mudança no sistema de exploração do pré-sal (os Serras da vida) que levou a um desinvestimento dos agentes econômicos envolvidos na produção dos equipamentos de exploração que ocasionaram o desemprego. Esqueceu-se de que a mídia nada esclareceu a população sobre tudo isso? Pelo contrário ela jogou mais lenha na fogueira propositadamente falando em corrupção DA Petrobras e não em corrupção NA Petrobras, por exemplo. Esqueceu-se de que em 2013 não foi o povo que foi às ruas em busca de uma vida melhor e sim uma horda de mascarados e dissimulados com o pretexto do passe livre e o propósito de desestabilizar o final do primeiro governo de Dilma e tentar inviabilizar a realização da própria copa do mundo e conduzir o povo para a direita nas eleições que se aproximavam? Hoje cogita-se até a existência de financiamento externo naquelas agitações. Esqueceu-se de que o povo não foi as ruas como você diz “quando se viu enganado em 2015 e 2016” e que aquilo que então se viu foram manifestações insufladas pela Globo e pela grande imprensa com base já em uma farsa judiciária movida pela Farsa Jato? Não, não esqueceu. Um articulista do seu nível não tem o direito de esquecer. Quando faz tais afirmações é por outros motivos. Motivos que. por respeito ao que já li saído de sua pena, me fazem calar e esperar por esclarecimentos.
    O outro ponto está ligado a este: é que a esquerda prefere jogar a culpa no povo e não avaliar o que se passou em 2014-2015. O que se passou foi um golpe. Um golpe jurídico-midiático. O povo teria de buscar nas entrelinhas das mídias para entender. E não era só o povo que deveria ter feito isso. Alguns articulistas também. Por não o terem feito estão buscando até hoje que o PT faça uma autocrítica. O povo que acreditou em mamadeira de piroca e em kit gay e em outras mentiras, está esperando e vai continuar esperando, sabe-se lá até quando, que o “grande chefe bolsonaro” (ou algum outro) venha a anunciar um plano qualquer mentiroso (tal como o 13º do bolsa família que é, na verdade apenas um abono emergencial) mas muito grandioso que prometa os céus aqui mesmo (como acreditaram os revoltosos de Canudos e do Contestado e de outros movimentos ‘messiânicos’). Em suma, o povo não vai deixar de sonhar. Todo dia o sonho do povo é alimentado com uma mentirinha e eles (povo e sonho) continuam vivos. O povo pode não ter muito de passivo, mas está ativamente vivendo nas nuvens.

  9. Na minha opinião, desta vez Maringoni derrapou. É um despropósito equiparar as revoltas populares atuais do Equador e do Chile, por exemplo, com o que aconteceu no Brasil em junho/2013 e em 2015/16. Maringoni argumenta que os brasileiros também se mobilizam em protesto, assim como os chilenos e equatorianos. É verdade isso, mas as comparações que faz são absolutamente incabíveis. Ele diz: “O povo brasileiro se mobilizou buscando vida melhor em 2013. Foi às ruas quando se viu enganado em 2015-16. Da primeira vez, houve uma disputa nas ruas e a direita levou. Da segunda, diante do rompimento de uma força originada da esquerda com sua base social, construída arduamente ao longo de quatro décadas, provocou um curto circuito social. Mais uma vez, a direita se aproveitou e veio para o golpe.”
    Em junho/2013, nada indicava aquela explosão popular. Não havia percepção social forte de frustração, nem de raiva contra a situação. Um mês antes, pesquisas de opinião diziam que o governo Dilma tinha mais de 85% de ótimo e bom. Moreno e Piñera certamente não contam com esse nível de aprovação popular. Só isso já torna imprópria a comparação feita por Maringoni.
    A manifestação contra o aumento da passagem de transporte público vinha reunindo no máximo mil pessoas na cidade de São Paulo. Houve repressão num dia. No dia seguinte, cresceu o ato, mas apareceram outras “reivindicações populares”, como a que pedia poder de investigação para o MP. Eu vi gente distribuindo dezenas de “pirulitos” com essa palavra de ordem, que tiravam de um enorme saco. E todos perceberam a mídia, TV Globo à frente, praticamente convocando o povo a sair para as ruas. Nada a ver com o Chile e o Equador.
    Em 2015/16, Dilma não conseguia governar. Assim que eleita, e acuada pela ofensiva da direita que não amainou, Dilma nomeou Levy ministro da Fazenda e Figueiredo chanceler. Foi uma decepção, mas para o povão o que pegou mesmo foi a conversa dos golpistas, de que os governos petistas destruíram o país. O tal estelionato eleitoral foi sentido mais pela militância de esquerda. Havia um golpe em andamento. Eram as pautas bombas, a Lava Jato, o impeachment, as manifestações de direita convocadas pela mídia. Mais uma vez: chilenos e equatorianos não foram às ruas com apoio da oligarquia.

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